Jesus e a Mulher II

Jesus chorou, James Tissot em 1886
Leiam João 4:5-27 e Isaías 61:1-3, 8-11
Sermão de Elisa Gusmão pelo Dia Internacional da Mulher de 2013.
Muitos cristãos extraíram suas ideias patriarcais dos ensinamentos religiosos do Antigo Testamento ou das epístolas paulinas, sem perceber que o que eles estão tomando como ensinamentos eternos não são mais do que elementos passageiros de contexto, época e cultura. Apesar dos esforços de alguns pregadores em dizer que este ensinamento era positivo - que as mulheres eram assim segregadas porque estavam trazendo algo que havia estado em contato com o sagrado de volta à vida diária - a verdade é que durante séculos a sexualidade feminina foi usada pela igreja como argumento contra a ordenação de mulheres, e agora contra as mulheres no bispado.

Ao longo da minha vida cristã ouvi comentários de pessoas que acreditavam que maternidade e Ministério são incompatíveis, ao ponto de dizer que a figura de uma mulher grávida no púlpito era imprópria, inaceitável. Mas nós temos mulheres grávidas em praticamente todas as profissões, inclusive locutoras de TV; por que então não no púlpito? A prova de que esses ensinamentos são transitórios é que um a um, eles caducaram. Estas instruções foram dadas para orientar as jovens Igrejas, e para proteger as mulheres das consequências e críticas a modos de comportamento que, naquela época, eram inaceitáveis.
A tentativa de justificar a exclusão de mulheres do clero, desta vez com o argumento de que os discípulos de Jesus eram todos homens. Pode-se dizer que nós não sabemos as identidades dos 72 apóstolos enviados dois a dois, à frente de Jesus (Lucas: 10, 1-24), ou, ainda, do grupo grande de seguidores que o acompanhavam por toda parte: E todos os seus conhecidos, e as mulheres que juntamente o haviam seguido desde a Galileia, estavam de longe vendo estas coisas.

As palavras que eu repeti não se referem simplesmente ao acompanhamento geográfico de Jesus à medida que ele se deslocava, mas a segui-lo como discípulas: E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens.

Foi o que elas ouviram de Jesus na Galileia que ajudou as mulheres a compreenderem os eventos da manhã de Páscoa. Parece mesmo que mulheres que estiveram presentes em muitos eventos foram subsequentemente excluídas, quer seja quando tais eventos foram escritos, ou copiados. E podemos facilmente adivinhar que isso aconteceu devido ao contexto cultural na época em que foi feita tal redação ou cópia.

Voltando ao que estávamos dizendo sobre elementos transitórios; são, no entanto, os princípios eternos que devem nos guiar, e estes são muito claros nas ações e ministério de Jesus. É preciso ser cego para não percebê-los e ver que, como parte de sua missão, Jesus estava quebrando todas as barreiras entre os seres humanos - inclusive aquelas entre os sexos. Mesmo se buscarmos nos escritos de Paulo princípios sobre o lugar da mulher na igreja, vamos descobrir que ele não via diferenças espirituais entre os sexos: "Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus."(Gal. 3:28)

Em um século no qual uma senhora chamada Angela Merkell praticamente governa a Europa, quando mulheres soldados são destacadas para o Afeganistão, e quando muitas mulheres executivas seguem carreiras como “high flyers", enquanto seus cônjuges desempenham tranquilos as funções caseiras - essa discussão pode parecer um desperdício de tempo. Será? As mulheres parecem mais envolvidas em todas as áreas da sociedade; são muitas vezes até mais agressivas do que no passado. Talvez essa agressão seja sua forma desesperada de competir – quando o sucesso ainda é reservado para os homens.
A imagem de Deus: Pai ou Mãe?

E, finalmente, as nossas ideias sobre as mulheres, afetam nossa imagem de Deus: enquanto o Feminismo Socialista preocupava-se com direitos econômicos, o Feminismo Liberal com direitos políticos e o Feminismo Radical com direitos sexuais (queima de sutiãs), às vezes parece que as pessoas religiosas envolvidas no Feminismo estão basicamente preocupadas em definir sexo de Deus. Desta forma, pensam elas, será simples reescrever nossos hinos, recriar nossa liturgia, ou decidir quem pode ser ordenado...
Sermão de Elisa Gusmão pelo Dia Internacional da Mulher de 2013.
Leiam João 4:5-27 e Isaías 61:1-3, 8-11

Na Bíblia, podemos facilmente encontrar imagens de Deus como ambos os progenitores, pai e mãe. Entre os textos mais conhecidos estão estes, de infinita ternura: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?"

Obviamente a imagem de um progenitor é a melhor que existe em nossa experiência humana para descrever Deus. Não é de admirar que Jesus tenha escolhido dirigir-se a Deus como Abba. É preciso estarmos conscientes, entretanto, de ambas as imagens - pai ou mãe – são imagens humanas. Deus é espírito, além da compreensão humana, e qualquer imagem que usarmos para descrevê-lo deixará sempre a desejar.

Para satisfazermos a sede que temos de Deus, nós o vemos com os olhos da mente e o sentimos com o coração. Os índios americanos já se dirigiam a Ele como o Grande Espírito, A teóloga Mary Daly criou a palavra Be-ing – que lembra o Yahweh hebraico.  Feministas estão aparecendo com novos nomes a cada dia. Contanto que esses nomes reflitam nossa ideia da grandeza de Deus, por que não usá-los?

Quando falamos de "feminista" pensamos em mulheres agressivas, como a americana Betty Friedam, ou irônicas, como a francesa Simone de Beauvoir, ou as feministas dos nossos dias. Às vezes é difícil para nós, como cristãos, adotarmos qualquer tendência de pensamento secular. Mas temos que ter conhecimento sobre as ideias e dar apoio aos movimentos que ecoam os ensinamentos de Jesus. Com respeito ao lugar das mulheres, ainda há muito por fazer.  Porque ele realmente deu início a uma revolução para libertar os oprimidos - e as mulheres estavam entre eles. Sob muitas formas, eles ainda estão.

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