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Apocalipse I


Revelação

Revelação de Jesus Cristo,
que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer
e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João.
- Apocalipse 1.1 -

Apocalipse é a transliteração de uma palavra grega que significa revelação ou, melhor, desvelação; literalmente, retirar o véu. O livro de Êxodo menciona um véu que Moisés colocava sobre o rosto quando se dirigia ao povo logo após estar na presença de Deus. Para o apóstolo Paulo, quando os filhos de Israel fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido.

Havia um outro véu que, no templo, fazia separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos. A epístola aos Hebreus esclarece que apenas o sumo sacerdote podia ultrapassar esse limite, uma vez por ano, para oferecer sacrifício por si e pelo povo, querendo com isto dar a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do Santo Lugar não se manifestou. Foi este que se rasgou no meio, de alto a baixo, no momento do sacrifício de Cristo.

Então, nada mais natural que João identifique seu livro como a revelação, o desvelamento de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos. Portanto, diferentemente do evangelho de João, que registrou sinais realizados pelo mestre, na intenção dos não crentes, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, o Apocalipse foi destinado aos seus servos, aos que vieram a crer nele e que agora viviam em seu nome. Essa constitui a primeira grande dificuldade relacionada à interpretação de sua mensagem e explica porque especialistas em mistérios, mas não servos do Senhor, consigam descobrir nela “revelações” tão distantes das verdades evangélicas.

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Essa advertência é recorrente ao longo do texto e deixa claro que entender suas revelações não está ao alcance de qualquer um. Se não bastassem as dificuldades inerentes aos não crentes, o autor usa também uma linguagem cifrada, codificada, simbólica, apenas inteligível aos iniciados.

Ler o Apocalipse em nossos dias é realmente um grande desafio, mas vale muito a pena, para os servos sinceros e incondicionais de Jesus Cristo. Entretanto, só se alcança a profundidade de suas revelações estando bem conscientes de que a realidade histórica, assim como o modo como viviam e por que passavam os crentes aos quais se dirigiu João, eram enormemente diferentes do que vivenciamos hoje, em nosso contexto. Na próxima postagem, vamos dar uma olhada no que a bíblia diz a respeito.


Referências bíblicas:
Êxodo 26.31-36; 34.29-35; Mateus 27.51; João 20.30-31; 2ª Co 3.13-16; Hebreus 9.6-8;





O que é a mensagem da cruz?

Mensagem da cruz, Melissa Harris
Leia I Coríntios 2.1-5

Texto gentilmente cedido pelo Rev. Alan Kleber Rocha, pastor da Igreja Presbiteriana de Aracaju (www.iparacaju.org)

Introdução
Paulo inicia o capítulo dois da Primeira Carta aos Coríntios com as seguintes palavras: "Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando- vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado" (I Co 2.1, 2).

Muitos questionavam sua mensagem procurando sinais ou sabedoria. Tanto judeus como gregos perguntavam a Paulo: mas afinal, o que é a mensagem da Cruz? Bem, se olharmos com atenção para esse texto, encontraremos pelo menos três grandes considerações. Na pastoral de hoje quero apresentar a você a primeira deias:

1. A Mensagem da Cruz é Cristocêntrica em Seu Conteúdo
Paulo retoma mais uma vez o assunto sobre o conteúdo da sua mensagem, afirmando que ele mesmo, e não outro havia sido enviado aos coríntios "não... para batizar, mas para pregar o evangelho" (1.17). Este evangelho consistia no anúncio do testemunho de Deus.

Mas em que se baseava a sabedoria humana de seus dias? A sabedoria humana se vangloriava por se achar o único meio pelo qual os homens alcançariam o verdadeiro conhecimento de Deus, desvendando os seus mistérios e desígnios. Entretanto, a pregação cristocêntrica destruía "o sabedoria dos sábios" e aniquilava "a inteligência dos instruídos" (1.19), pois anunciava ao mundo o supremo propósito de Deus, face a inútil e tola tentativa humana de "conhecer a Deus por sua própria sabedoria" (1.21) - salvar todos os que creem através da loucura da pregação.

Paulo deixa bem claro que a sua passagem por aquela cidade se caracterizou pelo completo abandono de qualquer artifício humano, ou superioridade de palavras, ou palavras pomposas adornadas de grande ostentação como era costume dos gregos em seus discursos. Sua pregação se baseava na sabedoria e poder de Deus, a qual consistia em mostrar ao mundo o Cristo crucificado.
Sua determinação em se esvaziar de toda a sabedoria humana que adquiriu durante toda a sua vida, o levou a nada saber entre os coríntios, a fim de pregar tão somente a Jesus Cristo e a sua cruz. O alicerce, a base e o fundamento de seu ensino e pregação, consistiram durante todo o seu ministério naquela cidade, em anunciar o Messias Ungido de Deus e a sua grandiosa obra de salvação.

Certamente, ele não podia pregar outra mensagem! Como um fiel arauto do Rei,, ele precisava proclamar em alta voz que Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, havia morrido por eles na cruz. Este era é o centro de sua pregação. Sua alma desejava e amava um só conhecimento. Seus olhos focalizavam apenas um único alvo. Seus ouvidos só atendiam a apenas uma voz de comando. Sua boca só conseguia anunciar apenas uma única mensagem: Jesus Cristo e este crucificado!

