Muito prazer, Bíblia! I


Feliz é aquele cujo prazer está antes na lei do Senhor, e nela medita de dia e de noite. É como uma árvore plantada junto a corrente de águas, que dá o seu fruto no devido tempo e cuja folhagem não murcha. Tudo quanto faz será bem sucedido. (Salmo 1)

Prof. Genival, essa é sua nova aluna! - Apresentou Marisa.
Muito prazer! Genival!
O prazer é todo meu. Eu me chamo Luísa.
Você não conhecia o professor Genival? - admirou-se Marisa, pois sabia que Luísa era fã do professor: lera todos os seus livros, assistia suas conferências sempre que podia; num congresso, chegara até a almoçar na mesma mesa e estar num mesmo grupo de visita.
Sim!?  - Luísa também ficou confusa - Mas não pessoalmente! Nunca tínhamos sido apresentados! - e, voltando-se para ele, teve oportunidade de dizer o quanto o admirava e ansiava por conhecê-lo em pessoa.

Ele, por sua vez, declarou que lembrava dela, que conhecia seus pais, e perguntou por eles.
Uma pessoa pode conhecer outra de vista, de ouvir falar, por seus feitos, pode até ter estado com ela, conversado com ela mais de uma vez, mas nenhum momento é tão especial quanto aquele em que têm a oportunidade de declarar e demonstrar pessoalmente uma a outra o prazer de se conhecerem. Mas a verdadeira intensidade desse prazer vai se evidenciar nos encontros que se seguirão. Eles podem até nem acontecer, ou serem apenas formais, em função das circunstâncias, mas, quando o prazer é real, elas não ficam esperando pelo acaso, mas se empenham em aproveitar e até mesmo em criar as oportunidades.

A repetição desses contatos proporciona o aprofundamento do conhecimento mútuo, fazendo o desejo em estarem juntas crescer cada vez mais, de modo que os encontros se tornam mais frequentes e prolongados, e o prazer inicial, cada vez mais intenso, resultando daí as grandes amizades e os grandes amores.

A propósito, você conhece a Bíblia? Sem dúvida, você já ouviu falar muito dela, já a viu muitíssimas vezes e talvez tenha andado com ela por aí. Com certeza, chegou mesmo a ler algumas de suas passagens. Mas simplesmente ler a bíblia não é o mesmo que meditar na lei do senhor, o que seria obviamente maçante ficar fazendo dia e noite sem parar e, na época do salmista, muito poucas pessoas poderiam fazer isso, pois os exemplares que existiam no mundo eram muito poucos e só alguns privilegiados tinham acesso a eles. Elas literalmente decoravam as passagens que eram lidas exaustivamente no templo e nas festas e ficavam dia e noite pensando em como incorporá-las no seu viver, meditando.

De fato, hoje em dia se lê muito a bíblia, mesmo os que não são cristãos, pois ela está em toda parte, praticamente em todas as casas, nos quartos de hotéis e hospitais, salas de espera, escrita nas paredes, em panos de prato, nos carros, etc., etc. Assim, muitos a leem até involuntariamente, outros o fazem por motivos variados; a maioria, por obrigação; outros, para preparar um sermão, uma palestra, um estudo, para fundamentar uma doutrina, ideia ou prática. Há muitos que a usam até como flechas cheias de veneno lançadas contra os adeptos de outras religiões e mesmo contra irmãos com os quais discordam em algum ponto.

Nem sempre o prazer acompanha mesmo os motivos mais louváveis. Assim, deixe-nos apresentá-la pessoalmente. Você terá a oportunidade de ouvir ela própria dizer quem ela é. Ficará também surpreso quando ela declarar o que sabe a respeito de você, e encantado ao descobrir o quanto ela o estima. Então, sentirá de fato muito prazer em conhecê-la, a ponto de desejar nela meditar dia e noite. O prazer crescerá à medida que esse relacionamento se tornar mais intenso, e os frutos aparecerão naturalmente, no devido tempo.

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