Uma mentira é sempre uma mentira

A morte de Acab, Ultimate Bible
Então Acabe disse a Josafá: — Eu não disse que para mim ele nunca profetiza coisas boas? Ele sempre diz alguma coisa ruim! I Reis 22.18

Algumas considerações podem ser feitas nesse texto. A primeira diz que a maioria as pessoas que se deixa enganar pelos falsos profetas o faz por puro interesse pessoal e não por acreditarem piamente na sua palavra. No fundo, elas sabem quem de fato está com a verdade, porque a verdade do profeta de Deus se evidencia sobremaneira perante as demais. Certa vez levei uma pessoa amiga que era ateia convicta, a uma audição de Natal do coral da igreja em que nasci. No final, além de dizer que gostou muito, ela também me disse: Você sabe que eu não acredito em Deus, mas as pessoas da sua igreja tem um brilho diferente, uma expressão de alegria que eu não vejo no rosto das outras pessoas. Respondi para ela: Quem está do lado da verdade tem consciência disso.
Uma segunda conclusão pode ser extraída da visão de Micaías. De acordo com a cosmo visão da época, Deus, como soberano, tinha uma corte de ministros prontos a executar qualquer dos seus mandatos. Algo muito parecido com a participação de Satanás na história de Jó. Todos estes argumentos são uma tentativa de dar ao episódio uma explicação teológica razoável, ainda que esta esteja comprometida por uma representação contextual de Deus. É uma tentativa de preservar a soberania de Deus na História, em meio à ação concreta dos profetas, à complexidade dos fatos e às motivações humanas. Se fôssemos fazer uma interpretação mais atualizada, diríamos que ao enviar os seus profetas Deus permite que surjam também os falsos profetas, e permite que o homem engane a si mesmo, seguindo aquilo que o seu coração mais deseja. Através destes artifícios o texto tenta nos mostrar a incerteza que habita o coração daquele que se deixa guiar por qualquer espírito, e o quanto são enganosos os desejos do nosso coração
Neste, como na maioria dos casos, a voz do povo não foi a voz de Deus. O texto Bíblico está constantemente nos alertando, contra o risco que assume a sua igreja quando faz coro com a maioria do povo. Devemos sempre nos lembrar de que em um dos momentos cruciais da nossa fé, quando a multidão vociferava exigindo a crucificação de Cristo, poucos guardavam a verdade. Não importa se quatrocentos repitam quatrocentas mil vezes a mesma mentira, ela será sempre uma mentira.

Leitura: I Reis 22.1-37  ou II Crônicas 18.1-34 

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