A terra distante I

Diversões do filho pródigo, Palma il Giovane (1548-1628)
Leia Lucas 15. 25-32

Meditação baseada em sermão do rev. Garrison.

O drama se intensifica. Os ouvintes de Jesus, assim como nós, não podiam se identificar com o filho perdido. Na segurança da sua lei eles nunca tinham se sentido perdidos, então não havia como. Porém, a história do filho mais velho não deixa brecha para fuga, ela os pega de jeito. Ele é a responsabilidade personificada, e a vida é séria assim, há muito trabalho a ser feito. Enquanto o mais novo estava lá naquela terra distante esbanjando tudo que tinha tirado do pai, o mais velho estava tomando conta da fazenda. Na divisão, ele como primogênito, recebera dois terços de tudo. Então estava cuidando do que era seu, antes de ser um exemplo vivo de fidelidade. Tudo era dele, talvez fosse por isso que trabalhasse tanto.


Mas assim como seu irmão, ele se esqueceu de tudo tinha sido dado por seu pai para ser usado com gratidão. Por isso é que ele é parecido conosco, parecido até demais. Nele nós somos forçados a ver mais de nós mesmos do que estamos preparados para ver.

Vejam o rosto dele. As linhas de orgulho, as linhas de julgamento e as de autossuficiência tem sido marcadas em nossos rostos, como no dele. O nosso semblante é sério porque a vida não é brincadeira. Nos assustamos quando olhamos no espelho e não vemos a alegria, porque se somos como ele, não há graça alguma em nossas vidas. Então vamos ver de perto a vida desse filho. Quem não se identifica com aquele rapaz? Ele foi tão correto e tão cuidadoso exatamente como nós somos, por isso gastamos tempo refletindo sobre a vida. Quem não ficaria indignado com aquela festa? Gastar mais dinheiro com quem já gastou tanto? Por que só ele estava trabalhando enquanto todo mundo dançava? Só porque o vagabundo voltou? É aí que o pai corre de novo, agora corre atrás do filho mais velho. O amor que antes correra para abraçar, agora corre para suplicar. Ele tinha que contagiar também o coração desse filho.

Ele tinha todas as razões para não ir àquela festa. Ele justificou tudo que fez e porque fez, mostrando o seu desejo íntimo e recolhido pela terra distante. Ele citou de cor delitos do seu irmão que não se encontram no texto. Como ele sabia que o irmão gastara o dinheiro com mulheres perdidas? De onde veio essa ideia, se ele nunca tinha ido lá? Não seria a fantasia do seu próprio pecado? Sua recusa brusca nos fala muito sobre ele. Ele gostaria de fazer o que o irmão fez, mas tinha que manter a sua aparência insuspeita, por isso vamos investigar essa tal aparência.

Primeiramente ele possuía uma retidão própria. Ele imaginou que o pai iria amá-lo na medida do seu serviço a ele. Por causa disso ele não tinha arriscado absolutamente nada. Ele estava determinado a ser sem pecado, a ser irrepreensível, ele queria ser amado por ser perfeito. Eu não me lembro de ter sido diferente. Assim como ele, eu sempre quis fazer o que era certo para Deus me amar. Como eu tenho desperdiçado tanto assim o amor gratuito de Deus?




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