Embora os filósofos zombassem de tal conteúdo e discurso, como sendo algo ultrapassado, velho e caduco, em face da suposta superioridade da sabedoria humana. Embora considerassem a cruz simplesmente como fruto da superstição e imaginação de homens fanáticos, seguidores de um Cristo que sequer pode se salvar de tão vergonhosa morte, o velho apóstolo aos gentios havia decidido pregar esta absurda mensagem aos homens de seu tempo. O que aos olhos humanos significava escândalo e loucura, para Paulo significava a mais urgente e importante tarefa de sua vida e ministério.

Para que essa mensagem não fosse anulada, Paulo rejeitou toda sabedoria de palavra (1.17). Por amor ao Senhor, fonte de tão sublime conhecimento e causa, ele considerou tudo mais como perda e refugo (Fp 3.8). Jesus Cristo, e este crucificado, foi o centro da sua mensagem. E ele estava disposto a enfrentar toda a ciência humana, a fim de exaltar e glorificar o nome e a obra do seu Senhor.

Concluímos afirmando que o único e verdadeiro conteúdo da pregação bíblica é Jesus Cristo. Ele é o centro das Escrituras, e, portanto, uma igreja se sustenta ou desmorona moral e espiritualmente, se amar ou desprezar este importante fundamento da fé cristã.

Cântico dos Cânticos I

 

Preparando-se

O amor é forte como a morte...
As muitas águas não poderiam apagar o amor,
nem os rios, afogá-lo.
- Cânticos 8.6,7 -

As reflexões que estamos iniciando resultaram de adaptações e atualizações introduzidas em texto do pastor Ricardo Lengruber sobre o Cântico dos Cânticos preparado originalmente como roteiro para o estudo individual deste livro canônico.

Este é bem diferente dos demais livros bíblicos. Por sua ousadia em falar do corpo, do sexo, do erotismo, poderia ser considerado mais profano do que sagrado. Além disso, também não faz referência a Deus explicitamente. Entretanto, ele ocupa na bíblia um lugar muito especial entre os livros sapienciais, aqueles que transmitem a sabedoria divina, e costumava igualmente a ser cantado durante as celebrações da páscoa, o momento mais importante da vida religiosa de Israel. Trata-se de um conjunto de poemas que aborda a experiência mais desconcertante da vida humana, fonte dos maiores prazeres que ela pode proporcionar, mas que também pode envolver-se em grandes tragédias: o amor.

Amor que está presente por toda a parte, nos elementos da natureza, como montanhas, árvores, animais, aromas, sabores, mas também em produções do homem, como vinhos, perfumes, jóias, taças, colunas e torres. Toda a criação divina e humana expressa a experiência de seu poder, pois tudo foi criado por Deus, realidade que levou João a afirmar em sua primeira epístola: Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. Assim sendo, a relação do homem com ele pode ser tão intensa e desconcertante quanto a vivida entre dois amantes humanos. O livro de Gênesis afirma: deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. Impossível não relacionar com a prece de Jesus: a fim de que todos sejam um; como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós.

O próprio título do livro anunciado no primeiro versículo, Cântico dos Cânticos, ou O Cântico por Excelência, ou O Mais Belo Cântico, já revela em quão alta estima o tinham os crentes da antiga aliança. Prova disso é o fato de ter sido relacionado à Salomão, cuja sabedoria era maior do que a de todos os do oriente... era mais sábio do que todos os homens... de todos os povos vinha gente ouvir a sabedoria de Salomão. Isto não significa que esse soberano o tenha redigido pessoalmente, o que possivelmente só aconteceria alguns séculos após sua morte, mas atesta a qualidade e a natureza da sabedoria nele contida, a ponto de constar de um elenco de escritos dignos de serem vinculados ao nome de tão importante personagem.


Referências bíblicas:
Gênesis 2.24; Cânticos 1.1; 8.6-7; João 17.20-21; 1ª João 4.8; 




João I


Porque João.

 No mundo, passais por aflições;
mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.

(João 16.33)

A igreja já sofreu muita perseguição no decorrer da história. Hoje ainda acontece em alguns países do oriente, motivados menos pelo evangelho que prega e mais por representar nações que os oprimem há séculos e se autodenominam ironicamente cristãs.

Essa convivência aparentemente pacífica nos países ocidentais não se deve certamente ao fato de que o mundo tenha submetido seu comportamento às exigências do evangelho. Pelo contrário, no plano internacional, as guerras por eles patrocinadas nunca foram tantas e tão perversas como as que hoje abastecem os noticiários ávidos por sangue. Guerras sempre são cruéis, tanto mais quanto maior for o equilíbrio entre as forças combatentes, de modo que os resultados tornam-se arrasadores para ambos os lados, como nos casos das guerras mundiais. Perversas, entretanto, são aquelas em que o agressor é incontestavelmente superior, poderia encerrá-la num prazo curto, mas prefere prorrogar as agressões o máximo possível para manter o agredido permanentemente debilitado.

