O que é SAMARITANO?

Samaritana no poço, Anibal Carracci
Depois da conquista de Samaria (721), grande parte da população foi deportada e substituída por colonos assírios, provenientes de Cuta (II Rs 17.24). Ed 4.2.9 supõe mais deportações. Assim formou-se no antigo reino do norte uma população mista, os samaritanos. Em Flavius Josefus. (Ant. 9,14,3) e nos escritos rabínicos, são chamados também cuteus, porque muitos deles vieram de Cuta.

Calamidades nacionais, que de vez em quando se abateram sobre o reino do norte, foram atribuídas ao fato de que os colonos assírios ignoravam o culto de Javé, próprio do lugar. Por isso o rei assírio mandou um dos sacerdotes deportados de volta para a Samaria, a fim de instruir o povo no culto do Deus do país (II Rs 17.25-28). Além de Javé, os colonos continuaram a venerar seus deuses antigos, p. ex., Nergal (II Rs 17.29-34); uma parte, porém, da antiga população israelita parece ter frequentado o culto de Javé em Jerusalém (II Cr 30.1; 34.6 e 9). A sua influência foi tão grande que afinal todos os samaritanos ficaram monoteístas e aceitaram a lei mosaica.

Os samaritanos quiseram aliar-se aos cativos repatriados da Judeia, mas Zorobabel e Neemias recusaram-se (Ed 4.2). Daquele tempo deve datar a inimizade ferrenha entre os judeus e os samaritanos; naquele tempo, também, os samaritanos teriam construído seu próprio templo, no monte Gerazim, sob a direção de Manassés, filho do sumo sacerdote judaico Joiada, que Neemias havia expulsado de Jerusalém, por causa de seu casamento com a filha do governador persa Sanabalat (Ne 13.28).

Nesta história, porém, ainda há muitos pontos duvidosos. Aquele templo foi poupado sob Antíoco IV Epífanes (173-164), porque teria sido consagrado a Zeus Xênios II Mb 6.2), mas foi destruído em 128 a.C. por João Hircano I, porque os samaritanos haviam aderido ao partido dos selêucidas (I Mb 3.10). Assim o monte Gerazim continuou a ser o lugar de culto dos samaritanos (Jo 4.20). A inimizade entre os judeus e os samaritanos era e continuou sempre recíproca. Conforme o autor de Eclo 50.25 os samaritanos não são propriamente um povo; são “aquela gente estulta que mora em Siquém”, inferiores aos edomitas e aos filisteus.

No tempo de Cristo “samaritano” era uma invectiva (Jo 8.48) e os judeus não se comunicavam com os samaritanos (Jo 4.9). De outro lado, os samaritanos incomodavam os peregrinos judeus que iam a Jerusalém (Lc 9.52-54); uma vez teriam até, numa Páscoa, profanado o templo de Jerusalém com ossos.

Jesus, porém, fala sobre os samaritanos num tom mais benévolo (Lc 10.33; 17.16; Jo 4.4-48). Na primeira missão dos pregadores do Evangelho, Jesus excluiu expressamente os gentios e os samaritanos (Mt 10.5), mas antes da ascensão mandou seus discípulos “serem suas testemunhas na Judeia, na Samaria e no mundo inteiro” (At 1.8).

Foi Filipe quem pregou primeiro entre os samaritanos (At 8.5). É conhecida a parábola do bom samaritano (Lc 10.30-37), na qual Jesus ensina que o amor do próximo abrange todos os homens, mesmo os maiores inimigos. A pregação do evangelho não parece ter tido muito resultado entre os samaritanos Em todo caso, continuaram a esperar um Messias, chamado por eles Ta’el (aquele que volta): seria sacerdote e rei e pregaria a verdadeira doutrina (Jo 4.25).

Os samaritanos atuais só reconhecem o pentateuco, do qual possuem, na sinagoga de nãbulus, um manuscrito na antiga escrita hebraica. Sua antiguidade, porém, é muito discutida. 

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