Deixar o Cristo nascer II

Jesus e Maria, autor não identificado
Vejo agora a casa em que Maria mora com José. É um lugar bem modesto: chão batido com poucos objetos. Ela está preparando uma refeição simples. Quando José entra e a abraça e beija, mas seu rosto mostra preocupação. Ele começa uma conversa dizendo: Estive na cidade hoje e fiquei sabendo que o imperador Augusto deu uma ordem para que todas as pessoas se registrassem em seus locais de nascimento. Sabe o que significa isso? Nós temos que ir a Belém fazer o meu registro. Como vamos viajar cem quilômetros se o bebê já está quase nascendo? Boa pergunta. Como podemos hoje fazer a viagem espiritual ao dia em que deixamos o Cristo vivo nascer em nós?

Apesar de não ser fácil para o casal, eles fazem os seus planos. O jumento que carrega as ferramentas do carpinteiro vai levá-la. Vão guardar comida suficiente para a viagem e para observar as restrições do sábado. Vão usar as roupas mais pesadas que tinham por causa do inverno severo da Palestina. O dia está nublado e venta muito. José segura o animal que tentar voltar atrás. Vem a chuva e a poeira vira lama. A noite chega escura está chegando e eles procuram um abrigo para descansar do primeiro dia da viagem. Este foi só o primeiro dia de uma viagem dramática. Não foi nada fácil para Maria dar à luz esse menino chamado Jesus. Temos que, da mesma forma, sentir como é penoso deixar o Cristo nascer em nós também.

Imagino as pessoas que os hospedaram ao longo do caminho. Havia um pensamento entre os semitas sobre a hospedagem de estranhos. Eles diziam que era bom, porque os que assim o fizessem poderiam hospedar até Deus sem saber. Todos nós éramos estranhos quando saímos do Egito no caminho até a Terra Prometida.

Finalmente as luzes de Belém. Usando o que restava de sua poupança, José procura uma taberna para hospedar Maria. Mas o dito de Augusto não permitiu que houvesse sequer um canto em Belém para hospedá-los, e eles voltam à escuridão da noite. Mas atrás da taberna tem uma caverna que serve de estrebaria, e nela há feno e alguns animais. O tempo urge, não há mais nada a fazer senão deixar a criança nascer naquelas condições. O estrume dos animais cobre o chão batido, e o seu odor é quase insuportável. Tem também um cocho, ao qual demos romanticamente o nome de manjedoura, que também não é nem de longe o lugar mais limpo e adequado para uma criança nascer, mas ainda assim é melhor do que nada. Havia também alguns adolescentes que estavam fugindo da fúria de seus pais. A estrebaria não recusa ninguém.

Finalmente o Cristo nasce e é enrolada em alguns panos. Capim novo é colocado no coxo para que ele acolha o melhor presente que a humanidade já recebeu. O milagre dos milagres aconteceu.

Se Jesus pôde nascer assim. Se o Filho do Deus altíssimo pôde nascer numa estrebaria. Se o Cristo de Deus pôde nascer em condições tão adversas, ele pode nascer dentro de mim, ele pode nascer dentro de você.

A estrela está brilhando. Um cântico angelical está ressoando na noite fria. Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra aos homens a quem ele quer bem.

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