Adoração teatral

Concílio de Trento em 1563 por Walter Brandmueller
Durante a Idade Média, e eu não me refiro à Igreja Católica porque ainda não havia acontecido a reforma, a adoração era um espetáculo teatral. O teatro era a igreja; o palco, o altar; os atores, seus sacerdotes; a língua, o latim. As pessoas na congregação eram apenas espectadores, assistindo passivamente o drama desempenhado por aqueles de quem altar era sua propriedade exclusiva. Mas alguns padres do baixo clero, das igrejas mais humildes da periferia, revoltaram-se contra aquela encenação e começaram a promover cultos, ou missas, como queiram, com a participação de toda a congregação. Isso foi o estopim para a reforma da igreja que viria mais tarde. Como nós devemos dar graças a Deus por aqueles anônimos, que mesmo antes de Lutero aceitaram essa verdade. Foi essa indignação que trouxe de volta a adoração ao nível do povo, que fez com que o que era dito no altar fosse entendido por todos, e que todos pudessem adorar com a mesma intensidade e sinceridade.
Infelizmente esse ranço ainda permanece na igreja. Para muitos o pastor ou o padre são pagos para fazer tudo o que a congregação deveria fazer. É claro, se aqui o pastor não faz um sermão que agrade ou se o padre não consegue fazer uma missa animada, nós vamos procurar outra igreja. Está bem certo que ainda é assim que funciona. Se o pastor não toca violão e se não faz o povo sair do chão, ele não serve pra ser pastor nesta igreja. Os pastores têm que fazer de tudo, enquanto a congregação assiste, enquanto a congregação escuta, nem sempre atentamente, enquanto alguns dormem, interrompendo seu sono apenas na hora de voltar a cantar animadamente. Que diferença existe entre a missa medieval e os cultos atuais? Que diferença existe entre os atores antigos e os atuais?  Entre os assistentes antigos e os atuais? A adoração a Deus tem que ser muito mais do que a exibição individual dos dons de um pastor, padre, levita, ministro de louvor ou qualquer outro astro hollywoodiano que venha a ser inventado. Já é um grande erro teológico sentarmos um atrás do outro na igreja, nós temos que olhar nos olhos dos outros. A adoração exige intimidade, exige aproximação, exige envolvimento, exige participação, tem que ser coletiva. Em resumo, exige comunhão. Qualquer coisa que envolve a participação de todos no culto e aceitável a Deus e agradável a nós.

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