John Wesley I

Casa de John Wesley  em Londres
Texto baseado em sermão do rev. Garrison.

A consciência do homem moderno tem sido mudada radicalmente. O povo de hoje não tem mais a consciência dos velhos tempos. Os tabus, convenções e os sistemas de controle moral já eram, até já era, já era eu sei disso. A ligação entre a ansiedade psicológica e a culpa religiosa já não existe mais. A influência moral da igreja de Jesus Cristo sobre a sociedade contemporânea já não funciona. Nós vivemos em dias bem diferentes do passado distante. Mas isso não quer dizer que a pessoa moderna não vive ansiosa, pelo contrário, parece que esta geração vive mais ansiosa do
que qualquer outra antes dela. Mas é raro hoje em dia achar alguém que se sinta culpado. É muito raro encontrar alguém que sinta o julgamento de Deus sobre o seu pecado. O descontentamento, o dissabor, o desamor dos revoltados de hoje é subitamente desabafado contra os outros.

São os outros os errados, não são? Claro! São sempre os outros os culpados. O governo. Como o governo é culpado. Conversando com um economista sobre as decisões do governo sobre a nossa economia, ele disse o seguinte: Quando o governo diz insistentemente para você fazer alguma coisa, como coloque o seu dinheiro na poupança, como coloque o seu dinheiro na poupança, como coloque o seu dinheiro na poupança. A última coisa que você deve fazer é colocar o seu dinheiro na poupança. E os políticos? Que vergonha. E os impostos? Pagamos uma infinidade de tipos e não recebemos nada em troca. A culpa do nosso o sistema econômico não funcionar há pouco tempo era dos comunistas, agora é dos chineses. O mundo todo está errado. O mundo todo é culpado. Nós já sabemos quem são os vilões da história. Esse é o jeito de pensar do povo hoje em dia. Isso é o farisaísmo popular dos nossos tempos. Damos graças a Deus porque nós cristãos evangélicos não somos como eles, não é?

O arrependimento é coisa difícil para muita gente, sabemos disso, mas o arrependimento se torna impossível para os que acham que estão certos, para aqueles possuídos de retidão própria. Estamos nos afogando em um dilúvio de retidão própria, em todos os lugares, de todas as formas e em todos os pensamentos. E isso diretamente a igreja. O jeito de pregar o evangelho hoje não é nada parecido como o de duzentos e cinquenta anos. O mundo simplesmente mudou, e o jeito do povo ouvir a mensagem do evangelho também é diferente. Tudo isso afeta a maneira de comunicar o evangelho ao mundo atual. Afeta a maneira como a igreja, que outrora dependia das consciências dominadas pela culpa, vive o evangelho. Então como a igreja pode chamar a atenção dos descontentes deste século?

O evangelho é a boa notícia de Deus para as más notícias do mundo em qualquer época. O sucesso da pregação do evangelho depende de como ele é entendido, de como ele é interpretado. Depende do jeito como ele é aplicado à vida. Mas dentro da própria comunidade cristã existe muita divergência e confusão sobre isso. Por causa disso eu gostaria de me voltar para outra época, para tentar achar algum discernimento ou alguma perspectiva. Gostaria de voltar aos anos de 1750. Pediria licença a vocês para voltar ao tempo de John Wesley. Gostaria de rever de onde ele tirou a força que o fez levar tão longe e com tanta aceitação o movimento que Deus origem à Igreja Metodista.

Uma das ironias interessantes da história é que John Wesley tivesse morrido antes de completar trinta e seis anos, ninguém hoje se lembraria dele. Seu nome não teria não teria merecido qualquer nota ao pé da página da história da igreja cristã. Sua experiência missionária na Geórgia tinha sido um fiasco. Sua carreira de professor também fracassara fragorosamente. Ele era conhecido pelos seus alunos como “o meio doido”. Esteve à frente de uma sociedade religiosa em na Universidade de Oxford, de outra na Geórgia, e de uma terceira em Londres, sem qualquer resultado expressivo. Ele criticava abertamente as injustiças da sociedade do seu tempo, mas ele tinha poucos instintos para a política e nenhuma base de poder. Era o típico pregador da igreja Anglicana, era ortodoxo, era zeloso com as suas doutrinas, era autoritário, era plenamente convicto da sua retidão. E tudo isso não lhe conferiu nada para mostrar em seus trinta e seis anos de empenho escrupuloso.

Mesmo assim, uma década mais tarde esse padre da Igreja Anglicana; naquela época gostava de usar esse a palavra padre, ele era o padre John Wesley; ele era simplesmente o maior movimento inglês do século XVIII. Foi um avivamento da fé cristã tanto quanto uma reforma social, foi um movimento novo. Ele formou seus pregadores leigos e tornou-se o teólogo do povo chamado metodista. Pregou mais de oitocentos sermões por ano, distribuindo folhetos evangelísticos, agitou toda a Inglaterra sem promover os conflitos sangrentos como os que aconteciam na França. Andou por toda a Inglaterra pregando o evangelho. Encontrou meios novos para revelar a força da mensagem do de Jesus Cristo.

Como isso aconteceu? Quais foram as causas da transformação de um povo? Existe aqui um mistério, e eu não vou me atrever a tentar entendê-lo. Mas por outro lado, existem certos aspectos que podem muito bem ser analisados. E é o que vamos tentar nas meditações seguintes.

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