De filho para pai desde 1810

Jesus no templo, autor não identificado
Falando ainda sobre o modo de criação dos filhos que os levem a ser boas pessoas, somos levados a entender que todo o processo de rejeição tem o seu começo na derrota da luta pela aceitação. A regra é bem básica e diz simplesmente que: se o mau comportamento é sempre punido e o bom comportamento nunca é recompensado, o bom comportamento desistirá.

Wesley Peck dizia o seguinte: Surpreendam seus filhos quando eles se comportarem bem. Contudo, é notório que o sistema de estímulos que muitos de nós fomos criados está baseado nas seguintes regras:
não dê estímulos quando dispuser deles;
não peça estímulos quando precisar deles;
não aceite estímulos quando os quiser aceitar;
estímulos entre adultos têm conotação suspeita;
não recuse estímulos quando não os tiver;
não estimule a si próprio.

Como consequência do cumprimento dessas regras desenvolveu-se um certo número de ficções a respeito de estímulos. Vamos examiná-las:
todos os estímulos devem ser merecidos;
não pode ser normal um pedido de estímulo;
se as pessoas começarem a pedir estímulos irão se tornar vorazes e insaciáveis;
qualquer pessoa com mais de cinco anos já não está mais na idade de obter certos estímulos.

Tudo isso é mentira, ilusão, ficção, pois todos devem receber estímulos simplesmente por serem quem são. Pedir estímulo não diminui o valor das pessoas. Somos nós quem determinamos o que é ou não pessoal nos relacionamentos, mas isso não pode impedir que as pessoas revelem os seus desejos. A maioria dos relacionamentos se torna complicado justamente porque o outro não tem como nos revelar que tipo de estímulos necessita. Da mesma forma que paramos de comer quando não temos mais fome, paramos da mesma forma de buscar estímulos. Esta é a única maneira de alguém se sentir bem consigo mesmo.

Temos como exemplo as crianças saudáveis, elas não evitam jamais de pedir algo que necessitam. Se uma criança não recebe colo de alguém, imediatamente procura outra pessoa que a tome nos braços. Diante delas nós, os pais, temos que rever constantemente o programa psíquico de estímulos que herdamos de outras gerações, para poder responder aberta e honestamente a solicitação da criança. Precisamos constantemente nos reprogramar para sabermos o tipo de estímulo que é cabível em cada nova situação. O grande problema ao criar filhos é que cada criança precisa de um tipo de estímulo diferente em cada fase da sua vida, e que raramente são os mesmos que recebemos quando éramos da idade deles.

Eu fui criado segundo a seguinte regra: a criança precisa ouvir e não falar. Isso fez com que quase nunca a minha opinião ou desejo fosse conhecido, até um dia em as circunstâncias me obrigaram a dizer o que eu pensava, e nesse dia eu não sabia o que dizer, porque não fui educado para me expressar meus sentimentos, ainda mais em público. Deixe-me dizer antes que meus pais tinham idade de serem meus avós, e até bisavós, quando nasci. Pelo menos uma geração foi pulada na minha criação.

Antes mesmo de estabelecermos a diferença entre nós e as outras pessoas, temos que responder a uma crucial questão, e todo mundo toma uma decisão a esse respeito: como eu vou tratar as outras pessoas? Estabelecemos, então, as seguintes relações:
eu sou do bem, e você é do bem;
eu sou do bem, e você não é do bem;
eu não sou do bem, e você é do bem;
e a mais triste delas:
eu não sou do bem, e você também não é do bem.

Cada uma dessas posições possui um programa próprio do que fazer para solucionar problemas. Problemas com relação às outras pessoas. Na primeira posição, quando penso que eu sou do bem e que você também é do bem, as questões se resumem em o que fazer, e simplesmente fazer. O foco é apenas o problema. Na segunda posição, prevalece a dúvida sobre se a outra pessoa é o problema. Na terceira, eu me esquivo do problema para não ser reconhecido como a causa dele. Na quarta não existe qualquer possibilidade do problema ser resolvido.

Esta é a bagagem que carregamos quando nos relacionamos com as outras pessoas. Pode ser que na rua ou no trabalho, estas diferenças não se acentuem, mas quando estamos tratando de problemas da igreja, elas são fundamentais. Na criação de filhos algumas delas são verdadeiramente diabólicas. Assim nos ensinou o mestre: Se a luz que há em ti são trevas, quão densas as verdadeiras trevas que há em ti não serão? 

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