Eu, tu, ele. II

Fariseu e o publicano, autor não identificado
O outro jogo é o jogo do prontinho. É bem parecido com o do Bode Expiatório.É a prática de se mostrar perfeito. É como aquele que diz: eu não sou nada convencido, de fato eu nem sei como sou tão bom assim. Jesus nos mostrou esse tipo de pessoa. Aquele que quer tirar do olho do outro um cisco, enquanto no seu próprio olho ele tem um pedaço enorme de madeira. O jogo de ser perfeito, o jogo de aconselhar todo mundo, de ajudar todo mundo porque eu sou superior, sei todas as coisas e tenho todas as respostas. O jogo do homem que nasceu pronto, acabado e tão perfeito que não precisa de mais nada. Tenho tanta confiança em mim que não tento ver como realmente sou. 
Jesus mostrou também aquele homem que no templo de Jerusalém orava desse jeito: Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho (Lucas 18.11-12). Ele praticamente está dizendo: Ó Deus, vai me abençoando enquanto eu ajusto aqui a minha auréola.
Confessem os seus pecados uns aos outros (Tiago 5.16). Confessem os seus pecados uns aos outros, esse é o antídoto contra o jogo do prontinho. É esse jogo que normalmente destrói as boas relações, pois todo mundo detesta ser um rótulo. Eu não gosto quando me chamam de revoltado. Eu sei que sou, mas eu não gosto. Ninguém gosta de ser identificado por uma característica, ainda que essa lhe seja verdadeira. Nós não entendemos o quanto é prejudicial rotular as pessoas. Talvez eu não reaja a ponto de lhe dar um tapa porque você me chamou de revoltado, mas creia que esteve perto disso. 
O problema do rótulo é que ele é usado para descrever a pessoa como se ela fosse só isso. Nós costumamos dizer que uma pessoa é neurótica por uma única atitude, mas será que ela é realmente neurótica? Será que ela é o tempo todo neurótica? Ele é só isso? E no que ele é diferente de mim? Pode ser que ele me mostre o seu lado neurótico porque me ache também neurótico. Ele é também um chefe de família, um trabalhador, um cristão. Pode ser que seja também altruísta, generoso, fiel e amoroso. Mas tendo sobre si o rótulo de neurótico, nada disso vale. Ele é neurótico e ponto final. 
Nós usamos os rótulos como artifício para ver as pessoas inferiorizadas em relação a nós mesmos. É tão fácil classificar as pessoas em categorias para depois então rotulá-las. Jesus, no sermão do monte, atacou essa índole com a veemência necessária: E quem chamar o seu irmão de idiota estará em perigo de ir para o fogo do inferno (Mateus 5.22). (continua)

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