Mortos X Mísseis

A última imagem de um homem por quem Jesus também morreu
Esta semana circulou no Facebook um vídeo que mostrava o exato momento em que um rapaz militante jihadista do grupo terrorista Frente al-Nusra, na Síria, estava sendo atingido por um míssil, cuja autoria do disparo não foi reivindicada por qualquer país da frente antiterrorista. Penso que é hora de refletirmos um pouco neste insólito incidente.

Os primeiros comentários, que acredito estarem ainda sob o impacto da dramática cena, davam conta de que foi uma ação benéfica para a paz de toda a humanidade. Outros, ainda mais eufóricos, diziam que foi uma atitude necessária, correta e excepcionalmente bem sucedida. Seria este um episódio para o mundo ocidental comemorar?

Acredito piamente que um memorial será erguido, na França, para homenagear os seus heróis mortos na luta contra o terrorismo, gravado com os seus respectivos nomes e com mesma pompa com que foram agraciados os mortos do World Trade Center, em Nova Iorque. Porém, do rapaz alvo de um milionário míssil, continuaremos desconhecendo qualquer referência pessoal.

A pergunta que paira sobre a igreja no dia de hoje é essa: teria Jesus morrido apenas por uns e não por outros? A nossa participação no Plano de Salvação de Deus permite que façamos esta distinção? Seria, por algum item velado nos evangelhos, a fé cristã endereçada a uns como sinal do conforto divino e a outros como a sina do inexorável arrependimento?

É nessa hora que eu vejo o quanto ainda temos que aprender com a Bíblia, principalmente quando ela expõe com riqueza de detalhes os resultados estapafúrdios da opressão, seja de origem for. Não se encontra nas Escrituras uma ênfase especial quando fala das pragas que atingiram o Egito, em detrimento aos horrores da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor e o consequente exílio babilônico. As profecias de Moisés contra Faraó têm o peso idêntico a que os profetas endereçaram a Israel e Judá. Ambas as tragédias receberam narrativas que não deixam dúvidas que Deus estará lutando ao lado do oprimido e contra qualquer forma de opressão. Jesus, por sua vez, não comedido quando destinou ao seu amigo Pedro o título de Satanás, diferentemente de quando chamou Herodes de raposa ou os fariseus de raça de víboras.

A realidade que se mostra neste episódio é aterrorizante, pois se continuarmos contando nominalmente as vítimas fatais em um dos lados, enquanto do outro se contabiliza apenas os bombardeios, não há profeta algum nesse mundo que consiga vislumbrar a mínima possibilidade de paz.

Não tenho a menor ideia de como fechar este emaranhado de suposições, pois a teologia que aprendi dos meus mestres não consiste na possibilidade de um inferno como estágio final. Contudo, o que aprendi da Bíblia é bem menos complexo. Quando Deus luta ao lado de um povo, o resultado é no mínimo surpreendente. Porém, quando ele retira esse povo do campo de batalha e entra na luta no lugar dele, o resultado é avassalador.

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