No plano interno da maioria dos países supostamente em estado de paz, o mundo também não demonstra ter se rendido aos ditames do amor fraternal. O Brasil é um caso típico, um dos poucos que não vêem sua integridade territorial minimamente ameaçada, e mantém relações saudáveis com toda a comunidade das nações; entretanto, expande-se internamente e ganha em crueldade a violência doméstica, os assaltos, a corrupção, a degradação moral e ética dos meios de comunicação, discriminações diversas, o tráfico de toda sorte... Típico também porque aqui as igrejas agigantam-se em poder e nos espaços que ocupam, mas o mundo não se sente com isso nem um pouco ameaçado, a convivência nunca foi tão pacífica, aproximando-se da cumplicidade.

Nesse contexto, nada mais oportuno que algumas reflexões no evangelho de João, onde a dramática inimizade entre o mundo e os eleitos ganha atenção especial.



Tiago I



Dispersão, fé, perseverança, sabedoria.

Se, porém, alguém de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus,
que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.
Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando;
pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.
Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa.
(Tiago 1.5-7)

Reflexões em Tiago 1.1-8
No tempo de Jesus Cristo, a Palestina era a terra dos judeus. Ali eles viviam, tinham suas propriedades, seu governo, embora submisso ao Império Romano, e era onde se localizava seu único Templo. Os cristãos primitivos, que eram basicamente judeus, também encontravam-se em casa nesse território. Mas alguns anos após a morte do mestre, os judeus passaram a ser perseguidos pelos romanos e, com eles, os cristãos. Essa perseguição, que culminou com a destruição do templo de Jerusalém no ano 70, provocou uma debandada de judeus e cristãos para todas as partes do império, os quais passaram a viver num mundo estranho, com outros costumes e, principalmente, com outras religiões, os cultos pagãos, o que representava um desafio para os crentes, pois os confrontava com provações novas. Foi para eles, as doze tribos que se encontram na dispersão, que Tiago endereçou sua epístola, com a intenção de ampará-los em suas dificuldades.

De certo modo, os cristãos de hoje vivenciam situação semelhante, encarando a mais o materialismo e a acelerada paganização dos cultos que se apresentam como cristãos. Portanto, as palavras de Tiago aplicam-se a nós com muito mais intensidade. Para ele, essas provações não são para lamentar, ao contrário, são motivo de toda alegria, pois darão prosseguimento a uma ação que, quando completa, fará dos que as enfrentam perfeitos e íntegros, em nada deficientes, tornando-os aptos a receber a coroa da vida. Essa ação começou com o anúncio do Evangelho, que despertou a fé. Agora é a provação que, agindo com a fé, produz perseverança, a qual os fará subsistir até a aprovação final.
Entretanto, para prosseguir, é necessária a sabedoria. Muitos confundem sabedoria com saber, conhecimento, esperteza, técnica, inteligência e coisas do gênero. Então, para não cair em cilada também nesse aspecto, é bom darmos uma olhada no que a bíblia diz sobre ela. Para começar, no secundo capítulo do livro de Provérbios, lemos que Deus reserva a verdadeira sabedoria para os retos, ocultando-a, segundo Jesus Cristo, dos sábios e instruídos e revelando-a aos pequeninos; vai no mesmo sentido sua resposta aos fariseus no capítulo sete do evangelho de João: Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina. Essa sabedoria cuja única fonte é o próprio Deus, que a dispensa apenas e a todos lhe apraz, serve especificamente para entender justiça, juízo e equidade, ainda de acordo com a passagem de Provérbios acima referida, sendo totalmente inútil e, por isso, negada àqueles que a buscam com o intuito de se sobrepor aos seus semelhantes, pela admiração ou pelo poder.

Assim, Tiago estimula seus leitores a pedir sabedoria a Deus, lembrando mais uma vez que a fé é indispensável para serem bem sucedidos. Para prevenir qualquer mal-entendido, menciona três fraquezas que denunciam sua inexistência e são a negação da perseverança: o que duvida pode desistir do pedido antes mesmo de ser atendido; ânimo doble é próprio de quem oscila entre dois comportamentos opostos; inconstantes são aqueles cujo desejo muda constantemente.

Hoje, a importância da fé parece ser muito exaltada, só que nem sempre no sentido bíblico. Nestes primeiros versículos de sua epístola, Tiago adverte para as manifestações da verdadeira  fé e suas indispensáveis evidências: a perseverança e a sabedoria, no sentido bíblico, evidentemente.


Referências bíblicas:
Tiago 1.1-8; Provérbios 2.1-10; Mateus 11.25; Lucas 10,21; João 7.17;.



