Muito prazer, Bíblia! II

Assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam sem que primeiro reguem a terra, a fecundem e a façam brotar para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. Isaías 55

Texto do rev. Paulo Schütz.

FRUTOS DO PRAZER
Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra. - Foi a ordem que Deus deu ao homem e à mulher assim que os criou. E eles cumprem esse desígnio somente quando desfrutam do ato mais prazeroso que a relação entre ambos pode proporcionar, apenas porque assim determinou o criador. De igual modo, somente o prazer da convivência diuturna com a lei do Senhor pode gerar frutos no tempo certo, também pelo simples fato de que ele assim o designou.

O ato que resulta na geração dos filhos é tão prazeroso que, na grande maioria das vezes, o casal o pratica sem nem pensar nas consequências, e seria mesmo desastroso se uma nova criatura fosse gerada cada vez que isso acontecesse. Algumas vezes o resultado aparentemente óbvio não acontece, mas o ato nem por isso deixa de ser praticado, pois o próprio prazer o justifica.

Podemos então afirmar que o simples prazer que ela proporciona é suficiente para justificar a meditação na palavra, pois os frutos virão no devido tempo como uma decorrência necessária. As outras formas adequadas de usar a Escritura que Paulo revela no capítulo terceiro de sua segunda epístola a Timóteo, para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, perseguem propósito idêntico: habilitar o homem de Deus para toda boa obra, para produzir frutos.

O Antigo Testamento descreve muitas ocasiões onde prosperou a palavra de Deus, desde a própria criação do mundo através dela, passando pela história dos primeiros homens e multiplicando-se na vida de Israel. Mas nenhuma delas se compara ao desígnio para conduzir a Cristo, como informa Paulo aos Gálatas no capítulo três de sua epístola, e como bem entendeu Filipe, que anunciou Jesus ao etíope começando por uma passagem do profeta Isaías.

O evangelho de João começa declarando que Jesus é a encarnação da própria palavra que estava com Deus no princípio, através da qual todas as coisas foram criadas. Então se preocupou também em registrar no capítulo 15 as palavras em que ele se apresenta como a própria videira verdadeira onde devem estar vinculados, como discípulos, os ramos, para produzirem frutos. Sua palavra é bem categórica, não há nele lugar para ramos improdutivos, os quais ele corta. Por outro lado, os que produzem, porque estão nele também apenas pelo prazer que lhes proporciona, são limpos pela própria palavra, para que produzam ainda mais.
Referências bíblicas:
Gênesis 1.28; Salmo 1.3; 2ª Timóteo 3.16-17; Gálatas 3.24; Atos 8.35; João 1.1-14; 15.1-3.

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