Frios ou quentes?

Obama indeciso, David Bromley
Eu sei o que vocês têm feito. Sei que não são nem frios nem quentes. Como gostaria que fossem uma coisa ou outra! Mas, porque são apenas mornos, nem frios nem quentes, vou logo vomitá-los da minha boca. Apocalipse 3.15-16

Estes versículos do Apocalipse tem nos causado grande apreensão desde sempre. Ninguém entre nós quer ficar nesta lacuna. Ninguém quer ser morno, e o texto diz que não é para sermos mornos mesmo. Sabemos que temos que nos dar por inteiros à causa do evangelho. Não serve 50, nem 70 e nem 90 por cento, tem que ser 100 por cento. Mas na vida real, nós temos vivido mesmo é na faixa dos 50 ou 60 por cento.

A história da humanidade nos mostra que temos que lutar mais contra aquilo que é variável do que com que é absoluto. Todo cristão concordaria que o amor de Deus é absoluto. O julgamento de Deus também o é. O julgamento existe, ele é uma palavra que vem de Deus, mas não é a sua última palavra. Karl Barth, um teólogo do século XX, dizia que o fato de termos que pregar sobre a ira de Deus, ao mesmo tempo que pregamos sobre o amor de Deus, não significa que devemos coloca-los no mesmo nível. Devemos pregar sempre o triunfo de amor de Deus sobre a sua ira, pois ele é sempre maior do que o nosso pecado. O amor de Deus é o absoluto da vida. O problema é descobrir como este amor age em nossa vida. Como é que o Congresso Nacional pode praticar esse amor absoluto? Como pode a presidente, o governador e o prefeito podem praticar esse amor?

Quando nós avaliamos os nossos relacionamentos além do que chamamos de pessoal, pensamos que o amor cristão, esse amor que devemos praticar com os outros, tem que se mostrar como justiça. Outro grande teólogo do século passado falou o seguinte: no mundo de sistemas como o nosso o discípulo verdadeiro pode repartir o seu amor para com o próximo sendo justo com ele simplesmente. Ele continua sendo amado, é claro, mas enquanto ele é ativo no mundo, o seu amor o compele a ser justo. No mundo de sistemas ele tem que trocar o seu amor pela moeda da justiça, desde que esta é a única moeda corrente neste mundo. A maioria das pessoas não encontra um absoluto desde que saiam de casa pela manhã e voltem à noite.  

Então cabe a pergunta: o que seria um absoluto na vida? O que seria um absoluto na sua vida cotidiana? Por exemplo: que absoluto você usaria para determinar o preço da passagem de ônibus na sua cidade? Você queria um absoluto de amor e justiça para determinar isso? Um preço alto favoreceria os donos das empresas e o lucro seria demasiado. Um preço baixo demais favoreceria os passageiros e a empresa iria a falência. Por isso qualquer resposta seria relativamente certa, mas ainda assim uma resposta é indispensável, temos que determinar algum valor para a passagem de ônibus.

A política tem sido descrita como a arte do possível. A política vive de um compromisso com um grupo, com o ajuste. O crédito de um grupo é o débito de outro grupo. O alvo da justiça é balancear os níveis. A política realmente boia nas correntes enganadoras de circulam, que espumam e que enrolam nos mares do certo e do errado. Por isso é como cristãos temos evitado a atividade política. Nós achamos que este campo não nos pertence. Nós estamos no campo do absoluto, então, não nos sentimos bem quando temos que estabelecer um compromisso para chegar a uma situação relativa. Nós estamos amarrados com os nossos absolutos. Nós cremos que o amor é a resposta certa e imediata em todo problema em qualquer circunstância. Como membros do corpo de Cristo a maioria de nós temos fugido de toda atividade política, com algumas raras exceções. Nós achamos que a política é uma coisa desagradável e até lamentável. Nós nos limitamos em criticar e afastar os homens públicos que tomam decisões erradas e agem equivocadamente. É tão fácil censurar e todo mundo faz, por isso é que é tão difícil oferecer conselhos construtivos.





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