Onde a lógica não prevalece

Então, Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo. Naamã, porém, muito se indignou e se foi, dizendo: Pensava eu que ele sairia a ter comigo, pôr-se-ia de pé, invocaria o nome do SENHOR, seu Deus, moveria a mão sobre o lugar da lepra e restauraria o leproso. Não são, porventura, Abana e Farfar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não poderia eu lavar-me neles e ficar limpo? E voltou-se e se foi com indignação. II Reis 5.10-12
Eliseu e Naamã, Lambert Jacobsz
 Os que contestam a Bíblia possuem argumentos cada vez mais irrefutáveis, sejam eles baseados nos avançados experimentos científicos ou no mais preciso raciocínio lógico. Loucos são aqueles que tentam, através de parcos conhecimentos bíblicos, confrontá-los. Não faz muito tempo, eu vi no Facebook uma ilustração em que uma mulher visivelmente transtornada dizia: Fui debater com um ateu. Ele usou fatos, dados científicos, História, Arqueologia, lógica, razão e até a própria Bíblia contra mim. Isso não é justo!!!

Nem precisaríamos desta ponderação para concluir que Naamã estava com absoluta razão: Os dois rios de Damasco são melhores que todos os rios de Israel? É lógico que são. Porém, o são apenas dentro da lógica humana, mas inteiramente fora do modo em que o Deus da Bíblia leva a cabo o seu plano de salvação para a humanidade, pois se assim fosse, ele não seria novidade a ponto de ser chamado de evangelho, como também não passaria de mais um plano, dentre os inúmeros que já foram apresentados ao longo da nossa breve história.

O episódio da cura de Naamã descrito em II Rs 5 está recheado de pontos em que a ação de Deus desafia a lógica humana. Temos um general vencedor de batalhas sendo derrotado por uma doença, até então, incurável. Temos adolescente escrava que, apesar do desterro e da separação dos seus pais, mostra compaixão para com aquele que é o seu algoz. Temos um rei vassalo que se aterroriza ante a exigência absurda do seu dominador. Temos um profeta que de forma alguma quis se envolver com os problemas políticos causados pela questão. Temos um Naamã indignado com o descaso com que foi tratado pelo profeta. Ou seja, temos elementos mais que suficientes para antecipar as palavras que os meus conterrâneos diriam diante de uma situação parecida com esta: não vai "rolar"!

 E não rolaria mesmo, caso os seus auxiliares diretos do general não estivessem possuídos da inspiração que os fez enxergar além da lógica: Então, se chegaram a ele os seus oficiais e lhe disseram: Meu pai, se te houvesse dito o profeta alguma coisa difícil, acaso, não a farias? Quanto mais, já que apenas te disse: Lava-te e ficarás limpo.

Passa pela cabeça de alguém que os oficiais do exército sírio não estariam de posse de fatos, dados científicos, História, Arqueologia, lógica e razão que corroborariam plena e abundantemente com a indignação mostrada pelo seu general? Pois é aqui, no terreno do realmente inusitado da fé que a lógica humana não tem como funcionar. Quando todos os experimentos, toda a teoria, todos dados científicos e todo o raciocínio lógico falham, prevalece a inspiração daquele que tem a capacidade de enxergar o que os olhos da razão jamais verão: a compaixão de um Deus que quer contra todas as expectativas visíveis, salvar aquele a quem dotou de atributos para questionar até mesmo o seu criador.

Foi dentro dessa não-lógica Wolfgang Simson concluiu: Os “desbalanceados” são aqueles que foram chamados por Deus para fazerem o ridículo, o inacreditável; são os que quebram regras, pioneiros espirituais inventando novos caminhos e quebrando barreiras para provocarem mudanças no mundo. Já os que são seguros, normais, balanceados, classe média espiritual, procuraram sempre manter as coisas como estão.

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