Os céus declaram

Visões de Ezequiel, Raffaello (1483-1520) 
O Salmo 19, nos versículos de um a seis, afirma com indubitável vocação poética que a universalidade da ação de Deus e o seu cuidado para com a criação podem ser percebidos apenas pela simples observação do universo. O poeta brasileiro Olavo Bilac, em minha opinião, inspirado pelo salmista, consegue acrescentar ainda mais poesia à beleza do Salmo quando diz que o dom de reconhecer Deus na criação é dado preferencialmente às pessoas que tem capacidade de amar: Pois só quem ama tem ouvidos capaz de ouvir e de entender estrelas.  

Quando o ensaio desta meditação começa afirmando que o texto transcende o contexto, não o faz fundamentado em antigos alicerces da fé, mas meramente interpretação das palavras de David, aí reconhecido como autor deste Salmo 19 e que acreditava que a terra era o centro inabalável do universo, em contrapartida aos versos de Bilac, que a via como um obscuro ponto na imensidão do cosmos. Ou seja, nem mesmo pressupostos tão antagônicos conseguiram modificar o foco da mensagem de ambos, que em última análise quer dizer: Os céus não se cansam de proclamar o amor de Deus. Esta foi uma conclusão rapidamente assimilada pelas três maiores religiões existentes: o Islamismo, o Judaísmo e em nosso caso particular, o Cristianismo. Isto é, por dois terços da população mundial. Hoje estimasse que 4,7 bilhões de pessoas professam, confessam e acreditam que realmente existe uma linguagem inaudível que afirma que a soberania de Deus pode ser percebida nos astros e nas estrelas.

Recentemente um astrônomo, embevecido pela grandeza do cosmos, afirmou: O universo não é maior do que nós pensamos, ele é maior do que possamos vir a pensar. Sobrepondo-se a este pressuposto da ciência, a igreja cantava um hino, infelizmente não canta mais, que vem reafirmar a grandeza de Deus acima da descoberta de proporções inimagináveis do astrônomo. Se nos cega o sol ardente, quando visto em seu fulgor. Quem contemplará aquele que do sol é criador?  É muito bom que todo aquele que professa a sua fé na inominável grandeza de seu Deus pensasse desta maneira, mas seria ainda melhor se cada um deles agisse e orientasse a sua vida segundo a fé na universalidade da soberania de Deus. Mas também, seria de se esperar que as palavras que formam a base das doutrinas e regras de fé de cada uma dessas religiões narrassem tão somente situações que corroborassem diretamente para a confirmação desta maravilhosa descoberta. Mas nem sempre é assim, e eu gostaria de em rápidas palavras comentar três situações em que o nosso texto sagrado nega ou não toma conhecimento da mensagem dos céus.



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