O que é EXPIAÇÃO?

Expiação, autor não identificado
As traduções portuguesas da Bíblia usam muitas vezes o termo expiação ou por vezes propiciação, a propósito dos sacrifícios pelo pecado, onde se diz que o sacerdote cumpre o rito de expiação. (cf. Lv 4).

Expiação
A festa anual de 10 de tixri é chamada de “o dia das expiações” ou “o grande dia da expiação”, cujo ritual se descreve pormenorizadamente em Lv 16.

No Segundo Testamento o termo é raro, e a ideia se encontra com frequência na carta aos hebreus, que assimila o papel redentor de Cristo à função do Sumo Sacerdote no “dia das expiações”, ainda com mais certeza cada vez que diz que Cristo morreu por nossos pecados, ou que derramou o seu sangue pela remissão dos pecados. (cf. Mt 26.28).

Expiação e pecado.
Em português, como em muitas línguas modernas, a noção de expiação tende a confundir-se com a de castigo, ainda que este não seja medicinal. Ao contrário, para todos os antigos, o sentido do verbo expiare na Vulgata como na liturgia da igreja, quer dizer purificar, mais exatamente, tornar um objeto, um lugar ou uma pessoa agradáveis aos deuses, enquanto antes não lhes agradavam. Toda expiação supõe, portanto a existência de um pecado e tem por efeito destruí-lo.

Como esse pecado não é concebido como uma nódoa material que estaria no poder do homem fazer desaparecer, mas que se identifica com a própria rebelião do homem contra Deus, a expiação apaga o pecado unindo de novo o homem a Deus, consagrando-o conforme o sentido da aspersão do sangue. Como por outro lado, o pecado provoca a ira de Deus, toda expiação põe termo a essa ira e torna Deus propício. Mas a Bíblia normalmente atribui tal função à oração, sendo que o sacrifício de expiação tem antes o fim de tornar o homem agradável a Deus.

Expiação e intercessão.
Nas raras passagens onde os dois termos de expiação e ira se encontram associados, tratam de fato de uma oração. Assim, a expiação de Moisés ou a de Aarão, conforme a interpretação dos antigos, conforme o Targum e mais claramente ainda conforme a do Servo Sofredor de Javé, cujo papel de intercessor é mencionado. E é em virtude da mesma noção de expiação, que São Jerônimo, seguindo as antigas versões latinas na fórmula estereotipada, conclui que cada um dos sacrifícios pelo pecado, podia bem traduzir o verbo hebraico que significa cumprir o rito de expiação, por um verbo que exprimisse rezar, orar ou interceder (cf. Lv 4.20-26 e31).

Não nos admiraremos que a epístola aos hebreus, ao descrever Cristo entrando no céu para lá cumprir a função essencial do seu sacerdócio definida como uma intercessão possa assemelhá-lo ao Sumo Sacerdote que penetra além do véu para cumprir o rito sacrifical por excelência, a aspersão do sangue sobre o propiciatório. Por isso a própria morte de Cristo é apresentada como uma suprema intercessão (cf. He 5.7).

Tal interpretação sublinhava que uma expiação autêntica não poderia ter valor independentemente das disposições interiores do ofertante; ela é antes de tudo um ato espiritual, que o gesto exterior exprime, mas não pode substituir. Ela exclui igualmente toda a pretensão de o homem querer forçar Deus a tornar-se-lhe favorável. Descrevendo a intercessão de Aarão, o Primeiro Testamento tem o cuidado de precisar que sua prece consistia em lembrar a Deus as suas promessas e os seus juramentos, de maneira que se reduz a um ato de fé na fidelidade de Deus. Assim concebida, a expiação não tende a mudar as disposições de Deus, mas a dispor o homem a acolher o dom de Deus.

Expiação e perdão.
Por isso, na consciência religiosa dos judeus o “dia das expiações” era, mais ainda, o “dia dos perdões”. Quando duas vezes São João, evocando, quer a intercessão celeste de Cristo junto ao Pai, quer a obra realizada aqui na terra por sua morte e ressurreição, declara que o que Cristo e o Pai o fizeram é suficiente para remir os nossos pecados. O termo apresenta o mesmo sentido que tem sempre no grego, que é igual ao termo latino propitiatio apresentado na liturgia: por Cristo e em Cristo o Pai realiza o desígnio do seu amor eterno mostrando-se propicio, isto é, perdoando aos homens, com um perdão eficaz, que destrói verdadeiramente o pecado, que purifica o homem, e que lhe comunique a vida. 

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