O que é ALTAR?

Altar de sacrifícios, Museu Glencairn
O altar geralmente tinha relação com o sacrifício ou prova, p. ex., o nome hebraico mizbéah = lugar onde se sacrifica. Mas o altar não é necessariamente ligado ao sacrifício: pode ter também o sentido de monumento, lembrando alguma experiência sobrenatural extraordinária; o papel que a fundação de altares tem na história dos patriarcas: marca as suas peregrinações (Gn 12.8; 13.8; 26.5; 33.20).

Sobre o altar e pelo altar, Deus entrava em contato com o seu povo; o altar único, considerado como o ideal, devia ser o centro vital e o símbolo da unidade de Israel (II Cr 32.12; I Co 10.18). No Segundo Testamento diminuiu inicialmente a importância da ideia do altar porque Cristo se sacrificou uma vez para sempre (Hb 9.28), e a comunhão do novo Israel com Deus é constituída pela união com Cristo. O sentido mais óbvio de Hb 13.10, um texto obscuro, parece ser que o próprio Cristo é chamado altar.

Talvez o termo altar indique todo o mistério da ida de Cristo ao Pai, como é descrita na liturgia de Hebreus. Embora o altar tivesse praticamente a forma de uma mesa, o Primeiro Testamento não usa a palavra mesa para altar (exceções: Ez 39.20; Mal 1.7,12), provavelmente em oposição consciente ao altar pagão, considerado como a mesa em que a divindade Gad comia (Is 65.11). O cristianismo, pelo contrário, usa propositadamente o termo mesa, porque a eucaristia é a celebração da ceia do Senhor (I Co 11.20).

Entre a população não israelita de Canaã era de preferência uma rocha saliente, que se usava para altar; os israelitas, porém, só em casos excepcionais serviam-se de rochas (Jz 13.19; I Sm 6.14). Conforme Êxodo 20.24 o altar só podia ser de terra ou de pedra não trabalhada. Conservavam- se assim os costumes dos antepassados, para os quais a natureza não violada devia ser o material do altar, que seria “profanado” por trabalho humano (cf. também I Mc 4.47); isso não precisa ser interpretado como um fetichismo latente.

O altar não podia ter degraus, “para não descobrir a nudez” (Ex 20.25). O principal eram os quatro chifres, encontrados também em altares de outros povos. Esses chifres, que para os israelitas simbolizavam o poder e a força de Deus, deviam formar uma peça só com o altar (Ex 27.2; 37.25; I Rs 1.50; Sl 118.27), e eram o sinal, propriamente dito, de que o altar fora consagrado a Deus. Tirar os chifres significava profanar o altar (Am 3.14; Jt 9.11).

No Dia da Expiação eram aspergidos com sangue (Lv 8.15; 16.18); serviam de asilo aos criminosos (Ex 21.14; I Rs 1.50; 2.28) e eram o lugar mais apropriado para proferir juramentos solenes (l Rs 8.31; II Cr 6.22). 


Fonte: Dicionário Enciclopédico da Bíblia. A. Van Den Born

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