É a espada de Gideão

A batalha de Gideão, Nicholas Poussim
Quando Gideão chegou, ouviu um homem contando o seu sonho a um amigo. Ele dizia: — Eu sonhei que um pão de cevada rolou para dentro do nosso acampamento. Veio e bateu numa barraca. Ela caiu, virou no avesso e ficou estendida no chão. O amigo respondeu: — É a espada de Gideão, o israelita, o filho de Joás! Isso quer dizer que Deus entregou a ele o nosso povo e todo o nosso exército! Juízes 7.13-14

Os versículos acima contam como e por que aconteceu a vitória dos trezentos de Gideão sobre os vários milhares de midianitas, amalequitas e povos nômades do oriente, povos que saqueavam incansavelmente as colheitas de Israel, instalando um clima perene de fome e morte na região. No entanto, para o nosso entendimento, muito além da narrativa de mais um milagre na conquista de Canaã, estes versículos são a prova testemunhal de que de fato existe uma consciência de culpa que pouco a pouco vai se instalando na mente daqueles que insistem na prática da iniquidade.

Penso que já fui suficientemente claro quanto à minha indignação contra todo o tipo de adivinhação ou prognósticos de futuro extraído de qualquer fonte, principalmente da Bíblia. Então, jamais passaria pela minha cabeça imaginar que o nosso texto base de hoje tenha servido como um prenúncio sobrenatural para a derrota fragorosa que mais tarde veio a acontecer. Mas ainda assim, posso perceber que um milagre muito maior e bem mais impactante se deu bem antes da batalha iniciar. Um milagre que corroeu a coragem, a iniciativa e toda a experiência que os exércitos inimigos haviam acumulado ao longo de várias gerações.

O sonho de um pão que foi fabricado com a cevada tirada da boca de famílias que penosamente a semearam pela força das armas, frustrando assim qualquer expectativa da sua sobrevivência, é algo que tem muito a contar, mesmo para aqueles que, como eu, não acreditam neste tipo de revelação. Um pão que age como um rolo compressor, que desce morro abaixo esmagando tudo que está em seu caminho e vai, por fim, bater de frente com nada menos que a tenda do comandante fazendo-a desmoronar. Reparem na sutileza dos detalhes da narrativa e tentem explicar para si mesmos como pode alguém sonhar com um simples pão arrasando um contingente militar. Reparem também na interpretação imediata do companheiro, quando este associa o terrível pão, se assim o podemos chamar, à espada de Gideão, comandante da pequeníssima tropa de Israel. Ou seja, havia um estado real de consciência de culpa naqueles soldados. Havia no ar um prenúncio de punição para toda aquela iniquidade. Havia a certeza de que aquele injusto e cruel procedimento não poderia os levar senão a um fim desastroso.

Isso me faz pensar na situação atual de nosso país cuja classe política nos levou a uma crise moral, institucional e financeira que já se tornou escárnio mundial. Eu vejo as decisões estapafúrdias daqueles que se arvoram em dizer que estão praticando a justiça, e não vejo outra saída que não seja algo que de forma bastante estranha corroa suas consciências. Isso me faz também crer cada vez mais que a nossa decisão não está na simples troca de governo ou de política, mas na consciência de todo aquele que pratica insistentemente um tipo de iniquidade, seja ela de que grau for. Penso a única saída é a conversão irrestrita de todo o nosso povo, a começar por aqueles que se propõem a seguir os ensinamentos de Cristo.

De uma coisa você que mais sofre com um salário minguado; com altas taxas de juros; com a falência da saúde pode ter certeza. Você não está sozinho. Deus ainda conta com outros sete mil que não dobraram seus joelhos aos deuses desse mundo. Aqueles que perseveram firmes na promessa de que: Os maus não governarão para sempre a terra do povo de Deus; se os maus governassem, até os bons começariam a fazer o mal. Sl 125.3 

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