De pai para filho desde 1810

Jesus abraça criancas, Lucas Cranach
Antes do século XX, as informações sobre criação de filhos eram passadas verbalmente e por exemplos de comportamento. A informação permanecia virtualmente inalterada de geração para geração. Uma geração contava para a outra, que contava para outra e era sempre desse jeito. Os pais criavam seus filhos para seguirem as suas pegadas. Mas nos últimos anos nós passamos por mudanças surpreendentemente rápidas, e as fórmulas antigas já não apresentam mais os mesmos resultados. Todas essas tradições deram lugar à Ciência, e as crianças passaram a ser estudadas cientificamente.

O interessante é que os resultados desses estudos, que podem ser encontrados na banca de jornal e na livraria, são sempre contraditórios. É um cientista diz uma coisa e o outro diz exatamente o contrário. A despeito disso permanece a dúvida: como nós devemos agir como pais na educação dos nossos filhos? Podemos começar definindo como devem ser nossos valores e tendências.

Menciono como primeiro valor o seguinte: pessoas flexíveis e adaptadas sobrevivem de maneira mais efetiva. Os pais que são assim estão sempre avaliando seus pontos fortes e suas falhas e possuem valores próprios. Simplesmente ajudar no crescimento dos filhos pode ser uma tarefa excitante, mas prepará-los para a vida é uma tarefa muito difícil. Estamos frequentemente diante de situações de raiva e de medo, e não sabemos como lidar com elas.

Todas as culturas tem um padrão de família perfeita. Na nossa cultura a família ideal é a formada por pai, mãe e filhos, que mantêm relacionamentos estreitos, e que estão ligados por laços fortes com os avós, tios e primos. As famílias felizes são aquelas que têm os seus entes próximos. Quem não é assim está sempre com vontade de estar em outro lugar. A nossa cultura considera as pessoas que não têm uma família ideal como não muito certas. Estão fora do nosso ideal as mães solteiras, os desquitados, os divorciados, as crianças abandonadas e os moradores de rua. Aqui entra a tarefa dos pais: transformar crianças em adultos capazes de funcionar independentes da sociedade. Para isso nós já recebemos uma boa dose de informação, e vamos criar nossos filhos como nós fomos criados.

Outra coisa importante é que não pensamos em qualquer outra necessidade antes de termos as necessidades básicas satisfeitas. Eu não vou pensar em segurança se não tiver o que comer. É assim o evangelho. Eu não posso amar o próximo se eu não amo a mim mesmo. Por isso que uma das funções dos pais é prover as necessidades básicas da família para que ela possa exercitar as outras necessidades, como o bom relacionamento. E por fim, estas outras necessidades acabam tornando-se básicas também, e, por vezes, mais necessárias para a formação da criança.

Se a criança não se sente amada, nunca entenderá que deve amar as pessoas. Pelo contrário, vai temê-las e odiá-las. Se na igreja as apresentamos a um Deus que castiga e que manda as pessoas para o inferno, como vamos querer que as crianças entendam o amor de Deus? Precisamos, por conta disso, classificar os estímulos de quatro maneiras: positivos, negativos, condicionais e incondicionais. Essa classificação nos ajuda a entender o tipo de estímulo que estamos recebendo e o que estamos dando aos outros.

É importante que pensemos nisso porque até mesmo os estímulos negativos são preferíveis a nenhum estímulo. Se a criança não é criada de acordo com pensamento de que Deus é amor, ou é criada sem testemunhar qualquer experiência transcendente com Deus, ela vai procurar ter a sua experiência transcendente com outro ser diferente. O que não vai acontecer é ela crescer sem experiência alguma, mesmo que essa experiência a faça infeliz, porque é naquele lugar que ela encontrou algum tipo de estímulo para a sua vida.

Nossas igrejas e nossa sociedade estão cheias de gente assim. Pessoas que se sentem abandonadas, ainda que dentro de nossas comunidades, pois foram criadas com estímulos negativos. Por isso têm medo do diabo, têm medo de maldições, têm medo do inferno e de demônios. Preferem ter medo a não terem qualquer outro sentimento. Pessoas que aprenderam o temor em vez de aprenderem o amor. 

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