Jó I


Observaste o meu servo Jó ?
(Job 1.1-2.10)

Os estudiosos classificam Jó como um livro poético e de sabedoria. Não se trata de um livro histórico. Crentes simples e sinceros, entretanto, têm dificuldade em imaginar que Jó não tenha existido de verdade, como um homem de carne e osso. Mas o importante é que, ficção ou não, ele faz parte das escrituras e em nenhum outro lugar delas os temas abordados são tratados com tanta profundidade, o que torna obrigatória sua leitura. É bastante longo, mas deve ser lido na íntegra, sob pena de entendê-lo mal. Para cada lição sugerimos a leitura de uma parte que aprofunda de alguma maneira o tema da mesma, de modo que se complete até o fim do estudo. As versões modernas não tendenciosas da bíblia trazem geralmente uma breve introdução ao livro, que ajuda na sua compreensão.
Os breves comentários que faremos nesta e nas próximas lições servirão apenas como guia muito limitado, principalmente para alertar a respeito de ensinos importantes que passam geralmente desapercebidos devido ao nosso mau hábito de ler o livro sagrado aos pedaços.
A parte que vai até o décimo versículo do segundo capítulo e foi escrita em prosa por um autor e em época diferentes do restante, como uma espécie de introdução. É a mais problemática e deve ser relativizada à luz da mensagem bíblica como um todo, e submetida à autoridade dos evangelhos. É o único texto sagrado que se atreve a descrever com tanta intimidade uma reunião de Deus com sua corte, com os filhos de Deus, expressão que tem vários significados e que, neste contexto, se refere a seres celestiais, não humanos, criados para servir a Deus. É comum encontrá-los reunidos com Javé e, no meio deles, Satanás, nome que significa o opositor, o acusador, uma espécie de polícia civil e promotor público, ao mesmo tempo, encarregado de reunir provas e formalizar uma acusação visando a condenação do suspeito. Sendo criaturas, os filhos de Deus também estão sujeitos a erros.
Numa dessas reuniões, Deus manifestou sua satisfação com Jó; segundo ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Para Satanás, não havia mérito algum nisso, uma vez que seus bens se haviam multiplicado na terra. O que não deixa de ser estranho porque, para Jesus, ao contrário, as riquezas mais servem para afastar do que para aproximar de Deus. Este então desafiou o acusador, primeiramente, a tocá-lo em todas suas posses e, posteriormente, também nos seus ossos e na carne.
Assim, empobrecido e cheio de tumores, passou Jó a levar uma vida desgraçada, literalmente sem graça e sem a graça. Acudiram seus amigos para consolá-lo, os quais, diante da situação, num primeiro momento, simplesmente se calaram e, depois, passaram a proferir longos discursos para tentar entender a situação e ajudar o sofredor, que respondia, sempre discordando deles. Foram longas reflexões sobre a prosperidade e o sofrimento, concluídas pela intervenção do próprio Deus.
A maneira como nosso protagonista se porta diante da adversidade muito nos ensina sobre a verdadeira natureza da fé de um sofredor. Seu comportamento quando próspero, descrito em seus discursos de defesa, esclarece sobre o que significa ser íntegro, reto, temente a Deus e que se desvia do mal e, ao mesmo tempo, próspero, num mundo onde reina a opressão e a miséria.

Referências bíblicas:
Gênesis 6.1-4;  Zacarias 3.1-2.




Sabes os mandamentos? IV

Lembra-te do dia de sábado, para o santificar.
 (Êxodo 20.8 cf  Deuteronômio 5.12) 

Passa lá em casa!
Texto do rev. Paulo Schütz
Marisa e Raimundo encontram-se pelo menos uma vez por semana, como costuma acontecer com todos os namorados. Nesses encontros, eles usufruem da companhia do outro, relembram os momentos vividos juntos, sonham e fazem planos para o futuro.
Em diversas ocasiões, a bíblia se refere aos crentes como noivas a espera de Cristo, para as bodas. Enquanto esperam, encontram-se com ele, pelo menos aos domingos, também pelo simples prazer de estarem juntos, para recordar o passado e preparar-se para viver juntos para sempre.
Tudo começou quando Deus, tendo criado o homem no sexto dia e assim concluído sua obra, reservou o sétimo para descansar, o santificou e procurou o homem pela viração do dia, mas este fugiu dele. O criador iniciou então um longo trabalho para restaurar a forma original do homem tal como havia criado, à sua imagem e semelhança. No deserto, ele pode enfim revelar seu nome e marcar um novo encontro, para o sábado.
Nesse dia, o homem descansaria como Deus, recordando que havia sido criado à sua imagem e semelhança. E, como Deus, ele seria benevolente e faria descansar, como ele próprio, seu filho, sua filha, seu servo, sua serva, seu animal e o forasteiro, pois se lembraria também dos bons e dos maus momentos que passara como servo e forasteiro nas terras do Egito.
Esse relacionamento prosseguiu por muitos séculos, bastante conturbado, a semelhança da maioria dos namoros, até que o verbo, que era Deus, se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e estará conosco até a consumação dos séculos. Então, o sábado, o descanso após a obra de criação, foi superado; agora guardamos o domingo, o primeiro dia de uma nova semana, o início de uma nova criação.

