Quem salva quem?

A cura do servo do centurião, autor não identificado
... e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus. Mateus 16,19

Desde muito cedo me foi incutida a responsabilidade sobre a salvação do próximo. Aqueles que têm uma ligação com uma igreja evangélica tradicional hão de se lembrar da obrigatoriedade de estar envolvido com a evangelização como meta primeira da igreja. Para mim que tenho raízes na Igreja Metodista, a determinação de Wesley aos seus pastores e paroquianos: “nada fazer senão salvar almas” soa tão alto como o martelo de meu pai batendo na sua velha bigorna.
Quando interpretamos com seriedade este versículo entendemos que eles dizem respeito à nossa responsabilidade como indivíduos, e aí duas coisas inevitavelmente acontecem: ou caímos em um ativismo incontrolável, ou julgamos que o nosso ministério como cristãos não passa de um enorme fracasso. Dormimos e acordamos culpados. O vizinho da frente vai pro inferno porque eu não tentei convertê-lo a minha fé, e isso faz com que a mão de Deus pese dia e noite sobre mim. Assim, me vejo na posição de ser o último bastião entre Deus e o meu próximo.
Se eu estivesse no lugar de Deus, conhecendo a mim como ele conhece, seria irresponsável a ponto de confiar a vida de uma pessoa por quem seu Filho também se sacrificou a alguém tão falho e tão pecador quanto Sergio Duarte? Teria Deus um braço tão curto que não pudesse alcançar o meu próximo sem a minha interferência? Vem do próprio John Wesley, o fundador do movimento que Deus origem à Igreja Metodista, a resposta que é meu socorro nesta hora. A doutrina da graça preveniente elaborada por ele me diz claramente que não sou eu quem está entre mim e meu próximo. Essa doutrina me garante que o lugar entre nós dois só pode ser ocupado por Jesus, e que antes que eu esboce qualquer intenção na direção do meu próximo, Deus já está agindo poderosamente em sua vida.
Isso faz com que eu caia na realidade de que para que a aproximação com meu vizinho dê certo a minha necessidade de conversão é maior do que a dele. Tira-me definitivamente do lugar de mediador entre meu próximo e Deus, e coloca definitivamente Jesus como o único mediador entre mim e ele e entre nós dois e Deus. Dietriche Bonhoeffer dizia: Eu preciso falar mais com Cristo sobre o meu irmão, do que com o meu irmão sobre Cristo.

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