Plantada no mar III

Mercado de escravos no Cairo por David Roberts
Em cada parábola Jesus queria ressaltar apenas um único ensinamento. O que Jesus ensina de essencial nessa parábola é que Deus é soberano e não nos deve coisa alguma. Deus não costuma nos mandar mensagens de agradecimento pelos nossos esforços. Gratidão é uma resposta humana e não divina. Deus não é manipulável pela nossa gratidão ou por nossa fidelidade. Bem que gostaríamos, mas não podemos. Isso é realmente chocante para nós, pois o que temos a apresentar de bom nas nossas vidas são as nossas boas obras. A nossa expectativa de vida está baseada na recompensa, seja de Deus ou dos outros. Prometemos muita coisa para Deus, um ato mau, um vício, qualquer coisa se ele nos der aquilo que queremos. Prometemos até perdoarmos o imperdoável para que ele ouça as nossas orações. Dar o dízimo é assegurar a prosperidade. Ter misericórdia é garantir a misericórdia de Deus por nós.
Deus não nos deve absolutamente nada. Depois de termos feito todo o possível, o melhor possível temos que dizer: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer. O ponto em questão na parábola é que o que nós fazemos para ganhar recompensa, nós deveríamos fazer porque é nossa obrigação. Eu sei que isso não soa muito popular hoje em dia. Ouvimos por todo lado imperar a doutrina da retribuição. Mas nosso problema é outro. Por que é que o povo de Deus tem que ser induzido a servir com promessas? Por que é que buscamos tanto a aceitação do mundo quando fazemos a obra de Deus? Não haveria limite para o que a igreja de Deus pudesse fazer nesse mundo, se o povo de Deus se dispusesse a fazer tão somente aquilo que é sua obrigação.
Gratidão e louvor devem soar bem mais alto que está acontecendo. Eu sou um péssimo pastor, por isso eu admiro tanto Jesus Cristo. Mesmo quando dirigia as palavras mais severas ao povo que brincava de religião o amor por esse mesmo povo transbordava a olhos vistos. Eu não sou capaz disso. Se eu fosse um bom pastor eu me recusaria a receber muitos membros na igreja, para o próprio bem deles.
Há tanta necessidade em nossa sociedade que apenas a base do Cristianismo seria suficiente para resolver. Nunca deveríamos esperar recompensa por sermos honesto. Nunca deveríamos esperar uma motivação especial para sermos generosos, justos e íntegros. Estas coisas deveriam ser tão normais quanto comer ou dormir.(continua)(anterior)


Leitura: Lucas 17.5-10

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