Leia também  Sabes os mandamentos I - Sabes os mandamentos? II - Sabes os mandamentos III
Referências bíblicas:
Êxodo 20.8-11; Deuteronômio 5.12-15; Gênesis 1.26-27; 2.1-3; 4.8-10;
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Sabes os mandamentos? III

Ele usou meu nome!
Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.  (Êxodo 20.7; Deuteronômio 5.11)  

Texto do rev. Paulo Schütz. 
 Alô...!
 Alô! Vocês me mandaram a fatura de uma compra que eu não fiz!
 Deixa ver...! Mas a mercadoria foi retirada por seu filho!
Já entendi! Foi uma compra particular dele. Usou o nome da empresa para obter o crédito. Mas, não se preocupem, eu acerto as contas com ele!
Desde a primeira vez que viajei de avião, eu sou identificado nas passagens como SCHÜTZ, Paulo. Mas, na certidão de nascimento consta Paulo Pena Schütz. Em português, dizemos que nosso nome é o primeiro, o segundo é o sobrenome. Mas, em outras línguas, nome é o último, aquele que já nascemos com ele, que recebemos de nosso pai, o primeiro é designado como prénom, em francês, christian name, em inglês e apellido, em espanhol, por exemplo. O nome que herdamos é tão importante que a maneira de identificar os passageiros nos bilhetes aéreos passou a ser adotada em todos documentos internacionais, ele é o principal, o que aparece em primeiro lugar.
Esse nome nós levamos durante toda a vida e, mesmo após nossa morte, é ele que nos identifica. Nós não o escolhemos, apenas herdamos de quem nos gerou, ou recebemos de quem nos adotou. À semelhança de nossos pais terrestres, o Deus que nos criou também nos adotou como filhos, tornando-se nosso Pai celestial, nos deu seu nome e um mandamento a respeito.
A versão em português deste mandamento dificulta seu entendimento devido a problemas de tradução. Em primeiro lugar, o nome de Deus é algumas vezes substituído pela palavra SENHOR; embora edições mais recentes prefiram conservar o nome como está no original hebraico, apenas adaptando ao nosso alfabeto, o que se aproxima a Javé, Iavé ou 'Iahweh. Em segundo lugar, os verbos carregar, portar ou levar correspondem melhor ao sentido do língua original do que tomar. O mandamento deve então ser lido assim:
“Não levarás o nome de Javé teu Deus em vão, porque Javé não terá por inocente quem levar o seu nome em vão.”
O povo de Israel recebeu o nome de Javé quando este o adotou, ao libertá-lo da escravidão no Egito, após uma longa preparação para que aquele se tornasse capaz de carregá-lo. De acordo com as próprias palavras a Moisés, ela começou com Abraão, passando por Isaque e Jacó. E não terminou por aí, mas prosseguiu até que nós estivéssemos preparados para ser batizados “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, ou apenas “em nome de Jesus Cristo”, e carregarmos o nome de cristãos.
Mas, afinal, que significa levar o nome de Deus em vão? Talvez a explicação mais sucinta e mais clara tenha saído da boca do próprio Jesus:
“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.”  Mas, “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta” , simples assim.

Referências bíblicas:
Êxodo 3.13-15; João 15.2, 16.

Leia também Sabes os mandamentos? I e Sabes os mandamentos? II
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Sabes os mandamentos? II

Não parece com o retrato!

Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.  (Êxodo 20.4; Deuteronômio 5.8)

Texto do rev. Paulo Schütz.

 Mas você não se parece com a foto! - comentou Luísa.
 Mais feio ou mais bonito?
 Muito mais bonito! Mais alegre! Mais simpático!
 Mas não é para você ficar convencido, não – interveio Marisa – a foto que ela viu estava realmente muito ruim.
 Mas que foto é essa?
 Uma que eu amassei quando brigamos. Sorte que mamãe não me deixou jogar fora, e era a única que eu tinha quando voltamos às boas. Tentei recuperá-la; mesmo assim, estava muito ruim quando Luísa a viu.
Marisa geralmente cuidava muito bem das fotos de Raimundo, como se fossem o próprio, pois o amava e elas, além de evocarem a própria presença do namorado, a fazia lembrar dos bons momentos vividos juntos e a visualizar ainda mais para o futuro. Uma delas lhe serviu para extravasar um sentimento pouco afetivo que se apossou dela num determinado momento, de modo que, quando Luísa a viu, ela revelava muito mais esse probleminha que houve entre os dois namorados do que a verdadeira aparência da pessoa fotografada.
Em geral, os seguidores das diversas religiões também gostam de possuir uma imagem do objeto de sua fé. Pois ela evoca a presença do retratado e tudo o que ele representa em suas vidas. Ela lhes permite também demonstrar de forma mais concreta seu apreço por ele, de modo que a tratam como gostariam de tratar o original. Pode do mesmo modo ser útil para mostrar a quem que deseja conhecer quem adoram.
O povo da bíblia também sentiu num determinado momento a necessidade de uma representação mais palpável de seu Deus e acabou confeccionando um bezerro de ouro, com o qual o verdadeiro não se identificou nenhum pouco e o proibiu de fazer qualquer imagem ou semelhança, seja lá do que fosse. Mais tarde, o povo ficou sabendo que o próprio Deus havia já nos primórdios criado algo à sua imagem e semelhança, e nós temos inclusive aprendido desde criancinha que se trata do próprio ser humano, nosso próximo, o menor deles, e que o criador não se importa e até nos incentiva a tratar essa criatura como se fosse ele próprio.
Entretanto, quando observamos aqueles com quem cruzamos todo dia, inclusive nós mesmos, temos muita dificuldade em reconhecer neles a representação daquele em quem depositamos nossa fé. Talvez porque os homens são sempre cheios de vontade própria e o Deus que imaginamos equivocadamente seria muito mais submisso, sempre disposto a empregar seus poderes para realizar o que desejamos na hora que queremos. Mas o sentimento que predomina é que eles estão num estado que lembram muito pouco aquele que foram criados para representar e que, no mínimo, necessitam de uma boa restauração.
Se, então, observarmos os mais pequeninos, os destituídos de poder, os preferidos do Pai, verificamos que poucas semelhanças restam com o original, pois, do modo como os temos tratado, seu estado reflete, antes de tudo, quão estremecidas estão nossas relações com ele.
  
