As Marcas da Igreja Verdadeira

Farel apelando a Calvino para que vá a Genebra, Renato Carvalho
Texto do rev. Alan Kleber

A Reforma Protestante do século XVI levantou questões muito sérias aos cristãos do seu tempo. Uma dessas era a seguinte: Qual é a igreja verdadeira? Tanto os romanistas como os protestantes alegavam ser a verdadeira igreja de Cristo, e de acordo com Kevin Reed,“… cada um denunciava o outro como uma falsa igreja” (Fazendo a Fé Naufragar, São Paulo: Os Puritanos, 2002, 69).

Além disto, outros partidos denominados de reformadores radicais, tais como os anabatistas, condenavam tanto os romanistas quantos às congregações protestantes como falsas igrejas, afirmando que somente eles formavam a igreja verdadeira.

Hoje em dia, quando observamos o grande número de denominações religiosas, sendo criadas a um ritmo desenfreado, cada qual alegando o título de igreja de Cristo, somos levados a fazer a seguinte pergunta: Como podemos identificar a verdadeira igreja do Senhor Jesus Cristo?

Na tentativa de alcançarmos uma melhor compreensão acerca desse assunto tão polêmico, analisaremos a concepção reformada da notae ecclesiae (marcas ou “notas” essenciais da Igreja) formulado pelos primeiros e mais importantes expoentes da Reforma do século dezesseis, respectivamente Lutero, Zuínglio e Calvino, os quais concordavam acerca da existência de aspectos ou características essenciais da verdadeira igreja de Cristo que poderiam ser identificadas pelos fiéis.

Apesar das diferenças entre si, Lutero e Calvino concordavam em dois aspectos ou marcas essenciais da igreja verdadeira: a pregação correta da Palavra e a ministração adequada dos Sacramentos. De fato, Calvino enfatizava a importância da Disciplina da igreja para a boa ordem e pureza da vida cristã, porém, ele se recusava a elevar a disciplina bíblica ao nível da palavra e dos sacramentos.

Em contraste com o ponto de vista de Lutero e Calvino sobre às marcas da verdadeira igreja, a posição católica romana é que a igreja que vem desde Pedro e dos apóstolos é a verdadeira igreja. Louis Berkhof observa que a igreja romana reivindica o direito de ser chamada a única igreja católica “… porque está espalhada pela terra toda e se adapta a todos os países e a todas as formas de governo; porque existe desde o princípio e sempre teve súditos e filhos fiéis, enquanto que as seitas vêm e passam” (Teologia Sistemática, São Paulo: LPC, 1990, 578).

A Confissão de Ausburgo escrita em 1530 e adotada expressou ainda que sucintamente essa doutrina:
“Porque para a verdadeira unidade da igreja cristã é suficiente que o evangelho seja pregado unanimemente de acordo com a reta compreensão dele e os sacramentos sejam administrados em conformidade com a palavra de Deus. E para a verdadeira unidade da igreja cristã não é necessário que em toda a parte se observem cerimônias uniformes instituídas pelos homens. É como diz Paulo em Efésios 4: Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Art. VII).

Segundo os luteranos, onde o Evangelho é pregado em sua pureza e os Sacramentos sagrados, ministrados de acordo com a Palavra divina, aí está à igreja verdadeira. Entretanto, muitas confissões reformadas e os anabatistas acrescentaram a disciplina como terceira marca distintiva.

Estas três marcas são mencionadas na Confissão adotada pelas igrejas reformadas: “As marcas para conhecer a verdadeira igreja são estas: ela mantém a pura pregação do Evangelho, a pura administração dos sacramentos como Cristo os instituiu e o exercício da disciplina eclesiástica para castigar os pecados” (Confissão Belga, São Paulo: Cultura Cristã, 1990, Art. XXIX).

Concluindo, observamos que a partir das Escrituras Sagradas os reformadores concluíram que deveríamos olhar para três marcas básicas para identificar a verdadeira igreja:
(1) A Pregação do Evangelho;
(2) A Administração correta dos Sacramentos;
(3) O correto Exercício da Disciplina da igreja. 

Onde estas três marcas se apresentam claramente podemos descansar tendo a segurança de que encontramos a igreja do senhor Jesus Cristo.

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