A cruz e o machado

São Bonifácio derrubando o carvalho de Thor por Emil Doepler
O cerne da pregação do maior de todos os profetas bíblicos, segundo Jesus, era basicamente este: Arrependei-vos porque o machado já está à raiz da árvore. Aquele que não produzir bons frutos será arrancado e jogado ao fogo. Porém, os ímpios a quem ele ameaçava com sua mensagem não morreram e quem teve a cabeça decepada por um machado foi o próprio Batista. Como poderiam os primeiros cristãos e todos os seguidores do profeta assimilar e administrar tamanho paradoxo? 
Minha é a vingança, disse Paulo citando o antigo texto de Deuteronômio, para nos ensinar que, quando Deus chamou exclusivamente para si esta prerrogativa, estabeleceu o se e o como aplicá-la. Jesus já havia deixado bem claro que Deus não estabeleceria o seu Reino sobre o cadáver dos inimigos ou vingando-se daqueles que praticam a iniquidade.
Não cabe a mim fazer ponderações sobre o plano de Deus, mas não tem como não ver que desta forma tudo fica mais difícil. Sou obrigado a reconhecer que a mensagem apocalíptica de João dá aos sacerdotes um poder de persuasão que pode lhes conferir um relativo sucesso. Seria a hora de nos perguntarmos se não é exatamente por isso que as igrejas estão repletas? Não é deste modo que o evangelismo televisivo está ganhando a cada dia mais canais e mais espaço na mídia?
E é aqui que o evangelho complica todo o ministério cristão. Como dizer para essa gente que, apesar de estar vivo e atuante o mal já foi vencido? Como dizer que foi vencido não por um anjo com uma espada flamejante, mas por um cordeiro que se entregou voluntariamente à morte? Quais são as palavras para dizer que o mal foi vencido, não pelo poder, mas pelo amor?

Leitura: Lucas 3.7-18

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