O que é o culto a Deus?

O ensinamento verdadeiro e que deve ser crido e aceito de todo o coração é este: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. Mas foi por esse mesmo motivo que Deus teve misericórdia de mim, para que Cristo Jesus pudesse mostrar toda a sua paciência comigo. E isso ficará como exemplo para todos os que, no futuro, vão crer nele e receber a vida eterna. I Timóteo 1,15s
O culto dos primeiros cristãos, William Hole
Uma das sensações mais comuns que nos assalta quando saímos de um culto é a impressão de que algo ficou faltando. Não pretendo aqui ser portavoz daqueles que costumeiramente reclamam de tudo, desde a escolha dos hinos, à falta de inspiração da mensagem, passando, inclusive pela escassez ou pelo excesso de orações. Esses serão os eternamente inconformados. Quero me referir àquele sentimento pessoal e intransferível que diz respeito apenas à nossa participação no culto, ao nosso compromisso de cultuarmos o Deus que nos escolheu para o seu serviço.

É preciso registrar em primeiro lugar que este sentimento passa obrigatoriamente pela concepção do que entendemos ser um culto cristão, mas confessando que a proposta não é a de irmos fundo no conceito do que realmente deveria ser o culto. Para isso, J. J. Von Allmen escreveu uma densa obra de quatrocentas páginas abordando eficazmente esse tema. Exatamente por isso, os convido a divagarmos nos conceitos primários e mais imediatos do culto, para dali extrairmos uma resposta minimanete aceitável.

Em primeiro lugar precisamos entender que o culto é um dos meios pelos quais Deus nos comunica a sua graça. Em uma linguagem mais clara, é o lugar em que Deus fala com o seu povo. Mais do que mostrar hiperatividade, exibir a piedade, demonstrar misericórdia ou mesmo prestar adoração, o culto é a oportunidade de nos aquietarmos diante de Deus. Aquele que nos conhece por inteiro não se iludirá com este tipo de exibição.

É preciso estar quieto para entender a missão que Deus tem confiado à igreja. Deus fala preferencialmente no silêncio de uma oração, na frase de um hino, nas entrelinhas da mensagem, e nada disso pode ser percebido em meio a muita agitação. Lembrem-se que Elias ouviu a voz de Deus na brisa suave, e não no terremoto.

Do silêncio vem também o som do abismo que nos separa de Deus. Quando nos depararmos com a presença de Deus no culto, evidencia-se o nosso pecado. Na oração comunitária, mesmo na que é feita em silêncio, buscamos o seu perdão restaurador, sem o qual o culto perde todo o sentido.

Logo em seguida, surge algo que responde em parte a nossa insatisfação. O culto não é realizado para agradar quem quer que seja. Um professor de Homilética repetia sempre: Culto não é para satisfação e sim para conversão. Isso significa que parte da nossa insatisfação vem desta necessidade de renovação de mente, de mudança de vida, de crescimento na fé.

A consciência do nossa exata condição. Nem a igreja nem os seus membros são o objeto do amor de Deus, o mundo sim. Esse é um grande mistério, e o culto é a melhor chance que temos de ponderarmos sobre esse mistério. Por esse motivo é que a nossa adoração nunca pode ser contemplativa. O amor a Deus pode ser uma reação devastadora, mas ela só se torna real quando no próximo este amor se materializa.

O culto não é uma competição de talentos e nem uma avaliação de intenções. Lembremo-nos do publicano que, para o nosso total espanto, saiu justificado, enquanto o fariseu se perdia na exaltação de si mesmo.

Por fim, o culto é uma resposta. Uma resposta positiva ao desafio de Deus que nos conclama a saltar no escuro, mergulhar de cabeça, a se entregar de corpo e alma.

Isso tudo se resume no simples esquema traçado por Paulo na sua carta a Timóteo. No real, Cristo veio para salvar o pecador. Mostrando a ele um tipo de misericórdia que não se esgotava nele e nem se satisfazia com a sua plena conversão. O pecador resgatado, por sua vez, iria se unir a uma assembleia de culto, para que através desses o objetivo fosse alcançado: a salvação do mundo.


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