O que nos ensina o Caçador de Androides

Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras. Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico. 
O caçador de androides, filme de 1982

Texto do rev. Jonas Rezende
Jersy Szachi nos adverte: como historiador, você pode rastrear o destino dos homens e o que eles fizeram; mas, como homem, escolha. Em momentos cruciais de nossa vida, a escolha pode evidenciar essa coragem de ser de que nos fala Paul Tillich, ou a vergonhosa alienação; crescimento ou marcha a ré. E possível alterar o poema de Antonio Machado e dizer que o nosso caminho se faz quando escolhemos.

O presente salmo é um hino de gratidão diante de um Deus que não apenas cria o ser humano, mas também o sustenta. Trata-se de um poema que o povo cantava ao ingressar no templo. Já na sua abertura, há uma convocação para o serviço divino que, muito mais do que a participação mecânica em uma liturgia, é um projeto de vida para o ser humano. O salmista então conclama: sirvam ao Senhor. E possível dizer sim ou não ao apelo do salmista. Como você pode ver, estamos diante de um ato de escolha. E a escolha é uma ação absolutamente livre do ser humano, uma das marcas características da nossa humanidade. No filme O caçador de androides, que se tornou um verdadeiro Cult, os robôs do futuro se humanizam, na proporção em que começam a fazer escolhas. Podemos nos perder em escolhas desastradas, mas é impossível viver sem fazer opções. Mas, veja bem. Nunca um ato de escolha é leviano ou inconsequente. Porque quem escolhe, ao mesmo tempo, também renuncia. Se você está lendo esta página, pelo menos agora deixou de ler outros livros. Eleger uma vocação é excluir as demais. Unir-se pelos laços conjugais a alguém é abrir mão de outras possibilidades. Gandhi morre porque escolhe o pacifismo, Dietrich Bonhoeffer é sacrificado em sua luta contra o nazismo, Martin Luther King tomba na defesa da necessária igualdade de direitos civis entre brancos e negros.

É claro que escolher não é fácil, mas o ato de escolha nos confere uma dimensão especial. Tira-nos do rebanho massificado, na proporção em que as rédeas do destino estão em nossas próprias mãos, e somos os sujeitos da nossa história.

Corremos o risco e pagamos o preço. E assim e assim foi desde sempre. Escolher pode ser sacrificial, mas deixaríamos de ser hu­manos se abríssemos mão do ato de escolha.

Lúcio Flávio Villar Lírio, um delinquente famoso que foi assassinado em 1970, no presídio de Ilha Grande, intuiu melhor do que muitos essa verdade, para registrar:
Numa sociedade de perseguidores e de perseguidos, eu quero, antes, ser perseguido.
Porque o perseguido tem a opção de todos os caminhos.
Mas ao perseguidor só resta ir atrás do perseguido.

Deus respeita a sua escolha, qualquer que seja. Ele respeita o seu não. A porta que você não quer abrir. A vida que não deseja partilhar com ele. Engajar-se, entretanto, no serviço divino é tornar a vida tão bela como a poesia vibrante deste salmo. Porque, como lembra o poema, servimos a Deus com alegria e nos apresentamos diante dele com cânticos.

Experimente.
Experimente a aventura de escolher o bem.

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