O que é DISCÍPULO? II

Jesus e Simão Cirineu, autor desconhecido
No Segundo Testamento
Discípulos de Jesus
Afora algumas menções dos discípulos de Moisés, do Batista ou dos fariseus, o Segundo Testamento reserva o nome de discípulo àqueles que reconheceram Jesus por seu Mestre. Assim, nos evangelhos, mencionam-se em primeiro lugar os Doze: Mt 10.2-3 - Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.

Depois, para além desse círculo íntimo, os que seguiam a Jesus Mt 8.21: E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai, e notadamente os setenta e dois que ele enviou em missão. Tais discípulos foram, sem dúvida, numerosos, mas muitos abandonaram: Jo 6.66: À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.

Ninguém pode pretender tornar-se mestre, se ele deve “fazer discípulos", não é por sua própria, os discípulos são somente de Cristo e para Cristo. Assim, pouco a pouco, a partir do capítulo 6 do Livro dos Atos, o simples nome “discípulo” designa todo crente, quer tenha ou não conhecido a Jesus durante sua vida terrena; os fiéis são, portanto, desse ponto de vista, igualados aos próprios Doze: Jo 2.11 - Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

Características
Embora aparentemente seu modo peripatético de ensino fosse igual aos doutores judeus de seu tempo, Jesus tinha para com seus discípulos exigências únicas.

Vocação
O que conta para se tornar seu discípulo não são as aptidões intelectuais nem mesmo morais; e sim um chamamento, que é de iniciativa de Jesus e do Pai, que dá a Jesus os seus discípulos.

Vinculação pessoal a Cristo
Para se tornar discípulo de Jesus não é necessário ser homem superior; com efeito, o relacionamento que liga o discípulo ao mestre não é exclusivamente nem mesmo primariamente de ordem intelectual. Jesus diz: “Segue-me!” Nos Evangelhos o verbo seguir exprime sempre a vinculação à pessoa de Jesus. Seguir Jesus é romper com o passado, com uma ruptura total quando se trata de discípulos privilegiados. Seguir Jesus é calcar sua conduta na dele, ouvir as suas lições e conformar a vida com a do Salvador. Diversamente dos discípulos dos doutores judeus, que, uma vez instruídos na Lei, podiam separar-se do seu mestre e por sua vez ensinar, o discípulo de Jesus se vinculou não a uma doutrina e sim a uma pessoa: não pode deixar aquele que doravante é para ele mais que pai e mãe.

Destino e dignidade
O discípulo de Jesus está, portanto, chamado a partilhar do próprio destino do Mestre: levar sua cruz, beber seu cálice, receber enfim dele o Reino. Por isso, já desde agora, quem quer que lhe dê um simples copo d’água na qualidade de discípulo não perderá sua recompensa, e, por outro lado, a grande culpa a de escandalizar um só desses pequeninos.

Discípulos de Jesus e discípulos de Deus
Se os discípulos de Jesus são de tal maneira distintos dos discípulos dos doutores judeus, é porque através do seu Filho fala aos homens o próprio Deus. Os doutores não transmitiam senão tradições humanas, que às vezes anulavam a Palavra de Deus; Jesus é a Sabedoria divina encarnada, que promete a seus discípulos o repouso das suas almas. Quando Jesus fala, cumpre-se a profecia do Primeiro Testamento: é ao próprio Deus que se ouve, e todos podem assim tornar-se discí­pulos de Deus: Jo 6.45: Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim.

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