Referências bíblicas:
Gênesis 1.26-27; Êxodo 20.4; 32.1-10; Deuteronômio 5.8; Mateus 25.40, 45.

Leia também Sabes os mandamentos? I
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Sabes os mandamentos? I

Alguém muito especial!

Não terás outros deuses diante de mim. Êxodo 20.3; Deuteronômio 5.7
Segunda unidade de estudos de Muito prazer, Bíblia
Texto do rev. Paulo Schütz.

Vou te apresentar alguém muito especial! - anunciou Marisa, enquanto puxava sua amiga pelo braço.
 Raimundo, Luísa! Luísa, Raimundo!
 Você é realmente muito bonita!
Para você, ela não tem nada que ser bonita. O importante é que ela vai ser uma boa funcionária.
Muito bem! Só que não vamos tratar disso agora! Amanhã você passa na empresa e acertamos os detalhes de seu contrato.
Marisa e Luísa são grandes amigas. Trocam confidências, ajudam-se mutuamente, a tal ponto que a primeira indicou a outra para trabalhar com seu namorado. Mas não há compromisso formal de parte a parte; o que as mantêm unidas é a satisfação da própria amizade.
Com Raimundo ela vai ter um compromisso mais sério, pois vão formalizar um contrato estabelecendo direitos e deveres de parte a parte, embora, fora do estabelecido, eles continuarão livres para se relacionarem com quem quiserem.
Já o relacionamento que Marisa pretende ter com Raimundo será bem diferente: permanente, exclusivo, incluirá todos os setores de suas vidas e as consequências de um provável rompimento poderão ser muito traumáticas.
Dizemos então que Marisa tem uma amiga, Luísa. Tem um namorado e terá um marido, Raimundo. Este tem uma nova amiga e terá uma funcionária, Luísa. Esta tem uma amiga, Marisa, um amigo e terá um patrão, Raimundo. Em todos esses casos o verbo ter possui diferentes significados e em todos eles implica em algum compromisso de parte a parte.
E o que significa ter  vários deuses, um deus ou o Deus, e em que compromissos implica?  O povo da bíblia passou a ter seu Deus não porque o escolheu dentre outros, ou junto com outros, mas porque este o elegeu dentre os povos e o libertou da escravidão no Egito e, por isso, ainda no deserto, o proibiu de ter qualquer outro deus diante dele, muito menos em seu lugar.
Mais tarde, antes de entrar na terra prometida, Josué conclamou o povo a servir ao Deus que o libertara e nominou os que deveriam ser abandonados como consequência: “os deuses a quem serviram vossos pais”, os “dos amorreus” e “os deuses estranhos que há entre vós”. Mas verificamos que estes continuaram fazendo parte da vida do povo e outros surgiram, como “carros e cavalos”, que representa o poderio militar; no tempo de Jeremias eram “segundo o número de tuas cidades” e, entre eles, uma tal “rainha dos céus”. Mateus acrescenta as riquezas neste rol.
Em cada caso o verbo ter assume significado próprio, como servir, temer, obedecer, confiar, gloriar-se nele, trazer as marcas, ouvir, amar, devotar-se; também levantar altar, queimar incenso e oferecer libações para.
Com certeza, essas listas não são conclusivas, mas dão uma ideia da profundidade e do dinamismo do verbo ter quando aplicado ao Deus vivo. Com pouco esforço, podemos  identificar muitos outros que surgiram desde os tempos bíblicos até hoje com características semelhantes às dos falsos deuses nelas relacionados, os quais vieram engrossar o exército dos que nos assediam e encantam nos dias atuais.

No nosso caso, também não somos nós que escolhemos nosso Deus, nós o temos porque não há outro além dele, foi ele que decidiu nos criar, cuidar de nós e nos libertar em Jesus Cristo. Qualquer outro ou outros que assumirmos não poderá ocupar seu lugar, pois ele continuará sendo nosso criador, nos cuidando e libertando. Os outros estarão sempre diante dele, não passando de meras criaturas suas ou, pior, criação nossa, deuses falsos e impotentes.

Referências bíblicas:
Josué 24.14-28; Salmo 20.6-9; Jeremias 11.1-14; 44.15-23; Mateus 6.14; Gálatas 6.11-17.

