Um novo Porto, um novo cais

Amigos do CREI
Não faz muito tempo que o rev. Jonas Rezende postou uma mensagem baseada no Salmo 8, que sob o título de O medo de Reb Suzia, tratava da identidade da pessoa no seu relacionamento com Deus. Em uma surpreendente declaração o rabino Reb Suzia fala da sua: Temo a morte, mas somente pelo confronto que terei com o supremo Juiz. E não me importo de que ele me indague por que não fui como Abraão. Ou Moisés. Ou como os corajosos profetas e Maimônides. Meu grande medo - ele finalmente confessou - é que o Eterno me repreenda: Por que você não foi Reb Suzia?

Alguns de nós poderiam questionar o rabino dizendo que no Cristianismo devemos nos guiar sempre pelos bons exemplos, e que o grau de perfeição da fé, que por nós é reconhecido como santidade, é sempre um padrão mais elevado. Pois bem, nunca na vida eu me vi na pele do apóstolo Paulo como nos dias de hoje. Recém-chegado para morar em uma cidade, que para mim é estranha; sem perspectiva de encontrar uma igreja para congregar; trazendo comigo os desafios que o evangelho me impõe; e cheio de dúvidas de como conciliar tudo isso.

Ainda não havia dito em público, mas faz uma semana que me mudei, de mala e cuia, como dizem os mineiros, do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro, para Porto Seguro, na Bahia, de onde pretendo iniciar um novo ministério. A ideia inicial é de fazer um trabalho bastante parecido com o que a Igreja Cristã de Ipanema realiza através do CREI, ou Centro de Recuperação Infantil, mas não necessariamente com crianças. Esses detalhes serão as circunstâncias que ditarão.

Mas eu queria falar um pouco da experiência do cristão em ter que ter uma identidade própria, conciliada com a necessidade de ser imitador de Cristo. Já comentei uma vez sobre a questão pessoal que tenho contra o famoso livro de Charles Sheldon, Em seus passos que faria Jesus? Minha resposta foi e continua sendo: Não sei, porque eu não sou Jesus. Por esse motivo vejo uma diferença muito grande entre ser e imitar, posto que a imitação está bem mais dentro dos limites da minha capacidade do que o compromisso da exatidão do ser.

Porém, a minha situação atual de mudança exige que eu pergunte: Em meus passos que faria o apóstolo Paulo. Pelo que me consta, mais do que ninguém foi ele quem mais passou pela experiência de chegar a uma cidade estranha, com a obrigação da pregação do evangelho na mochila, a necessidade de prover a sua subsistência, sem um lugar para se estabelecer, e sem um indício qualquer de como começar.

A minha esperança com as igrejas é que na maioria delas existe uma parcela de inconformados com a maquiagem que estão dando ao evangelho. Sei que nelas existe um grupo bom de cristão que não dobraram os seus joelhos diante das novidades impostas pelos novos apóstolos, missionários, bispos, levitas e ministros de louvor. Sei bem que existe um bom número daqueles que se revoltam com a ordem de se virar para a pessoa desconhecida que está ao seu lado e dizer-lhe o quanto a ama; de bater palmas para Jesus; de repetir algo imbecil que um imbecil imagina ser fundamental para o bom testemunho da fé.

Essa minha manifestação leva junto da preocupação um desabafo, pois as minhas condições no Rio não eram assim tão favoráveis, e essa foi uma alternativa que me pareceu bem viável. O que eu peço aos meus insistentes leitores são orações em meu favor. Principalmente para que eu não tome decisões baseadas na lógica, na facilidade ou na boa vontade. Mas que sejam decisões fundamentadas nas revelações que o evangelho tem para esse simpaticíssimo povo daqui. Que seja uma oração baseada na oração de São Francisco de Assis: onde houver trevas, que eu leve a luz.

Obrigado a você que teve a consideração e a paciência de ler até o final.

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