Quem foi ADÃO?

Adão e Eva no Éden, Lucas Cranach
Adão, no Primeiro Testamento nome de pessoa e topônimo (Chama-se o topônimo nome ou expressão usado para nomear um lugar, ou seja, um acidente geográfico seja ele natural - rios, serras, igarapés etc -, seja ele artificial - cidades, bairros, ruas, praças, etc).

ADÃO
(hebraico ’ãdãm = homem), nome do primeiro homem em Gn 4.25-5.5 (genealogia); é a própria palavra hebraica para “homem”, de sorte que parece supérfluo procurar outro significado: o nome genérico tornou-se nome próprio; Gn quer caracterizar, na figura do primeiro homem, todo o gênero humano (Gn 5.2). Em Gn 2-4 fala-se sempre em “o homem" (hã’adãm), o que nos LXX e na Vulgata é interpretado, erroneamente, como nome próprio, a partir de Gn 2.19. A mesma coisa fizeram os massoretas em todos os lugares onde o texto consonântico o permitia (2.20; 3.17,21). A Bíblia não contém elementos para esclarecer a etimologia do nome genérico.

A relação estabelecida entre o homem (’ãdãm) e a terra (’ãdãmãh) baseia-se apenas numa semelhança material, que, por acaso, sugere uma relação essencial (nome = essência): pela sua origem (Gn2.7) e pelo seu destino (3.19,23) o homem é ligado à terra, ele deve torná-la produtiva e ela é o seu habitat natural (Gn2.5; 3.17).

TERRA
A noção de “personalidade corporativa” pode-se, portanto, com toda razão, aplicar a Adão, pois através da figura de Adão o Gênesis pronuncia-se sobre o fenômeno humano, i. é, sobre o Adão que somos todos nós. Os filhos de Adão e Eva que são mencionados nominalmente são Caim Abel e Set (Gn 4.1). No nascimento de Set Adão tinha 130 anos; viveu, no total, 930 anos (Gn 5.3,5).

É só nos livros bíblicos mais tardios (quando a narrativa sobre o paraíso já ganhara o seu lugar atual em Gênesis) que se encontram alusões a Adão (I Cr 1.1; Sl 8). Depois Adão se tornou também objeto da curiosidade piedosa, o que deu origem a uma grande quantidade de escritos apócrifos e a toda uma teologia rabínica. O Segundo Testamento não apenas o menciona (Lc 3.38; At 17.26; Jd 14), mas cita o Gênesis para ilustrar ou motivar aspectos importantes da mensagem cristã: o matrimônio (Mt 19.4-6; Ef 5.31), a ordem na Igreja (I Co 11.7-12; I Tm 2.13) e sobretudo a doutrina paulina sobre a universalidade da graça (Rm 5.12-21) e da ressurreição (I Co 15.21) e sobre a natureza do corpo ressuscitado (I Co 15.45-49).

No “primeiro Adão”, o “velho Adão”, o “Adão terreno” S. Paulo vê uma figura (tutós, Rm 5.14) de Cristo como o "novo, o último Adão”, o "Adão celeste”. Essa tipologia, da qual se encontram também elementos na teologia rabínica, é uma nova aplicação de ideias do Segundo Testamento.

Na concepção profética da futura salvação como uma restauração da dinastia de Davi, ou como uma repetição da libertação do Egito, o Messias já era descrito como um novo Davi ou um novo Moisés. Assim o “novo Adão” quadra com a esperança de uma nova criação e da volta dos tempos paradisíacos. É justamente como “primogênito de toda a criação” (Cl 1.15) que Cristo é o novo Adão, e todo cristão, despojando-se do velho homem, deve revestir-se desse novo homem (Cl 3.9s).

O título messiânico “filho do homem” possivelmente encerra também uma alusão a Adão.


Fonte: Dicionário Enciclopédico da Bíblia. A. Van Den Born

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