Duas palavras bastam I

Pegue a sua cruz, autor não identificado
Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Mateus 16.24 

Jesus disse que ninguém tem um amor maior do que aquele que dá a sua vida por um amigo. No mundo de hoje estamos vendo centenas de milhares de jovens dando a sua vida às drogas, à prostituição e aos delitos mais hediondos. Que fazemos como cristãos diante desse quadro? Qual a palavra que eu como pregador do evangelho direi numa hora como essa? Tenho para mim que a resposta a essa e a tantas outras perguntas que podem ser feitas nessa linha está em duas pequenas palavras que Jesus disse e repetiu em particular mais de uma vez, e no texto acima de um modo geral: siga-me.

São extremamente simples e pessoais: Elas transcendem a perplexidade das teologias. Elas desconhecem denominações e movimentos. Elas não se dobram ante ao privilégio e nem levam em conta a condição. Siga-me. Elas são profundas o suficiente para nos dirigir nos tempos mais difíceis, como o de hoje. Siga-me. Então, vamos apreciar mais um pouco essas palavras maravilhosas.

Primeiramente, quem diz siga-me está indo a algum lugar, e direção é uma das coisas que mais carecemos. Contudo, nem por isso, no início, são bem acolhidas por nós, porque elas vêm a nós como uma ameaça. Com a ameaça de nos deslocar, mas quando refletimos nelas vemos a atração da promessa de alguém que está indo a algum lugar.

Por mais de uma vez já vi na traseira de um carro o seguinte: Não me siga, estou perdido. Essa é a condição do mundo atual. É o ânimo da nossa geração. Para isso Jesus tem um plano. Jesus tem um propósito a realizar na História, e além dela. E ele quer nos incluir nisso. A palavra grega para siga-me é a mesma usada para designar o caminho. Para seguir é preciso ter em comum o mesmo caminho. Nesse sentido, a nossa oração não deve ser para pedir para estarmos mais tempo com Deus, e sim para andarmos mais perto de Deus.


Em segundo lugar, aquele que diz: siga-me, está mais interessado no futuro do que no passado. Como é importante isso, principalmente para nós que vivemos sob o signo da extinção total, do fim da humanidade. Justamente aqui é que o evangelho se torna boa nova, porque não importa quantas vezes já caímos, não importa nem mesmo se já nos levantamos ou se ainda estamos machucados da última queda. Para Jesus importa quem vamos ajudar no futuro.

A psicologia está seguindo uma linha nova. A chamam de terapia de realidade. O fundador desse método diz que é inútil ficar buscando minúcias no passado de uma pessoa, como moderna psiquiatria faz. Que não adianta nada querer saber o quanto se foi mau tratado no passado. O que importa para ele é fazer face às necessidades, é preparar a pessoa para um futuro de valor. O conhecimento do passado nos faz entender certas emoções e como lidar com elas. Mas a terapia de realidade tem razão quando diz que mais importante a realidade e o futuro que se pode construir a partir dela.

Quando lemos o Segundo Testamento, descobrimos o quão pouco Jesus deixou as pessoas falarem do seu passado. Para a mulher flagrada em adultério, por exemplo, Jesus não perguntou o que a fez pecar. Simplesmente perguntou quantos haviam ficado para condená-la. A parábola do filho pródigo tem que ser o modelo de como se tratar as pessoas que fracassam. Essa a minha recomendação para qualquer um que quer começar a ler a Bíblia: ler e reler essa parábola até a exaustão. Quando ela tiver sido bem assimilada, comparar todo o restante da Bíblia com ela. É ela que nos diz que na terra distante o filho preparou um discurso emocionado. Mas coitado, nem teve a oportunidade de apresentá-lo. Suas palavras foram sufocadas pelo amor do pai. Foi dado a ele novamente o status de filho, pois a contabilidade de Deus não é como a nossa. Para ele, não é aquele que se arrepende que é perdoado, e sim, quem é perdoado é que se arrepende. (continua)

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