O que é CORRUPÇÃO?

Cortesãos no jardim de rosas, autor desconhecido
A corrupção é o resultado de fenômenos de decadência e decomposição. No Primeiro Testamento é encontrada no sentido físico, como, por exemplo, da madeira: Is 40.20 - O sacerdote idólatra escolhe madeira que não se corrompe e busca um artífice perito para assentar uma imagem esculpida que não oscile. Fala sobre os fenômenos concomitantes como rimmãh, que em alguns textos significa vermes ou sepulcro, e estão em paralelismo com corrupção. Encontra-se também o sentido figurado, na maioria das vezes na literatura sapiencial. A transitoriedade do homem e o sofrimento corporal de Jó são comparados à corrupção: Job 13.28 - apesar de eu ser como uma coisa podre que se consome e como a roupa que é comida da traça.

Há uma transição no sentido da palavra no Segundo Testamento. É anunciada antes em Pv 12.4 - A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão nos seus ossos. “Nos seus ossos” é símbolo de maldade ou de infidelidade. Em Tg 5.2 - As vossas riquezas estão corruptas, e as vossas roupagens, comidas de traça, significa toda obra transitória; de modo semelhante fala em corrupção, principalmente quando faz um julgamento sobre o valor das riquezas. O uso do termo nem sempre se refere à realidade objetiva. Na linguagem das parábolas de Jesus, peixes, árvores e frutos são corrompidos, não por estarem biologicamente estragados, mas por serem inaproveitáveis. Assim são caracte­rizados os falsos profetas que não são aptos para o Reino de Deus. O critério é o ser inaproveitável, como é dito explicitamente em Ef 4.29 - Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. A palavra corrompida não contribui nada para a edificação da comunidade.

A marca indelével da corrupção em Israel foi o surgimento do cortesão. Foi só com a instituição da realeza que apareceram em Israel os cortesões. A organização pré-monárquica em tribos conhecia apenas os anciãos. Sob o reinado de Saul, mas, sobretudo, sob o de Davi e Salomão, o governo foi reorganizado, e confiado a cortesões que prestavam conta unicamente ao rei. Geralmente os cortesões eram escolhidos entre os peritos na arte de escrever. São várias as categorias de cortesões, uma imitação clara dos egípcios. A nomenclatura varia às vezes, e as funções nem sempre são claramente determinadas. Na Bíblia são enumerados os seguintes:

O mazkir. Esse nome designa aquele que lembra, um arauto, um homem de confiança. Tanto o ofício como o título são egípcios. No Primeiro Testamento apenas uma das suas funções é mencionada: o mazkir de Ezequias quem negocia com os oficiais de Senaquerib sobre a entrega de Jerusalém: II Rs 18 e Is 36.

O escrivão, sõfõr ou chanceler. Era o secretário do rei e o escrivão do estado. Redigia os documentos oficiais e contabilizava impostos. Talvez tivesse também atribuições militares, gozando, portanto de grande influência nos negócios públicos.

O mordomo, ‘al habbayit ou intendente da casa. Inicialmente a função parece ter sido bastante modesta. Salomão exerceu algumas vezes, ele mesmo, essas suas funções, no entanto, supõe-se que era uma função muito importante. Este corrupto usa uma veste oficial, anda num coche, e é chamado de pai do povo. O símbolo da sua dignidade é a chave da casa de Davi. Comparando-se esta função com a de José na corte do Egito, vê-se no mordomo, pelo menos sob os últimos reis, um corrupto cuja função se assemelha à do grão-vizir egípcio.

O superintendente das corveias ou 'al hammas. É mencionado Adonirão, sob os reinados de Davi e Salomão.

O "conhecido”, o conselheiro do rei. São mencionados: Cusai, sob Davi, Zabud, sob Salomão, Asaías, sob Josias, Nabuzardan, sob Nabucodonosor, na corte babilônica.

São mencionados ainda, não nas listas de cortesões, os governadores nissabirrv, no reinado de Salomão, os quais cuidavam do sustento do rei e da sua corte; eram doze, um para cada mês do ano. Citam-se ainda, mas fora das listas de cortesões: o camareiro, o copeiro-mor, nas cortes de Salomão, do Egito e da Pérsia, e o padeiro-mor da corte egípcia. 

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