Eu, tu, ele. III

Samaritanos na sinagoga de Nablus, www. trajinandoporelmundo.com
Também perdemos amigos e machucamos pessoas quando lhes recusamos o perdão. Quando alguém erra, quando alguém faz algo muito ruim ou quando ofende, esse alguém fica condenado ao ostracismo eterno. Não fazemos isso só com indivíduos, mas também com parcelas expressivas da sociedade. Eles se diferenciam de nós economicamente, socialmente, religiosamente. Esta é a versão moderna da heresia antiga do que encontramos no final do versículo em João 4.9: os judeus não se dão com os samaritanos. 
Outra forma de estragar as relações acontece quando alguma coisa nos atinge e por causa disso nos tornamos antissociais. É tão comum entre nós. Simplesmente renunciamos, abandonamos o fardo, vamos embora. Acontece também na igreja, e ouso dizer que acontece mais na igreja. Chegamos do ponto de trocarmos de igreja cada vez que ficamos sentidos. Para nós é mais fácil trocar de igreja do que crescer. Então, como podemos crescer? Como mudamos para o mundo democrático da criança? Como fazemos para mudar para um mundo de relações humanas positivas? Como fazemos para não sermos mais dirigidos pelos outros por medo ou por conveniência? Para um mundo em que com o caráter de justiça que o evangelho nos dá nós ficamos sendo dirigidos por nós mesmos. Vamos ver algumas sugestões. 
Comunicação é a primeira. Quando duas nações se desentendem os seus embaixadores são retirados e as relações se rompem. Isso acontece também na família. Quando maridos e mulheres se confrontam, imediatamente deixam de falar um com o outro. Na minha infância na igreja conheci um sujeito que era simplesmente fantástico na comunicação com os presidiários. Ele ia todo domingo ao presídio e os presos apreciavam muito a sua pregação do evangelho. Acontece que esse mesmo homem há mais de dez anos não falava com a sua esposa que morava na mesma casa que ele. Talvez o pior meio de se recusar a comunicação seja esse: não falar mais. O dramaturgo Bernard Shaw percebeu bem isso quando disse: O pior pecado contra nosso semelhante não é o de odiá-lo, mas de ser indiferente para com ele. Essa é a essência da desumanidade. 
Jesus, mais uma vez no sermão do monte, foi ainda mais incisivo: Portanto, se você estiver oferecendo no altar a sua oferta a Deus e lembrar que o seu irmão tem alguma queixa contra você, deixe a sua oferta ali, na frente do altar, e vá logo fazer as pazes com o seu irmão. Depois volte e ofereça a sua oferta a Deus (Mateus 5.23-24). 
Comunicação é fundamental em qualquer nível de relação, principalmente nas relações humanas. (continua)

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