O que é IMAGEM? I

Ninguém viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou. João 1-18
Jeroboão sacricando ao ídolo, Jean-Honore Fragonard
Ninguém neste mundo viu nem pode ver Deus Pai. Por de suas imagens que ele se dá a conhecer. Antes da revelação plena, que ele fez de si mesmo através da imagem por excelência que é seu Filho Jesus Cristo, na antiga aliança, ele começou a fazer brilhar diante dos homens a sua glória reve­ladora. A Sabedoria de Deus, emanação pura de sua glória e imagem de sua excelência, já revelava certos aspectos de Deus; e o homem, criado com o poder de dominar a natureza e agraciado com a vida eterna, cons­titui já uma imagem viva de Deus. Contudo, a proibição das imagens no culto de Israel expri­mia, como que por contraste, a seriedade desse título dado ao homem, e preparava por via negativa a vinda do Homem-Deus, única imagem em que se revela o Pai plenamente.

A proibição das imagens
Esse preceito do decálogo, em Dt 27.15; Ex 20.4; Dt 4.9-28, aplicado com maior ou menor rigor no decorrer dos séculos, constitui um fator fácil de justificar quando se trata dos falsos deuses ou ídolos, mais difícil de expli­car quando se trata das imagens de Iahweh. Não é contra uma representa­ção visível que os autores sagrados, habi­tuados aos antropomorfismos, pretendem atirar suas flechas denunciatórias; antes, querem lutar contra a magia idolátrica e preservar a transcendência de Deus. Deus não manifesta sua glória por meio dos bezerros de ouro e nem através das imagens feitas por mãos de homem, e sim através das obras de sua criação: Rm 1.20 – Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Deus não se deixa comover mediante imagens portentosas, nas quais o homem dispõe a adorar acentuando atributos isolados ou determinadas realizações, mas exerce a sua ação salvífica livremente através dos corações, pela Sa­bedoria, e em seu Filho.

O homem, imagem de Deus
No Primeiro Testamento, a importância desta expressão não provém tanto do próprio termo, que já havia sido empregado nas narrativas da criação do homem em poemas ba­bilônicos e egípcios, mas do seu contexto geral: o homem é a imagem não de um deus, principalmente quando este também concebido à imagem do homem, mas de um Deus tão transcendente a ponto de ser impossível fazer dele uma ima­gem. Somente o homem pode ter pretensões a esse título, o qual exprime a sua mais alta dig­nidade - Gn 9.6 – Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem.

Segundo Gn 1.26-29, ser imagem de Deus e semelhança sua implica o poder de dominar sobre todas as criaturas terrestres e também, ao que parece, o poder, senão de criar, ao menos de procriar seres vivos. Contudo, no geral, os textos do Primeiro Testamento desenvolvem mais o primeiro tema, o do domínio. Ao mesmo tempo, a noção de imagem de Deus, quer seja utilizada explici­tamente ou não nesses textos, parece identificada com um estado de glória e esplendor pouco inferior ao de um ser divino: Sl 8.5 – Fizeste-o, o entanto, por um pouco, menor do que Deus e de honra e glória o coroaste.

Nos deuterocanônicos, o homem não é só a imagem de Deus numa expressão impre­cisa, que dava margem a certas interpreta­ções rabínicas, mas é, com toda propriedade, a imagem de Deus por excelência. Enfim, um elemento importante de semelhança entre Deus e o homem se tornou explícito, a saber: a vida eterna. O judaísmo alexandrino, com sérias tendências gnósticas, distingue duas criações segundo os dois relatos do Gênesis: só o homem ce­leste é criado à imagem de Deus; o homem terrestre, que é tirado do pó. Essa especulação sobre os dois Adões será retomada e transfor­mada radicalmente por São Paulo em I Co 15. (continua)

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