A Benção Aarônica II

A bênção de Aarão, Ivan Kramskoi
O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; o Senhor levante sobre ti o seu rosto, e te dê a paz. Números 6.24-26

As pessoas perguntam por que rebuscar um texto tão antigo quando há na Bíblia citações bem mais atuais. Se este questionamento viesse a ser válido, ele se encaixaria com muito mais propriedade ao nosso texto base. Uma recente descoberta arqueológica no Vale do Hinnon, em Jerusalém, revelou não somente a sua autenticidade, mas também o quanto ele é antigo. Uma versão reduzida desta bênção gravada em plaquetas de prata, que data do século VII aC, vem a ser o texto bíblico mais antigo até então encontrado.

Se não for oportuno pela sua antiguidade, o será pela beleza e contextualidade. É o que nos revela o segundo par de bênçãos contido nessa oração que fala do rosto de Deus e da sua misericórdia: o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti. 

Levantar o rosto sobre uma pessoa denota o grau de importância que a pessoa olhada tem para quem se detém para olhá-la. É um pedido para que o Senhor preste atenção, mas uma atenção cuidadosa, e não a atenção de quem investiga em busca os erros e defeitos. Este mesmo verbo é usado quando Deus designa Adão como cuidador do Jardim do Éden. Adão é comissionado por Deus para guardar e proteger. Um vigia sempre alerta em cima de uma alto muro para prevenir os perigos que se aproximam, tanto interna, como externamente.

Para o hebreu antigo tudo isso se resumia em apenas uma coisa: que Deus apenas mantivesse a sua aliança, porque as promessas e bênçãos nela contidas são, por si só, tudo que o ser humano pode necessitar e almejar. Esse é mais um dado que justifica a simplicidade de suas palavras.

Mas quando o orante invoca também a misericórdia, parece que a sua oração tenta invadir desautorizadamente os domínios mais íntimos do coração de Deus. Este é realmente um pedido que está além da conta, porque é uma invocação para que o coração de Deus se alinhe com o nosso, e que a partir desse alinhamento sinta o que nós sentimos e pense da maneira que nós pensamos.

O caminho sobremodo excelente, no dizer de Paulo, que se configura neste pedido está no fato de que é o próprio Deus quem nos incita a orar dessa maneira, dando a impressão de que Deus quer mesmo ser incomodado. Jesus mais tarde vai confirmar a estranheza desta oração por meio de parábolas, como a da viúva e o juiz iníquo, como também através da sua significativa quadrinha de Lucas 11.9-10:
Por isso eu digo: peçam e vocês receberão;
procurem e vocês acharão;
batam, e a porta será aberta para vocês.
Porque todos aqueles que pedem recebem;
aqueles que procuram acham;
e a porta será aberta para quem bate. (continua)

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