Um santo entre nós

Saul antes de Samuel, Benjamin West
Deus não é um homem para mentir e nem filho de homem para se arrepender. Números 23.19

A grande ocupação de Deus em se mostrar diferentes dos ídolos pagãos parece que não tem surtido efeito nos dias de hoje. No panteon dos deuses antigos exaltavam-se aqueles que, inversamente ao Deus de Israel, mostravam-se mais parecido com os homens. Mas Deus, quando se revela a Abraão, toma de imediato medidas que fariam toda diferença no seu relacionamento com os humanos: ele se apresenta sem imagem, sem efígie ou símbolo, não exige que se construa templos em seu nome. Por outro lado, mostra o quanto é importante o relacionamento de Abraão para com o seu próximo.
O texto base do hoje, apesar de aparecer em um dos primeiros livros da Bíblia, é fruto de um pensamento teológico bem recente, e veio justamente para combater, através do esclarecimento, muitas citações que encontramos na Bíblia. Citações estas que concluem que Deus possa ter mentido, errado em seu julgamento ou se arrependido. Ou seja, um antropomorfismo de Deus declarado na sua própria Palavra.
O hebraico possui duas palavras que foram para português igualmente traduzidas por arrependimento: LÊNAHÊM e LASHÚV. LASHÚV está relacionada à palavra grega RAMATIA, ao pé da letra traduzida por errar o alvo. Muito mais do que um simples ato de arrependimento, LASHÚV diz respeito à degradação moral, a atitudes fora de propósito, ao total fracasso nas intenções. Quando o homem chega ao LASHÚV não lhe resta qualquer dignidade, é o que Jesus quis nos ensinar quando contou a parábola do filho pródigo, mais especificamente na hora em que ele cai em si.
Porém, o termo LÊNAHÊM é geralmente utilizado quando quer se fazer referência à ação de Deus, e está diretamente relacionado à palavra grega METÁNOIA, que por sua vez significa mudança de pensamento ou de mente. No seu original quer dizer que a situação pesou no coração de Deus, e o LÊNAHÊM fez com que ele se inclinasse favoravelmente à causa humana, abdicando assim dos seus direitos que constavam na aliança previamente firmada. Quando o texto usa o LÊNAHÊM não está nem de longe querendo dizer que Deus fez um juízo prévio errado do qual veio mais tarde a se arrepender. Quer dizer sim que Deus, na sua Onipotência, se permite perdoar e se esquecer das tolices e delinquências que nós, seres humanos, estamos sempre repetindo.
Caso persista alguma dúvida quanto ao assunto, recomendo que se medite profundamente sobre a mensagem proferida pelo profeta Oséas: Porque eu sou Deus e não homem. O santo no meio de vós. Os 11.9.

Leitura: Números 23.13-26

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