Os medrosos e os tímidos não participam

Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados.

Texto do rev. Jonas Rezende.
No seu livro Os quatro gigantes da alma, Mira y López aponta, entre os quatro gigantes mencionados, o medo. Porque o medo nos paralisa e pode anular-nos de maneira absoluta.

Veja bem. O ser humano nasce apenas com dois tipos de medo: o medo de cair e o medo do barulho, mas através da vida vai-se deixando dominar por uma verdadeira floresta de temores, até ficar na posição descrita pelo psicólogo, imobilizado pelo gigante da alma, que é o medo.

Visito de novo o terceiro salmo, escrito por Davi. O salmista, em situação de alto risco e provação, estava longe de contar bravata. O seu testemunho de coragem baseava-se nele mesmo, no homem que, quando menino, venceu um gigante de verdade. Mas o seu destemor sempre se escudou, acima de,tudo, em Deus: levanta-Te, Senhor! Salva-me, Deus meu, pois feres nos queixos a todos os meus inimigos, e aos ímpios quebras os dentes. Do Senhor é a salvação, e sobre o teu povo a tua bênção.

Por que a coragem é enaltecida nos salmos, na Bíblia e na vida? No Livro dos Juízes, Deus diz a Gideão, que estava acompanhado de muita gente para enfrentar os medianitas: quem for tímido e medroso, volte, e se retire da região. E, no Apocalipse, lemos que os tímidos e covardes não entram no reino. Os tímidos e medrosos não participam. É tão grave assim ser vítima do medo e da timidez?

Talvez, dentro da perspectiva psicológica, uma simples resposta seja insuficiente, porque os temperamentos são diversos, e muitos são realmente tímidos. Mas a verdade é que eles não sabem furar, ficam mais tempo nas filas, são mal atendidos nos balcões, perdem excelentes oportunidades, não sabem dizer não, muitas vezes dei­xando de ser os sujeitos da sua história, pois seguem rebocados pela vontade dos outros. Em suma, os tímidos não são bem-sucedidos no reino dos homens.

Se focalizarmos a questão de um ângulo social, veremos que os preju­ízos dos tímidos se agravam. Porque, nesse terreno, é perigoso baixar os olhos com medo, diante dos agravos que aviltam o ser humano.

Vinícius de Moraes tem um forte e belo poema - Mensagem à poesia - no qual escreve que, em face do lavrador agredido em uma praça e do inalienável direito de todos terem uma pequenina casa, com um jardim de frente e uma menininha de vermelho, os ombros não podem curvar-se, os olhos não se devem deixar intimidar: porque eu trago nos ombros a desgraça do mundo, e não é o momento de parar agora. E o poeta se desculpa: por isso peçam a ela que me perdoe, porque sou eu apenas seu, mas que agora é mais forte do que eu, não posso ir.

Por fim, de um prisma espiritual, podemos afirmar que o contrário da timidez, o seu antônimo, é a fé. Coragem, no caso de Davi, de Gideão, ou na simbólica seleção dos que, no Apocalipse, não participam da nova terra, mas ficam de fora - coragem é fé, confiança em Deus, esperança; virtudes não localizadas em um tipo especial de tímido, medroso ou covarde.

Eis por que eles não são contados, permanecem à margem, perdem o bonde da História. Como a Bíblia deixa muito claro: sem fé é impossível agradar a Deus... o justo viverá por fé... E, especialmente: o verdadeiro amor lança fora o medo.

A fé é a resposta do ser humano ao amor divino que liberta. É a ponte que une a nossa vida ao coração de Deus.


Dê o primeiro passo. 
Muitas vezes, crer é querer crer.

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