Enquetes sobre o amor.

Jesus e Pedro, autor não identificado
E perguntou pela terceira vez: — Simão, filho de João, você me ama? Então Pedro ficou triste por Jesus ter perguntado três vezes: “Você me ama?” E respondeu: — O senhor sabe tudo e sabe que eu o amo, Senhor! E Jesus ordenou: — Tome conta das minhas ovelhas. João 21.17

A pergunta que atravessa sem perder força do Primeiro para o Segundo Testamento está relacionada diretamente com o amor do homem para com o seu Deus. Depois do salmo 23 e de mais alguns poucos versos o texto mais conhecido da Bíblia hebraica é sem dúvida o primeiro grande mandamento: Dt 6.5 - Portanto, amem o Senhor, nosso Deus, com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças.

No nosso texto base Jesus não somente reedita o mandamento, como também o faz se aprofundar em um sentido muito mais objetivo, e, ao que parece, induz a um crescimento na forma e nos meios de amar a Deus. Vamos tentar ver como isso funciona.

O Deuteronômio incita ao amor com todas as capacidades e sentimentos, no entanto, pelo menos para Lucas, ainda não é o bastante, por isso ele faz um acréscimo ao texto do Primeiro Testamento: — “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com toda a mente. O acréscimo de amar com também com a mente ou com entendimento, como dizem algumas traduções, é muito bem vindo. Muito embora seja por conta do helenismo do qual este evangelista estava impregnado, veio bem ao encontro do que Paulo propõe como elemento fundamental no relacionamento com Deus: a razão. O culto racional, a busca por um melhor entendimento da Palavra de Deus, o aprimoramento do discipulado também deve fazer parte do conjunto de coisas a serem consideradas no amor e no serviço a Deus.

Mas parece que no diálogo com Simão Pedro à beira do mar da Galileia Jesus acrescenta um dado a mais. Jesus não repete a Pedro a pergunta que fizera ao doutor da lei que queria colocá-lo contra parede. Ele simplesmente coloca Pedro entre a cruz e a espada quando pergunta: Tu me amas mais do que todos os outros? Jesus quer saber se o coração de Pedro o ama mais do que o coração de todos os outros discípulos; se a alma de Pedro está voltada para ele mais do que qualquer outra alma; se a força do amor de Pedro excede a de todos os demais. Logicamente que não era para estabelecer uma disputa entre os seus amigos mais íntimos, mas Jesus precisava saber se Pedro estava determinado a ir mais longe no amor a Deus do que qualquer outro antes dele. Era justamente sobre essa determinação que Jesus queria fundamentar a sua igreja.

Tudo estava indicando que Jesus havia chegado ao extremo do quanto se pode amar a Deus, mais ainda não. Amar com todas as forças poderia ser uma propensão individual que não levava em conta o amor incondicional como o amor que Deus nos ama. Por outro lado, amar mais do que alguém que não ama tanto pode não se mostrar a forma com que Jesus veio reivindicar seu amor por ele, e consequentemente pelo seu Pai. Mas é a terceira pergunta que Jesus faz a Pedro que vai estabelecer o mais profundo aperfeiçoamento a que o texto do Deuteronômio poderia ser submentido.

Por trás do olho no olho e da insistência em querer extrair de Pedro uma confissão definitiva. A única condição que o credenciaria a tomar conta do rebanho que Jesus veio reunir era saber se o amor de Pedro era verdadeiro e não um impulso motivado por um momento de êxtase. Essa pergunta veio a calhar porque, como sabemos, Pedro em um momento como esse já havia jurado em vão esse amor: João 13.37 - Pedro tornou a perguntar: — Senhor, por que eu não posso segui-lo agora? Eu estou pronto para morrer pelo senhor!


E agora que ela chegou para nós? De juras de amor eterno, fiel e inabalável o nosso repertório gospel está lotado, mas será que este amor passaria pelo menos pelo primeiro estágio que a Bíblia propõe? Será, que como os antigos judeus que se esforçavam para cumprir o mandamento temos empenhado pelo menos um dos seus aspectos? Pelo que no que me é concernente mene mene tekel upharsim : pesado fui e fui achado em falta.

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