Muito prazer, Bíblia inicia uma nova etapa. Depois dos três estudos introdutórios com o título geral de "Muito prazer, Bíblia!", agora postamos o primeiro estudo dos Dez mandamentos, intitulado "Sabes os Mandamentos?




Muito prazer, Bíblia! III


Texto do rev. Paulo Schütz.

FALAM DE MIM 
No capítulo cinco de seu evangelho, João registra uma palavra curiosa de Jesus aos judeus: Vocês examinam as escrituras porque julgam ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que falam de mim, mas não querem vir a mim para ter vida. (Jo 5.39-40)

Vida é outra identidade com que Jesus se apresenta, bem como o caminho, a verdade e outras semelhantes, além da videira verdadeira, cujos galhos são seus discípulos que vêm a ele conduzidos pelas escrituras.

Mas a própria bíblia registra a afirmação de Jesus de que nem todos que a examinam vêm a ele e obtêm a vida, também não ouvem sua voz, não têm sua palavra permanente neles, nem creem naquele que o enviou. Paulo atribui essa limitação, no caso dos filhos de Israel, ao fato de ainda permanecerem com seus sentidos embotados. Isso pode também ocorrer porque essas coisas Deus preferiu revelar aos pequeninos e ocultar aos sábios e instruídos, de acordo com o testemunho do próprio mestre.

O episódio relatado no capítulo sétimo do evangelho de João é bastante esclarecedor a respeito de tais coisas. Jesus ensinava no templo e logo os judeus se maravilharam pelo tanto que sabia sem ter estudado. E ele revelou algo muito importante: Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, conhecerá a respeito da doutrina. A predisposição sincera em colocar em prática o ensino bíblico é a chave que habilita a compreendê-lo, muito mais que qualquer instrução ou estudo.

Prova disso é que, na sequência, enquanto muitos da multidão creram em Jesus, os estudiosos da escritura procuravam prendê-lo. Até os guardas enviados por eles, que voltaram sem o prisioneiro, diziam: Jamais alguém falou como este homem. E Nicodemos, aquele que havia procurado Jesus à noite, que também era fariseu, contestou: Acaso nossa lei julga um homem sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele fez?

Com certeza, a parcela da multidão não identificada que creu era composta pelos pequeninos a quem Deus se agradara em revelar sua doutrina. Os guardas que, como em todos os tempos e lugares, servem às autoridades sem fazer parte delas, identificaram-se mais com a multidão e os humildes do que com seus chefes. Os principais sacerdotes e fariseus eram os próprios sábios e instruídos, que buscavam glória para si, aos quais Deus decidira ocultar os seus mistérios. Nicodemos aparece nesse episódio como alguém que olha para Jesus com os olhos dos humildes, acatando o conselho que o mestre dera em outras ocasiões: para os grandes tornarem-se como um de seus pequeninos, a fim de entrarem no reino dos céus.

O conhecimento dos sábios e instruídos, que se alcança através de muito estudo e experiência, também procede de Deus e proporciona muitos benefícios aos homens, e serve igualmente para prosperar nos negócios, na política e para ser admirado pelos homens, mas não conduz à vida verdadeira. Esta só se alcança através da sabedoria que a Bíblia fornece, que Deus dispensa gratuitamente aos humilhados e aos que se tornam humildes, aos que têm prazer na sua lei e nela meditam de dia e de noite.

Referências bíblicas:
João 5.37-47; 7.14-31; 15.1-3; Mateus 11.25; 2ª Coríntios 3.3-14;

Muito prazer, Bíblia! II

Assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam sem que primeiro reguem a terra, a fecundem e a façam brotar para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. Isaías 55

Texto do rev. Paulo Schütz.

FRUTOS DO PRAZER
Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra. - Foi a ordem que Deus deu ao homem e à mulher assim que os criou. E eles cumprem esse desígnio somente quando desfrutam do ato mais prazeroso que a relação entre ambos pode proporcionar, apenas porque assim determinou o criador. De igual modo, somente o prazer da convivência diuturna com a lei do Senhor pode gerar frutos no tempo certo, também pelo simples fato de que ele assim o designou.

O ato que resulta na geração dos filhos é tão prazeroso que, na grande maioria das vezes, o casal o pratica sem nem pensar nas consequências, e seria mesmo desastroso se uma nova criatura fosse gerada cada vez que isso acontecesse. Algumas vezes o resultado aparentemente óbvio não acontece, mas o ato nem por isso deixa de ser praticado, pois o próprio prazer o justifica.

Podemos então afirmar que o simples prazer que ela proporciona é suficiente para justificar a meditação na palavra, pois os frutos virão no devido tempo como uma decorrência necessária. As outras formas adequadas de usar a Escritura que Paulo revela no capítulo terceiro de sua segunda epístola a Timóteo, para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, perseguem propósito idêntico: habilitar o homem de Deus para toda boa obra, para produzir frutos.

