Palavra de Deus

Título da obra e autor não identificados
Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará
para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. Isaías 55,10-11

O blog Amós Boiadeiro estará editando depois de amanhã a sua centésima postagem. Desde já agradeço a todos os leitores e leitoras que são a razão segunda desta empreitada que se mantém por oitenta dias, com mensagens diárias ininterruptas. Para celebrar este acontecimento vamos tentar, a partir de agora, introduzir também, além do texto, mensagens gravadas com som e imagem, o que na linguagem da internet chamam de podcast. Mesmo nesta nova fase, o blog tentará o máximo possível ser fiel ao princípio para o qual foi criado: Pregar exclusivamente a Palavra de Deus, e este é o único motivo que supera a minha alegria pela atenção e carinho de vocês, através dos quase cinco mil acesso as que tivemos durante este período.

Diferentemente dos ídolos mudos, devidamente satirizados na Bíblia, o Deus que se revelou a Abraão fala aos homens. Mais do que uma simples vocalização audível, a Palavra de Deus é viva, algo que age concretamente na transformação de consciências e circunstâncias. Mais influente ainda do que uma excelente filosofia de vida, a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Acentuadamente contrastante na época do profetismo bíblico, foi o fator que determinou a preservação de um povo, justamente o povo para quem ela foi dirigida em primeiro lugar. Enquanto as grandes potências mundiais da antiguidade deixaram atrás de si nada mais que ruínas, este povo legou a humanidade a sua maior regra de ética e de moral. Foi ao redor das fogueiras nas frias noites do semiárido oriental, que ela começou a ser transmitida de geração após geração, impondo-se sobre todos os ritos de mistério e todas as manifestações supersticiosas, para chegar até nós íntegra e fiel.

A Palavra de Deus não sofre a ação do tempo. Embora ela tenha sido propagada em uma época, local e situação específicas de um passado distante, ela em nada se assemelha ao Conto das mil e uma noites, porque ela fala de um mundo real, para pessoas também reais. O segredo da sua atualidade não provém de algo mágico ou mesmo sobrenatural, pelo contrário. Ante a sua presença até mesmo o sobrenatural se dobra, fazendo com que simples trechos sejam os motores de grandes transformações. Esta Palavra sempre soube muito bem, que fosse qual fosse o avanço tecnológico a que estivessem submissos, os homens e mulheres ainda continuariam a chorar a perda dos seus filhos como fez Davi, e a ficar deprimidos com traições e injustiças como foi o caso de Jeremias.

Estranhamente distante dos grandes reboliços da humanidade, a Palavra de Deus tende a se revelar no cotidiano, sempre acrescentando uma novidade surpreendente àquilo que julgávamos imutável. Sem, com isso, tentar impedir que os avanços alcançados pela ciência sigam o seu curso natural. Certa vez alguns membros procuraram o seu pastor, já velho, para que ele pregasse contra o uso de calças compridas pelas mulheres na igreja, coisa que no começo dos anos de 1960 era realmente inovador. O velho pastor propôs-lhes o seguinte trato: Se a cada dia que ele abrisse a sua Bíblia e não lhe fosse revelado algo novo e mais importante do que pregar sobre usos e costumes, ele faria o tal sermão solicitado, fecharia a sua Bíblia, e nunca pregaria o evangelho. O que jamais foi fato, posto que este pastor morreu com mais de noventa anos, na noite de um dia em que havia pregado o evangelho.

Abdicando de ser um espetáculo pirotécnico, a Palavra de Deus busca preferencialmente agir no silêncio da mente e do coração. O profeta Elias passou por uma experiência marcante de decisiva para todo o profetismo desde então. Quando fugitivo de uma rainha que queria matá-lo, oculto em gruta viu todos os grandes fenômenos da natureza desfilaram à sua frente: Um tempestuoso vento que rachava montes e fendia pedras, depois do vento um terrível terremoto, e depois do terremoto um incêndio devastador. Mas ele não ouviu a voz de Deus em qualquer desses elementos. Ouviu a sua Palavra apenas em uma brisa suave que sussurrava aos ouvidos. Deus estava lhe dizendo: Elias, se você quer ser meu profeta não vai fazer cair fogo do céu, nem provocar tempestades ou terremotos com as suas orações. Você falar a minha Palavra ao coração das pessoas. É dentro deles que se abrigam os grandes e indescritíveis temporais e que se alastram os incontroláveis incêndios.

John Wesley a pregou esta Palavra por mais de quarenta mil vezes. Contudo, mesmo os sermões que eram repetidos por mais de uma vez, recebiam adequadamente elementos novos, para que servissem aos fins próprios da comunidade a quem pregava. Quanto mais pregava, tanto maior era a sua certeza de que realmente esta palavra nunca voltava para Deus vazia. O escritor da Carta aos Hebreus não somente confirmou a experiência de Wesley, como também conseguiu definir em uma única frase qual deve ser o nosso comportamento diante desta Palavra: Ai de nós se negligenciarmos tão grande salvação. Que Deus abençoe a todos nós.

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