Servo mau e infiel

O filho pródigo por Barent Fabritius ( a imagem do nosso cabeçalho)
Na parábola do filho pródigo existe um personagem que quase não é notado, mas que tem uma participação fundamental: o servo para quem o irmão mais velho pergunta o motivo da festa. Presume-se que ele tenha visto a penúria do pródigo ao chegar e, posteriormente, viu também o seu estado exuberante após o encontro com o pai. Ele percebeu que o pródigo vestia a melhor roupa dentre outras; o melhor calçado dos que haviam; a mais bela joia da família. Porém, resolveu, por conta própria, acirrar a ira incluindo em sua resposta aquele que talvez fosse o único bem que era ímpar naquela casa: o bezerro cevado. Ao ser perguntado pelo motivo da festa forneceu ao irmão mais velho o motivo que lhe faltava para a sua completa indignação. Tenho pra mim que usou os seguintes termos: aquele teu irmão safado voltou da orgia faminto, sujo e sem dinheiro, e o teu pai mandou matar logo o bezerro gordo, acho que é um enorme desperdício. Interessante é que essa parábola é contada justamente nesse contexto, quando Jesus estava sendo severamente criticado pelos fariseus e doutores da lei por ter parado para dar atenção e prestar serviço a prostitutas e publicanos. Vejam o que eles diziam : ele se mistura com gente de má fama, come com prostitutas, bebe com publicanos, se permite ser ungido por pecadoras (Lc 15.2). Jesus muito sabiamente conseguiu incluir indistintamente todos que estavam presentes na sua breve narrativa. Falou ao coração dos pais que sofreram perdas, falou a filhos devassos e também a filhos de fidelidade interesseira, mas não deixou o protagonista da nossa meditação de fora, desmascarou a sua face perversa e inoportuna. Seria bom que cada um de nós pudesse aproveitar o momento para tentar descobrir com qual personagem da parábola nos identificamos nesta hora. Seria proveitoso se usarmos dessa abertura para fazer um auto reconhecimento da situação que cada um de nós está vivendo. Se estamos com o olhar perdido no horizonte na esperança da volta milagrosa de um filho. Se é a hora de cada um de nós cair em si, arrepender-se e voltar atrás. Se agora é a hora para avaliarmos quando o nosso amor a Deus se dá simplesmente pelo que ele é, ou se é pelo que ele pode fazer. Porém, principalmente é hora de vermos se estamos de prontidão para impedir a entrada dos pecadores na mesma porta que um dia entramos esmagados pelo nosso pecado.

Leitura: Lucas 15.1-31

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