Jesus ensina a orar II

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca, encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. (Mt 7.7-8)
Crianças da Somália, Allvoices
Texto do rev. Paulo Schütz

P e d i
Em várias passagens dos evangelhos, Jesus nos incentiva a pedir, muito mais do que a buscar ou bater. À primeira vista, parece estranho, porque ele mesmo repete várias vezes que o Pai já sabe do que necessitamos, antes mesmo de pedirmos. Entretanto, lendo com bastante atenção os dois versículos transcritos acima e examinando-os à luz da totalidade do ensino do mestre, tiramos lições valiosas.

Se não aconteceu com você, certamente já ouviu falar de alguém que retirou de sua conta bancária no caixa eletrônico o montante que aparecia como saldo total disponível para saque e só depois de gastar o dinheiro ficou sabendo que parte dele provinha de um tal crédito pré-aprovado pelo qual teve de pagar altas taxas. Mas, com certeza, você mesmo já deve ter recebido pelo correio, telefone, e-mail ou de outra forma, uma mensagem dizendo que fora selecionado para receber grátis algo que de fato gostaria muito de possuir: na primeira vez, você talvez, como muitos, tenha se dado ao trabalho de preencher o longo formulário, para ficar sabendo só no final que ainda dependia de adquirir algo que não lhe interessava nenhum pouco e que só se fosse sorteado receberia o que já tinha sido declarado seu. Em alguns casos, são oferecidos benefícios que nem existem, como carros pela internet ou assessoria jurídica para por a mão num suposto benefício trabalhista atrasado.

Por estas e outras, somos seguidamente advertidos a não aceitar nada que não tenhamos solicitado, pedido. E, quando pedir, conhecer bem o fornecedor. Se, quanto aos benefícios deste mundo, devemos nos cercar de muitos cuidados, quanto mais no caso das bênçãos espirituais. Se vacilarmos, não serão poucos, entre deuses, santos, homens e demônios, os que se apresentarão para receber o pagamento, ou o simples agradecimento, pela graça concedida. Na melhor das hipóteses, vamos pensar que a conseguimos sozinhos.

A primeira coisa que devemos observar nos versículos citados é que a orientação para pedir vem imediatamente antes de buscar, o que leva a concluir que, ao fazê-lo, nos preparamos para a busca. Na verdade, estamos sempre buscando coisas, por necessidade ou por simples prazer, ocasiões em que sempre vamos prevenidos. Em geral, levamos dinheiro, porque tudo tem um preço, a não ser que se trate de algo a que já tenhamos direito, caso em que apresentamos algum documento para prová-lo. Talvez os mais concretos desses direitos sejam os do trabalhador, tais como salário, férias, fundo de garantia, entre outros. Existem os direitos do cidadão, como educação, saúde, segurança e assim por diante. Entretanto, quando buscamos as coisas que procedem de Deus, é importante sabermos que basta pedir, pois elas nos são dadas por graça, não requerem nenhum pagamento e por nenhuma razão são direito nosso.

As pessoas adultas não gostam da sensação de dever a alguém, por isso não se dispõem em geral a buscar aquilo para o que nada fizeram para merecer ou que não tenham condições de pagar. Já os pequeninos não têm esse tipo de escrúpulo e sentem-se à vontade para pedir tudo que desejam a quem pode satisfazê-los. Eis uma das razões pelas quais Jesus nos adverte o nos tornar como eles. De outra forma, nunca tomaríamos posse do que o Pai nos tem preparado desde a criação do mundo. Aqueles que pensam que seus dízimos, louvores e serviços são suficientes para pagar as bênçãos que lhe são concedidas, jamais vislumbraram a mínima parcela da imensurável graça divina.

Quando crianças, nossos pais também nos orientavam a sempre pedirmos o que desejávamos, mas por outra razão: porque não era educado ir se servindo sem permissão, pois nem tudo o que agrada aos de pouca idade é bom para eles. E isso vale também para os adultos, quando se trata de algo do domínio divino. Adão, por exemplo, se serviu do fruto que não tinha permissão para comer e deu no que deu.

Então, seguro de que fala com o fornecedor certo, peça. Mas, lembre-se também: “não useis de vãs repetições”. Isso demonstra falta de fé e não há Santo que aguente.


Referências bíblicas:
Mateus 6.5-8, 25-34; 7-13

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