O lugar dos pequeninos

Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade. Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador.
Salmo 8, www.magritprigge.co.za em 2003
Texto do rev. Jonas Rezende
O lugar da criança, assim como da mulher, aos olhos de Jesus é revolucionário, até de um prisma sociológico. E o cristianismo, de maneira lenta, centralizaria a criança, que parecia valer pouca coisa na Antiguidade e mesmo durante boa parte da chamada era cristã, nesse pedaço do mundo em que a Igreja moldou a mentalidade social. Jesus Cristo diz no Evangelho: quem não se fizer como criança não entrará no reino dos céus... deixem as crianças virem a mim; delas é o reino de Deus.

É bem provável que não exista nos textos do Antigo Testamento outra citação que centralize os pequeninos como um exemplo. E diferentes estudiosos interpretam esse poema de Davi, que visito pela terceira vez, de modo semelhante ao que se diz das crianças, com base nas palavras de Jesus. Destacam o deslumbramento infantil com o mundo, a sua postura lúdica e inocente diante da vida, a maneira pura como os pequeninos se comportam em contraste com a sofisticação e a velhacaria dos adultos. E mais: a plasticidade das crianças, que se reformulam a cada passo do seu rápido crescimento; a maneira como elas podem ilustrar a fé para com Deus, no seu absoluto abandono às mãos de seus pais. Tudo isso justificaria a citação do salmista e a visão de Jesus.

O Cristo, no Evangelho de Mateus, identifica a menção do salmista com a alegria dos meninos que participaram da sua entrada triunfal em Jerusalém, até hoje celebrada no litúrgico Domingo de Ramos. Quando os principais sacerdotes e escribas, indignados com o cântico de Hosana ao filho de Davi, que os meninos clamavam, lhe perguntam se ele ouvia o que estavam dizendo, Jesus responde literalmente: sim; vocês nunca leram que da boca de pequeninos e crianças de peito Deus tirou perfeito louvor?

A menção do salmista é uma das claras pontes que ligam o Velho ao Novo Testamento. Jesus, tratado como filho de Davi, dá, no entanto, muitos passos mais na valorização da criança. Quando seus apóstolos querem poupá-lo, no final de estafante dia de trabalho, despedindo os pais que traziam seus filhos para serem abençoados pelo mestre, ele os repreende com as palavras já citadas: deixem que os meninos venham a mim, não dificultem; deles é o reino de Deus.

Duas ideias estão presentes na frase de Jesus. As crianças são mais importantes do que o seu descanso, pois são protótipos do cidadão de Deus, pelos motivos já mencionados e tantos outros mais que não cabem em minha curta meditação. Mas o mestre ensina tam­bém que os adultos podem injustamente impedir o livre acesso dos pequeninos à merecida bênção que ele deseja dar.

Sinto que há uma inflexão de censura e desagrado em sua palavra aos discípulos: não embaracem as crianças. E essa censura continua contemporânea, dois mil anos depois. Sua aplicação se amplia e atinge pais, educadores e adultos em geral: não sejam pedra de tropeço aos pequeninos. E ele ainda disse mais, abrindo o leque de abrangência da palavra pequenino: melhor seria se os que ousam escandalizá-los amarrassem uma pedra no pescoço e se lançassem no mar.

Juan Arías, teólogo católico, afirma que os pequeninos são importantes para Jesus, de tal modo que, depois de Deus, é diante das crianças que nós nos ajoelhamos.

Você já pensou que toda criança
é um pouco de Jesus em nossa vida?

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