O mal que vem da Babilônia

O que anda em justiça e fala o que é reto; o que despreza o ganho de opressão; o que, com um gesto de mãos, recusa aceitar suborno; o que tapa os ouvidos, para não ouvir falar de homicídios, e fecha os olhos, para não ver o mal, este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas. Já não verás aquele povo atrevido, povo de fala obscura, que não se pode entender, e de língua bárbara, ininteligível. Isaías 33.15-16 e 19
Pandemonuim, John Martin
Não é hoje que venho repetindo aquele que é para mim um dos versículos mais incontestes no que diz respeito à validade do fenômeno da glossolalia, ou mais popularmente, a proliferação das línguas estranhas na igreja. Para mim Paulo dá o cheque-mate no assunto quando em I Co 14.22, diz: De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia não é para os incrédulos, e sim para os que creem.

Não sei se foi causa e efeito, ou se foi por mera coincidência que este fenômeno tenha chegado à igreja juntamente com o início da perda de credibilidade do nome evangélico. Eu sei que de lá para cá cresceu grandemente em nosso país, tanto a proporção de evangélicos, quanto as falcatruas praticadas e descobertas por membros leigos e clérigos das igrejas que ousam ostentar esse nome.

No entanto, tenho que dizer que se eu fosse levantar a bandeira de que um fato está diretamente relacionado ao outro, não seria pioneiro e não estaria falando sozinho. Conheci algumas pessoas que durante anos fora incansáveis em denunciar este persistente equívoco. Lembro-me perfeitamente da eloquência do meu falecido amigo João Wesley Dornellas quando abordava o assunto, e os que se posicionaram contra não pararam por aí. Do passado distante ecoa uma voz que faz uma relação muito mais profunda entre a língua estranha e a injustiça, a corrupção, a opressão e até com o aumento de homicídios que passou a ser observado na igreja de um tempo para cá. O profeta de Deus não apenas interliga intrinsecamente os dois elementos, como também profetiza, aí sim em tom de promessa e não de denúncia, que quando essas mazelas deixarem de existir no meio do povo de Deus, as línguas estranhas e inteligíveis não serão mais ouvidas, e aqueles que falam e oram com palavras obscuras também desaparecerão de vez para sempre.

Isso serve para me mostrar o quanto estive errado nas minhas abordagens anteriores, denunciando como falso este movimento. Isso serve para me mostrar também o quanto de tempo eu perdi argumentando contra as pessoas que aceitam como válido este fenômeno. Mas me mostrou o verdadeiro mal, o mal que eu deveria ter combatido e denunciado.

Logicamente que eu sei que o profeta estava se referindo ao povo babilônico que havia invadido e devastado o seu país. Mas vejo o quanto isso serve também para nos alertar contra os perigos da Babilônia atual. Não somente essa Babilônia que invade os nossos lares e devasta a consciência crítica dos nossos jovens no horário nobre, como as Babilônias que criamos em nossas comunidades. Ou seja, os verdadeiros templos faraônicos que erigimos, e os poderosos dominadores que reinam soberanamente nos púlpitos elevados. Tudo isso em nome de um Deus que nos exigiu apenas fidelidade para com ele e misericórdia para com o próximo. 

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