É tempo de natal...

Nascido ou comprado? Anja Lyngbaek
Texto do revmo. Bispo Josué Adam Lazier

O natal há muito tempo deixou de ser uma festa apenas religiosa de celebração pelo nascimento de Cristo, Senhor e Salvador, conforme a mensagem dos Evangelhos. O consumismo promovido por ocasião do natal é muito grande. Vende-se a ideia de que a festa natalina é regada a muita comida, bebida, presentes, etc. As lojas aumentam o seu faturamento e as pessoas, de uma forma ou outra, fazem dívidas para realizar a festa conforme o molde que a sociedade conveniou ser a melhor.

A figura do Papai Noel, que é apresentado como um personagem que se solidariza com as crianças e com os que têm necessidade, é utilizada para promover produtos que são dispensáveis para qualquer família, no entanto, o apelo do Papai Noel alcança as pessoas indistintamente e as fazem entrar no consumismo dispendioso e desnecessário.

Não dá para negar que o natal transformou-se na maior festa da cristandade, mesmo entre aqueles que não professam fé no Cristo que nasceu para anunciar o amor e a graça de Deus. Por isso é importante considerar que o resgate do verdadeiro sentido do natal se faz necessário. Há pessoas ou grupos que promovem solidariamente a entrega de presentes, de alimentos e outras formas de apoio para pessoas que têm necessidade. Isto é importante, pois natal é solidariedade entre as pessoas. Solidariedade quer dizer estar com os outros que são diferentes e com os quais eu posso compartilhar o que temos de diferente e útil para a vida. A solidariedade nos fazer doar mais para quem tem menos. Mas a solidariedade não deve mascarar uma ação apenas para esvaziar-se da responsabilidade que deveria nortear todos os dias da vida e não apenas no período do natal.

O natal é o tempo de renovar a esperança. Não me refiro à espera pacífica e comodista, mas uma esperança que promove ação e impulsiona as pessoas a lutarem pelos seus direitos e pela realização pessoal e familiar. Esta esperança é mais esperançar do que ficar aguardando o "papai noel" dar uma solução para os problemas da vida, é ir em frente, junto com os outros, para transformação da realidade de discriminação, opressão e pobreza que caracterizam a nossa sociedade.

Mas o natal é, acima de tudo, um convite. Convite para a convivência, para estar junto, para compartilhar a fé e a esperança, para acolher os que estão machucados pela vida, para reconciliação, para o abraço fraterno e afetuoso, para o aperto de mão aquecido pelos votos verdadeiros de uma pessoa comprometida com a dignidade da vida. A melhor maneira de celebrar o natal é perdoar e pedir perdão, é estender a mão e acolher o irmão, o próximo, o adversário, o inimigo, o diferente. Isto é natal. O restante é "enfeite" que encanta pela beleza, pelas luzes que brilham e pelas músicas que entoam canções inspiradoras. Mas se não houver atitude que supere o egoísmo, a avareza, a soberba, a vaidade, o menosprezo, o natal não terá sentido nenhum, a não ser para o comércio que terá vendido muito neste período.

O cenário do nascimento de Cristo expressa mensagens para todas as pessoas. Para àquelas que se encontram errantes, inseguras ou desorientadas, indica que a presença de Deus será constante. Para àquelas que se estão estagnadas na vida, resgata o fascínio e a utopia dos sonhos e esperanças que são nutridas pela ação graciosa do Cristo vivo. No cenário do natal há uma criança, indefesa, pobre e dependente, para anunciar a pureza, a fragilidade, a inocência e a incerteza tão necessárias para conduzir as pessoas em direção a Deus e à dignidade da vida.

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