Texto fora do contexto

Julgamento dos anjos, Botticelli
Não sei se acontece somente comigo, mas a verdade é que eu estou sendo constantemente afrontado nas minhas opiniões com textos bíblicos completamente fora do contexto em que o assunto tratado está inserido.

Quando falo, por exemplo, das manifestações escandalosas e mal enjambradas nos cultos, vem logo alguém e me joga na cara: a alegria no Senhor é a nossa força. Esse versículo já faz parte da minha vida desde a tenra idade, pois quando criança cantava sempre: alegria no Senhor a nossa força é. Um corinho, como se dizia antigamente, que está também fora de contexto, mas era cantado apenas por crianças. Não me lembro de tê-lo cantado a partir de quando fiz onze anos, e fui conduzido, contra a minha vontade, ao grupo de adolescentes, que era chamado de Sociedade Juvenil.

Imagino que houve, da parte das pessoas que eram responsáveis pela Educação Cristã na igreja, uma iniciativa para provocar um crescimento na abordagem da Bíblia que se fazia necessário com vista a minha formação. A pedagogia que antes servia para fazer uma apresentação do texto bíblico às crianças sob forma de canção era bem funcional, mas não deveria continuar servindo indefinidamente para todos os membros e em todas as idades. Como bem nos lembra o apóstolo Paulo em I Coríntios 13: quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.

Outro exemplo, que também é em frequente, foi retirado de palavras de Jesus narradas por Mateus no capítulo 7 do seu evangelho: não julgueis para que não sejais julgados. Esse, então, serve para qualquer mínimo comentário. Isto é: quando este não segue a linha de pensamento da pessoa com quem se fala. Um texto que foi sacado de um contexto que contém uma série de prescrições que terminam assim dizendo: Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.

Penso que aqui estão explicitadas duas formas de julgamento. Uma é o julgamento do par, da pessoa que ao teu lado milita no Reino de Deus, da sua maneira de servir ao seu Senhor, e das diferentes atitudes que a ação do Espírito provoca em cada um. Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente, dizia Paulo.

Mas o contexto traz outro tipo de julgamento que é extremamente necessário: o julgamento do falso profeta. Tão necessário quanto a se precaver de um, é não omitir o outro. O princípio é válido também para resolver contendas na igreja, pois se levarmos aos tribunais mundanos as questões internas da igreja, como Deus irá nos confiar responsabilidades maiores? Paulo em I Coríntios 6 é mais do que razoável quando trata desse assunto. Ele diz simplesmente: Por acaso vocês não sabem que nós julgaremos até mesmo os anjos? Muito mais, então, devemos julgar as coisas desta vida!

Quero terminar dizendo que nada tenho contra apartes, contestações, discórdias ou mesmo ofensas. Todas serão bem recebidas. O blog existe há quase quatro anos e tem sobrevivido a provas em todos os níveis. Somente peço que antes se aprofundem no assunto, caso contrário, irão sucumbir em outro texto também é muito usado contra mim, mas que agora devolvo aos que assim têm procedido: Oséias 4.6 – O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.

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