O Antigo Testamento descreve muitas ocasiões onde prosperou a palavra de Deus, desde a própria criação do mundo através dela, passando pela história dos primeiros homens e multiplicando-se na vida de Israel. Mas nenhuma delas se compara ao desígnio para conduzir a Cristo, como informa Paulo aos Gálatas no capítulo três de sua epístola, e como bem entendeu Filipe, que anunciou Jesus ao etíope começando por uma passagem do profeta Isaías.

O evangelho de João começa declarando que Jesus é a encarnação da própria palavra que estava com Deus no princípio, através da qual todas as coisas foram criadas. Então se preocupou também em registrar no capítulo 15 as palavras em que ele se apresenta como a própria videira verdadeira onde devem estar vinculados, como discípulos, os ramos, para produzirem frutos. Sua palavra é bem categórica, não há nele lugar para ramos improdutivos, os quais ele corta. Por outro lado, os que produzem, porque estão nele também apenas pelo prazer que lhes proporciona, são limpos pela própria palavra, para que produzam ainda mais.
Referências bíblicas:
Gênesis 1.28; Salmo 1.3; 2ª Timóteo 3.16-17; Gálatas 3.24; Atos 8.35; João 1.1-14; 15.1-3.

Muito prazer, Bíblia! I


Feliz é aquele cujo prazer está antes na lei do Senhor, e nela medita de dia e de noite. É como uma árvore plantada junto a corrente de águas, que dá o seu fruto no devido tempo e cuja folhagem não murcha. Tudo quanto faz será bem sucedido. (Salmo 1)

Texto do rev. Paulo Schütz.

Prof. Genival, essa é sua nova aluna! - Apresentou Marisa.

Muito prazer! Genival!

O prazer é todo meu. Eu me chamo Luísa.

Você não conhecia o professor Genival? - admirou-se Marisa, pois sabia que Luísa era fã do professor: lera todos os seus livros, assistia suas conferências sempre que podia; num congresso, chegara até a almoçar na mesma mesa e estar num mesmo grupo de visita.
Sim!?  - Luísa também ficou confusa - Mas não pessoalmente! Nunca tínhamos sido apresentados! - e, voltando-se para ele, teve oportunidade de dizer o quanto o admirava e ansiava por conhecê-lo em pessoa.

Ele, por sua vez, declarou que lembrava dela, que conhecia seus pais, e perguntou por eles.
Uma pessoa pode conhecer outra de vista, de ouvir falar, por seus feitos, pode até ter estado com ela, conversado com ela mais de uma vez, mas nenhum momento é tão especial quanto aquele em que têm a oportunidade de declarar e demonstrar pessoalmente uma a outra o prazer de se conhecerem. Mas a verdadeira intensidade desse prazer vai se evidenciar nos encontros que se seguirão. Eles podem até nem acontecer, ou serem apenas formais, em função das circunstâncias, mas, quando o prazer é real, elas não ficam esperando pelo acaso, mas se empenham em aproveitar e até mesmo em criar as oportunidades.

A repetição desses contatos proporciona o aprofundamento do conhecimento mútuo, fazendo o desejo em estarem juntas crescer cada vez mais, de modo que os encontros se tornam mais frequentes e prolongados, e o prazer inicial, cada vez mais intenso, resultando daí as grandes amizades e os grandes amores.

A propósito, você conhece a Bíblia? Sem dúvida, você já ouviu falar muito dela, já a viu muitíssimas vezes e talvez tenha andado com ela por aí. Com certeza, chegou mesmo a ler algumas de suas passagens. Mas simplesmente ler a bíblia não é o mesmo que meditar na lei do senhor, o que seria obviamente maçante ficar fazendo dia e noite sem parar e, na época do salmista, muito poucas pessoas poderiam fazer isso, pois os exemplares que existiam no mundo eram muito poucos e só alguns privilegiados tinham acesso a eles. Elas literalmente decoravam as passagens que eram lidas exaustivamente no templo e nas festas e ficavam dia e noite pensando em como incorporá-las no seu viver, meditando.

De fato, hoje em dia se lê muito a bíblia, mesmo os que não são cristãos, pois ela está em toda parte, praticamente em todas as casas, nos quartos de hotéis e hospitais, salas de espera, escrita nas paredes, em panos de prato, nos carros, etc., etc. Assim, muitos a leem até involuntariamente, outros o fazem por motivos variados; a maioria, por obrigação; outros, para preparar um sermão, uma palestra, um estudo, para fundamentar uma doutrina, ideia ou prática. Há muitos que a usam até como flechas cheias de veneno lançadas contra os adeptos de outras religiões e mesmo contra irmãos com os quais discordam em algum ponto.

Nem sempre o prazer acompanha mesmo os motivos mais louváveis. Assim, deixe-nos apresentá-la pessoalmente. Você terá a oportunidade de ouvir ela própria dizer quem ela é. Ficará também surpreso quando ela declarar o que sabe a respeito de você, e encantado ao descobrir o quanto ela o estima. Então, sentirá de fato muito prazer em conhecê-la, a ponto de desejar nela meditar dia e noite. O prazer crescerá à medida que esse relacionamento se tornar mais intenso, e os frutos aparecerão naturalmente, no devido tempo.

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