Eu no culto cristão

E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Leia Isaías 6
Isaías no templo, autor não identificado
O que essas palavras realmente evocam? A despeito de tudo o que se vê nas igrejas de hoje, qual é a verdadeira essência que permeia um culto cristão? O pode que existir por trás da visão do profeta Isaías que a faz ser tão diferente daquilo que chamamos de consenso nos cultos que prestamos ao Deus altíssimo? Que experiências este profeta quer nos transmitir com esse conhecido texto?

Podemos, assim como fez o teólogo Paul Tillich, dividir em três fases distintas a rica e reveladora experiência que Isaías teve quando foi ao templo de Jerusalém em um dia próximo da morte do rei Uzias, há longínquos 2800 anos.

A primeira dessas experiências pode ser descrita com poucas e curtas palavras: eu vi o Senhor. Basta ter um breve conhecimento das Escrituras e conhecer a seriedade da mensagem deste profeta para entender que Isaías não estava dizendo que viu Deus. Na sua época já se tinha uma noção exata de que Deus não era um ser material, e que a sua manifestação mais sensitiva se dava através do seu Espírito, cuja palavra também significava vento. Exatamente com mais tarde Jesus vai descrevê-lo: Ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem, e nem para onde ele vai.

Podemos notar que Isaías em momento algum fala de como é Deus, e nem por um instante tenta delinear a sua forma. No entanto, ele fala com incrível riqueza de detalhes o que a presença de Deus provoca. Uma presença tão avassaladora que faz tremer as bases de um prédio muito bem edificado, mas que nada à sua volta se fazia perceptível além de fumaça. Não aconteceu o tumulto que nas nossas igrejas normalmente precede a invocação dessa presença. Não houve uma histeria coletiva da parte das pessoas que certamente estariam presentes naquela hora, e muito menos individual do profeta. Coxos não andaram, mudos não falaram e nenhuma cura milagrosa foi anunciada. Permaneceu, a despeito de Isaías continuar em sua plena consciência, apenas a sua certeza de que Deus estava presente naquela hora, naquele lugar.



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