Pró-vérberos I

Açoite ao escravo fugitivo, autor não identificado
Se o seu inimigo estiver com fome, dê comida a ele; se estiver com sede, dê água. Porque assim você o fará queimar de remorso e vergonha, e o Senhor Deus recompensará você. Provérbios 25.21-22


O Dicionário Genealógico Latino-Português traduz a expressão verber eris vérberos  por açoite com vara verde, e é açoitado desse mesmo jeito que me sinto quando leio alguns dos provérbios que foram creditados ao rei Salomão.
Porém, no caso específico dos versículos supracitados, eu me sinto açoitado duplamente, porque, além da contundência das palavras bíblicas, me vem também à lembrança as tantas vezes que queimei de remorso e de vergonha por ter recebido uma boa ação de uma pessoa que eu julgava ser, talvez não inimiga, mas um oponente de respeito.
Algumas traduções dizem assim: Porque assim lhe amontoarás brasas sobre a cabeça. Alguém aí quer passar por situação mais inquietante do que receber um bem imerecido de uma pessoa da qual se tem pouca ou nenhuma estima?
É esse a paradoxo do evangelho. Não pela finalidade precípua de acumular brasas vivas sobre a cabeça de quem quer que seja, mas para fazer o oponente, pelo menos, parar para refletir sobre essa avassaladoramente incomum atitude.
Enquanto você pensa nisso, durante todas as manhãs eu continuo tomando os meus açoites com as varas mais verdes que só a Bíblia é capaz de produzir.

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