O coração de Deus

Triunfo de Davi, Nicolas Pousin
E, tendo tirado a este, levantou-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade. Atos 13.22

Não foram poucas as vezes em que eu coloquei o rei Davi entre os maiores salafrários da Bíblia. Porém, ultimamente tenho compreendido melhor algumas situações em que ele esteve envolvido e que me fizeram entender mais um pouco as atitudes que tomou esse queridíssimo personagem bíblico, a quem não cansamos de homenagear dando aos nossos filhos o seu nome. Eu mesmo tenho um neto chamado Davi.

Alguns dos fatores que mais justificaram a mudança parcial do meu julgamento vieram justamente das pessoas que o cercavam, menos pelas companhias escolhidas por ele do que pelas que cruzaram aleatoriamente o seu caminho. Poderia citar rapidamente Saul e Absalão como bons exemplos, mas prefiro ficar com o amaldiçoador particular do rei: Semei, filho de Gera, parente do rei deposto, Saul. Um tipo impertinente e recalcitrante que não lhe dava trégua: O qual ia proferindo maldições enquanto andava. Atirava pedras contra o rei Davi e contra todos os seus servos.

Esse guerrilheiro urbano não se escondia na multidão para lançar injúrias contra o rei, mas se apresentava publicamente com discursos de baixíssimo calão: Vai-te, vai-te embora, homem sanguinário e celerado. O Senhor faz cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, cujo trono usurpaste. Como entender que um homem de comportamento agressivo como Davi suportava alguém assim em seus calcanhares? Como entender que ele não fizesse o que qualquer rei faria? Assim como motivos, conselhos lhe não faltaram: Por que insulta esse cão morto ao rei, meu senhor? Deixa-me passar, vou cortar-lhe a cabeça. 

É justamente na resposta de Davi que o conceito de homem segundo o coração de Deus fala mais alto: Vede: se meu filho, fruto de minhas entranhas, conspira contra a minha vida, quanto mais agora esse benjaminita? Deixai-o amaldiçoar, se o Senhor lho ordenou.

Para entender esse paradoxo de Davi vamos recorrer ao pensamento de um homem que era o próprio coração de Deus, quando este se encontrou em uma situação bem mais complexa e de risco muito maior do que uma simples pedrada. Ele nos ensinou de modo simples e direto que devemos conviver com as críticas, sejam elas verdadeiras ou não. Mais do que isso, nos ensinou a perdoar essa ofensa quando declarou que até as ofensas e blasfêmias dirigidas contra Deus seriam perdoadas.

O pequeno coração de Davi nos ajuda a entender um pouco o grande coração de Deus principalmente quanto à injúria maior que lhe foi proferida: a horrenda cruz que seu Filho teve que suportar por nossa causa e por nossa decisão.

Entender e mudar alguns conceitos sobre Davi custou-me alguma reflexão. Entender e aceitar o amor gratuito e incondicional do incomensurável coração de Deus talvez me custe a vida inteira.

Ps. Textos bíblicos retirados dos capítulos 15 e 16 de II Samuel. 

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