Pró-vérberos II

Força desproporcional 
Não fique contente quando o seu inimigo cair na desgraça. O Senhor Deus vai saber que você ficou contente com isso e não vai gostar. E ele poderá parar de castigar esse inimigo. Provérbios 24.17

Uma máxima que se tornou comum no meio do povo evangélico é essa: Deus é por Israel. Não se trata apenas da expressão de um ponto de vista ou de uma pretensa exposição lógica, mas estas palavras se investiram com a força de um versículo bíblico que tendem a anular qualquer proposição em contrário, principalmente quando a frase inteira é proferida: Todos nós sabemos que Deus é por Israel.
Quero dizer de antemão que tenho conhecimento de que pelo menos dois indivíduos estão fora desse “todos”: Deus e eu. Não querendo me deter nas minhas razões, passo a descrever os motivos pelos quais penso que Deus também se inclui fora desta proposta.
Em primeiro lugar porque a Bíblia é enfática em afirmar que Deus está sempre ao lado do órfão, do estrangeiro e da viúva, as três personificações mais fiéis da máxima carência. Ou seja, Deus está sempre ao lado do aflito, do injustiçado e do indigente. Dessa mesma forma, podemos pensar que ele está sempre contra o opressor, contra o injusto e contra o que aflige. Na questão Palestina esses lados são facilmente identificados. Não há porque se ter dúvidas quanto ao partido de Deus nesse confronto.
Em segundo lugar, reporto-me ao nosso texto base, pois ele fala explicitamente do quanto Deus abomina o regozijo de alguém pelo infortúnio de outrem: Deus não vai gostar nada disso. Aqui se apresenta a parcela maior de ignorância e culpa da igreja cristã dos nossos dias: pensar que Deus, e não a força de um demoníaco poder econômico, está por trás dessa perversidade social imposta aos palestinos.
Isso é idolatria do mais alto grau. Isso sim é fazer de Deus um ídolo cego, surdo e mudo, que não vê a clarividência da injustiça, não manifesta qualquer ai ante a opressão e não ouve os clamores de um povo que está à beira do próprio genocídio.
Encerro com a mesma ideia que teve o brilhante rei Salomão ao escrever este provérbio: Esse tipo de atitude é que faz Deus transferir a sua bênção e passar a agir em favor do inimigo, e, como fez em todo o Primeiro Testamento, lutar por ele. no lugar dele.

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