Perguntas sobre o inferno

Inferno, pintor português desconhecido, século XVI
Adaptado do texto de John McKinley
Muitas ideias equivocadas sobre o inferno têm infectado o pensamento da Igreja, tais como: o inferno é uma câmara de tortura, é o lugar onde o diabo e demônios estão atormentando os seres humanos, o inferno é a ausência absoluta de onipresença de Deus e o purgatório.

O inferno é um tema difícil, e é difícil gastarmos tempo meditando sobre temas difíceis. Deus quer que pensemos sobre o céu, ou então ele não o teria revelado a nós com tantos detalhes. Examinemos quatro tópicos dessa doutrina que podem nos ajudar a resolver algumas das dificuldades do que vem a ser inferno.

I. A metafórica linguagem para o Inferno
A Bíblia usa uma horrível e temível linguagem descrevendo a punição das pessoas irão sofrer no inferno. Em síntese, elas são declarações sobre o fogo que queima com angústias e tormentos dessas pessoas, que podemos imaginar como sendo queimadas continuamente. Todo mundo sabe que o fogo queima. Com base na memória de sentir temporariamente essa dor, podemos facilmente imaginar o horror de quem está imerso em um lago de fogo para sempre. Com essa dor em mente, a Bíblia nos leva a concluir que o inferno é ainda pior do que isso. Mesmo os termos que nos são apresentados, juntamente com a nossa experiência, revelam apenas um dado: o inferno não é deste mundo.

II. Nomes metafóricos para o Inferno
Os nomes para o inferno: Sheol, Hades, Tártaro, Geena, a segunda morte são todos metafóricos. 
Sheol é a sepultura, um termo que faz referência à existência permanente de pessoas numa sepultura, onde seus corpos jazem.
Hades é um nome mitológico do submundo, usado no PT para referir-se um reinol que está além do mundo dos vivos.
Tártaro, encontrado apenas em 2 Pedro 2:4, de acordo com a mitologia grega, é o lugar dentro de Hades onde os ímpios sofrem punição.
Geena é a referência metafórica para o lugar real de punição, usando um termo do mundo dos vivos, o Vale do Hinom, onde israelitas sacrificaram seus filhos no horrendo culto a Moloque. Fica fora da cidade de Jerusalém. Ali estão a vergonha, o desprezo e a dor no mundo dos mortos, e não apenas o depósito de lixo de Jerusalém. Geena é usada 13 vezes no Primeiro Testamento, normalmente é traduzido como inferno.
Segunda morte, Apocalipse 20. Em comparação com outras formas de morte consideradas na Bíblia, podemos colocá-la em conjunto como a perda e a separação de todos os bens nesta vida, de forma irreversível. A morte biológica é uma separação do espírito ou alma do corpo, e a perda da capacidade de viver na terra. Já a morte espiritual está clara em Efésios 2:1-3: vós estáveis ​​mortos nos vossos delitos e pecados, essa é a separação dos bens e liberdades que só ele oferece. Deus advertiu sobre essa consequência do pecado em Gênesis 2. Adão e Eva se esconderam de Deus, um culpou o outro, e, em seguida, foram lançados fora do lugar de bênção, separados da árvore da vida. Assim, o inferno como segunda morte é melhor entendido como uma perda permanente de oportunidades e bens, porque o malfeitor é expulso e excluído do reino da nova criação.

III. As descrições metafóricas do Inferno
As descrições do inferno, se tomados como realidades atuais parecem incompatíveis entre si. O fogo, com a sua luz, em conjunto com a escuridão são, obviamente, irreais. O fogo que não para, e um verme que não morre apontam para coisas piores do que ser imerso em um lago de fogo. O enxofre é mencionado para mostrar a alta intensidade de calor, em comparação com baixo calor da chama da vela de cera. As ideias repetidas ao longo das descrições variam entre dor, punição, sofrimento, tormento e angústia. Em tudo isso há um aspecto físico significativo para a dor do inferno, e a queimação interna é a pior parte.

A descrição de fogo e dos castigos no inferno de Deus se contrapõe com a maneira como Deus é frequentemente descrito na Bíblia: um fogo consumidor. E a sua ira é comparada ao calor a ao fogo. A punição para os iníquos na terra é o fogo, como em Sodoma e Gomorra, mas esse ainda não é o castigo final do inferno. Pessoas queimadas até a morte foi um sinal para Israel se arrepender, pois o pior estava por vir. Uma trágica declaração que Jesus faz em Lucas 13:1-6, aponta para a morte que alguns experimentaram pelas mãos dos soldados de Pilatos e por uma torre caindo, como sendo uma severa advertência do perigo pior por vir.

IV. O inferno e o Diabo para Jesus
Não temos problema algum em dizer que Jesus sofreu o inferno na cruz, mesmo que sem chamas; e que o diabo, um ser espiritual, também sofrerá a punição do inferno. Ambas não podem ser verdade, se levadas ao pé da letra. A crucificação certamente é uma dor física extrema. As três horas de escuridão não natural indicam algo pior que trouxe sua morte precoce: o inferno foi trazido para a terra enquanto ele estava na cruz. Parece melhor pensar que essas descrições, em todos os seus pontos horror apontam para algo pior que podemos imaginar: o banimento absoluto dos bens de Deus, o sofrimento e angústia sem fim, e a certeza de nenhum alívio.

Relacionada a essas descrições metafóricas de inferno está a hipérbole que Jesus usa para exortar as pessoas a fazer tudo o necessário para evitar o sofrimento do inferno: é melhor cortar a mão ou o pé, ou arrancando um olho. Todas estas coisas nos foram ditas para que possamos fugir desse sofrimento e agarrar a oportunidade da redenção de Deus que permanece aberta. Somos instigados a tomar o inferno tão sério quanto possível, para que possamos alertar as outras pessoas de seu perigo iminente. Essa pode não ser uma mensagem muito aceitável para os dias de hoje, mas isso não faz o sofrimento menos real ou menos importante.

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