Existe mesmo uma casa de Deus?

O SENHOR olha dos céus; vê todos os filhos dos homens; do lugar de sua morada, observa todos os moradores da terra. Salmo 33.13-14
Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. I Pedro 2.5
Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. João 14-2
A Escada de Jacó, Karen A. Atkins
A meditação desse blog mais discutida esta semana, não nos comentários, mas no Facebook, foi a colaboração sempre bem vinda e inspirada do meu pastor, o rev. Jonas Rezende. O tema foi justamente esse: Existe uma casa de Deus? Entre habitações do Espírito Santo e relativização da importância dos templos surgiram opiniões firmes e concisas, as quais eu ainda não tinha respondido por estar envolvido no projeto de reestruturação total do blog, o que está me tomando um tempo considerável. Aproveitando a oportunidade de fazê-lo agora, respondo a questão com um sim e um não.

Porém, antes de tudo, eu gostaria de fazer um breve retrospecto sobre as origens da ideia de casa de Deus, e de como a razão humana a tem concebido ao longo do tempo.

Para o caldeu primitivo, a casa de Deus e o lugar de onde ele assistia era o céu. Não o céu dos passarinhos, mas o dos astronautas, pois na tentativa de alcançá-lo exauriram seus esforços construindo zigurates cada vez mais altos. A Torre de Babel é um belo exemplar desse empreendimento. Mas, segundo o escritor do Gênesis, o patriarca bíblico Jacó foi o precursor da ideia da casa de Deus ser aqui na Terra. Não a concebeu sob a forma de um templo majestoso, como os do seu país de origem, mas em um lugar vasto e sombrio, que a crença dos habitantes supunha ser local de demônios. Na sua empírica experiência após uma noite de sonhos e assombramentos, também citada pelo Jonas, Jacó afirma: Gn. 28.18 - Na verdade, o Senhor nesse lugar e eu não sabia.

O profetismo bíblico levou essa concepção mais adiante, e entendeu que Israel fora o povo escolhido por Deus para viver de tal maneira em justiça e verdade, que constrangesse as nações vizinhas a fazerem o mesmo, motivadas pela força de um exemplo que teria dado certo se fosse levado a cabo como planejado. Esta já é uma concepção mais próxima do que entendemos hoje ser a igreja, pois existe aí um trabalho conjunto de construção de um local onde a vontade de Deus prevalece acima da vontade dos homens. Consignando assim o princípio de um casa onde Deus detém toda autoridade e poder sobre os que lá congregam.

Jesus, por sua vez veio ampliar, em muito, esses estreitos limites. E em todo seu ministério terreno, esse foi o seu grande objetivo, pois viveu e morreu para anunciar que mais do que uma simples casa, Deus estava se empenhando na construção de um Reino, e que este Reino começaria com ele e com aqueles que assumissem sobre si a tarefa de ajudá-lo na construção.

A sua morte cruenta e injusta criou uma expectativa negativa quanto o cumprimento das promessas feitas em sua pregação. A decepção dos discípulos era flagrante, e alguns dos mais chegados já tinham resolvido abandonar o projeto e voltado às suas antigas atividades, pois haviam perdido três anos de suas vidas seguindo o Messias errado: Lc 24.21 - Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.

Mas aconteceu uma reviravolta inesperada. Aqueles homens e mulheres decepcionados e temerosos, de uma hora para outra, tomaram as ruas, as praças e as sinagogas para anunciar que o projeto de Deus estava mais vivo do que nunca, pois aqueles a quem os judeus crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo. Todas as promessas tinham mais do que simples palavras, pois levavam o aval daquele que estivera morto e ressurgiu vencendo a morte.

Dessa crença surge o grande organizador e pensador do movimento iniciado por Jesus Cristo, Paulo, o apóstolo abortivo. É ele quem vai sistematizar as ideias e ideais de Jesus, traduzindo-os para a linguagem e prática distantes e isentas do tradicionalismo judaico, que queria transformar o movimento em mais uma de suas seitas. Paulo inicia a sua saga missionária para difundir o Reino de Deus para além das fronteiras do Israel geográfico. Para um Israel de homens de mulheres, judeus e gentios, servos e senhores, velhos e crianças. (continua)

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